23ª MOSTRA TIRADENTES PRESTA HOMENAGEM AOS ATORES ANTÔNIO E CAMILA PITANGA

Camila e Antônio Pitanga - Homenageados da 23ª Mostra Tiradentes
Crédito: Leo Lara/ Universo Produção

A partir da temática "A Imaginação Como Potência", a 23a Mostra de Cinema de Tiradentes homenageia esse ano os atores Antônio e Camila Pitanga. Pai e filha, homem e mulher, negro e negra, 80 e 42 anos. Ícones de seus próprios tempos, por motivos e trajetórias distintas, Antônio e Camila emulam em seus corpos e suas posturas a brasilidade mais original e singular, o talento e a presença de quem vivencia as contradições do país por dentro. Para Francis Vogner dos Reis, “homenagear os dois juntos é afirmar não só suas trajetórias, mas também reconhecer suas diferenças – criativa, simbólica e política”.

Entre a centralidade de Antônio Pitanga na revolução do Cinema Novo, entre o final dos anos 1950 e meados dos anos 1970, e a constância de Camila Pitanga no imaginário da TV e do cinema nas últimas duas décadas, estão a diversidade e a força de duas formas de trabalhar e mapear uma história do audiovisual brasileiro que atravessa ambos.

Pitanga, o pai, nasceu em 1939 em Salvador. Fez teatro e cinema desde muito jovem e estreou nas telas em 1960 com “Bahia de Todos os Santos”, de Trigueirinho Neto. Seguiu numa série de filmes marcantes que remodelaram todo um jeito de fazer cinema no Brasil: “A Grande Feira” (Roberto Pires, 1961), “O Pagador de Promessas” (Anselmo Duarte, 1962), “Barravento” (Glauber Rocha, 1962), “Ganga Zumba” (Carlos Diegues, 1963), “Os Fuzis” (1964) e por aí adiante.

“Quando ele surge, sua presença impõe uma energia e radicalidade de gestos que destoavam do ritmo mais lento e calculado de atores até então em voga”, afirma Francis. “A liberdade dos personagens de Pitanga era plena e na contramão do mundo. Entre os heróis do Cinema Novo, ele era o único que de fato preconizava uma liberdade à revelia da violência cerceadora do mundo ao qual os filmes se referiam”.

Para o curador, essa liberdade aparecia no corpo, com os personagens de Pitanga constantemente se insurgindo contra a violência do presente, porque atento às circunstâncias, e do futuro, porque revolucionário. “Em Antônio Pitanga, essas temporalidades coexistem”, define Francis.

Pitanga, a filha, nasceu em 1977 no Rio de Janeiro. Estreou nos cinemas ainda criança, junto com o irmão Rocco, num filme emblemático: “Quilombo” (1984), de Carlos Diegues, que marcou época por reunir um histórico elenco negro que incluía Grande Otelo, Zezé Motta, Antonio Pompêo, Tony Tornado, Léa Garcia, Milton Gonçalves, Zózimo Bulbul e Antônio, pai de Camila.

Dali adiante, a trajetória cinematográfica de Camila Pitanga transitou por praticamente todos os tipos de filmes realizados do Brasil desde a Retomada nos anos 1990: infantil (“Super Colosso”, Luiz Ferré, 1995), comédia derivada da TV (“Caramuru – A Invenção do Brasil”, Guel Arraes, 2001), drama histórico (“O Preço da Paz”, Paulo Morelli, 2003), aventura social (“Redentor”, Cláudio Torres, 2004), radicalismo (“O Signo do Caos”, Rogério Sganzerla, 2004), melodrama criminal (“Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios”, Beto Brant, 2011) e documentário, filmando justamente a trajetória do pai, em “Pitanga” (2017, codireção de Beto Brant).

Integram a Mostra Homenagem a pré-estreia mundial "Os Escravos de Jó", de Rosemberg Cariry, que conta com Antônio Pitanga no elenco; "Na boca do mundo" (1978), com direção e atuação de Antônio,   "Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios" (2011), de Beto Brant, com Camila Pitanga; e "Pitanga" (2016), dirigido por Camila sobre a trajetória e carreira do pai.