22ª Mostra

CULTURA, ALIMENTO DA ALMA

A Mostra de Cinema de Tiradentes chega a sua 22ª edição, de 18 a 26 de janeiro de 2019, apresentando ao público a diversidade da produção cinematográfica brasileira. Serão exibidos 108 filmes brasileiros, em pré-estreias mundiais e nacionais, de 14 estados em 49 sessões de cinema. A seleção se configura como uma oportunidade única para se conhecer e difundir os caminhos originais e ousados da produção brasileira contemporânea sob as mais variadas vertentes. Uma busca pela legitimação na realidade que aparece nos filmes brasileiros recentes.

Corpos Adiante é a definição da temática desta edição. O corpo como potência, pendor político e social, presença, infinitude. A celebração do corpo – em todas as suas possibilidades de expressão e enunciação – estará no centro da programação do evento que abre o calendário audiovisual brasileiro na cidade histórica mineira. Um convite a pensar os corpos que mobilizam mundos e imaginários, que revelam energia vital e estética, que não aceitam a ordem das coisas ou lidam com essa ordem de maneira pouco conciliatória.

Em diálogo com a temática, o Troféu Barroco desta edição é para a atriz, dramaturga e diretora mineira Grace Passô, homenageada que imprime sua força, talento e autenticidade nas artes. Uma criadora que inventa vidas e presenças. Profissional consagrada no teatro e em ascensão no cinema. Uma mulher de todos os tempos, de todos os palcos.

Extensão fundamental da programação de filmes na Mostra de Cinema de Tiradentes, o 22º Seminário do Cinema Brasileiro conta com a participação de 86 profissionais no centro de 36 debates – críticos, jornalistas, pesquisadores, profissionais do audiovisual e seis convidados internacionais, junto com as equipes de filmes e espectadores, ampliando as ideias e olhares sobre os filmes em exibição. Centraliza encontros de realizadores, polariza importantes atividades culturais, desvenda novos mundos diante dos nossos olhos.

Nem só de cinema é feita a Mostra de Cinema de Tiradentes. O evento amplia o caráter de resistência e inovação para além das telas, em uma agenda ampla, plural e totalmente gratuita. Dela participam alguns dos artistas independentes que mais têm se destacado na cena nacional, ao explorar uma voz autoral, capaz de colocar em diálogo questões políticas, sociais, estéticas, comportamentais e filosóficas.

Exposições, cortejos, teatro de rua, performances e várias intervenções artísticas ao longo da programação prometem fazer de Tiradentes a capital nacional da cultura. O coletivo #eufaçoaMOSTRA estará na produção de conteúdos audiovisuais interativos e instantâneos, e no Sesc Cine-Lounge, o espaço de encontros com a arte, o diálogo entre cinema e música, atrações artísticas.

Em nove dias de evento, a cidade recebe completa infraestrutura para sediar a programação cultural, que reúne todas as manifestações das artes. São instalados quatro espaços de exibição: o Cine-Praça, no Largo das Forras; o Complexo de Tendas, que sedia a instalação do Cine-Tenda e o Sesc Cine-Lounge; e o Cine-Teatro Sesi, que funciona no Centro Cultural Sesiminas Yves Alves.

No percurso de sua história, a Mostra já beneficiou um público estimado em 719 mil pessoas. Proporcionou o acesso gratuito e democrático aos bens culturais com a oferta de uma programação que reúne ações de formação, reflexão, exibição e difusão. O evento já exibiu 2.646 filmes em 921 sessões de cinema, promoveu 221 oficinas e 6.434 alunos certificados, 21 seminários, 27 cortejos, 45 exposições temáticas, 68 espetáculos de rua, 169 shows e performances musicais. Recebeu 8.024 convidados – autoridades, cineastas, produtores, atores, críticos de cinema e profissionais do audiovisual. A imprensa foi representada por 1.557 profissionais de jornais, televisões, rádios e internet de todo o Brasil.

Realizar este empreendimento cultural ousado e inovador numa cidade de apenas sete mil habitantes requer compromisso, responsabilidades e ações compartilhadas com os Governos Municipal, Estadual e Federal, empresas públicas e privadas, profissionais do audiovisual e da cultura, imprensa, lideranças, turistas, comunidade e público em geral. Aos patrocinadores e parceiros desta edição, que investem e acreditam que a soma de esforços potencializa e contribui para o desenvolvimento econômico e a construção da cidadania em seus mais significados conceitos e efeitos multiplicadores, nossa gratidão.

 CULTURA, UM BOM NEGÓCIO

A indústria do entretenimento é a que mais cresce no mundo.
A que escreve, conta e faz história.
Eterniza o presente, lança o futuro.
Registra momentos, projeta ideias, faz emocionar.

O setor audiovisual é um dos que mais cresce na economia do país. Cresceu a uma taxa média anual de 9,3% nos últimos anos – média muito acima do crescimento geral da economia. As atividades culturais e criativas já representam 2,6% do PIB brasileiro.

Impressionantes também são os dados revelados recentemente pela Fundação Getúlio Vargas, quanto ao impacto econômico da Lei Rouanet em seus 27 anos de história. Os dados mostram que a Lei é benéfica à sociedade e seu impacto reverbera em 68 atividades econômicas diferentes, do transporte ao turismo, do setor alimentício às finanças. Ela representa apenas 0,3% da renúncia fiscal da União e oferece 400% de retorno e incremento para a cadeia produtiva.

Em quase três décadas de Lei, cada real captado e executado via Lei Rouanet, ou seja, R$ 1,00 de renúncia em imposto, gerou em média R$ 1,59 na economia local. Ou seja, a economia criativa incentivada pela Lei Rouanet gerou, na ponta final, recurso 59% maior em relação ao que foi investido. Em outras palavras, o incentivo à cultura gerou riquezas à sociedade, não custos.

E mais. Entre 1993 e 2018, a Lei gerou R$ 31,22 bilhões em renúncia fiscal, em valores reais corrigidos pelo IPCA. Esses R$ 31,22 bilhões não só retornaram à economia brasileira como geraram outros R$ 18,56 bilhões. No total, o impacto econômico da Lei foi de R$ 49,78 bilhões.

As 251 mil empresas do segmento cultural criam um milhão de empregos diretos e geram mais de R$ 10,5 bilhões em impostos diretos.

Os dados não deixam dúvidas. A cultura é um bom negócio, além de ser um segmento estratégico de desenvolvimento de todas as nações. Só a Mostra de Cinema de Tiradentes gera anualmente mais de 2.000 empregos diretos e indiretos, contrata mais de 250 empresas mineiras e projeta o cinema produzido no Brasil mundo afora.

É instrumento de transformação social. Beneficia milhares de pessoas e está ao alcance de todos.

Esta Mostra está viva e hoje é realidade porque existe quem acredita e tem compromisso com a cultura, quem investe, quem trabalha, quem marca presença, quem aplaude, acontece e faz. Existe por vocês.

Seja bem-vindo!

O cinema é um dos mais pungentes e vivos retratos de uma cultura e da sua diversidade.

Raquel Hallak d’Angelo
Quintino Vargas Neto
Fernanda Hallak d’Angelo
Diretores da Universo Produção
Coordenadores da Mostra de Cinema de Tiradentes