“A IMAGINAÇÃO COMO POTÊNCIA” É O TEMA CENTRAL DA 23ª MOSTRA TIRADENTES

A força da imaginação é o norte eleito da 23a Mostra de Cinema de Tiradentes,  a que  permite que algum futuro seja vislumbrado mesmo diante de um presente saqueado pelo conservadorismo e pela legitimação da intolerância. Uma solução, portanto, é ser propositivo diante de um cenário incerto, é olhar adiante e enxergar na arte e na criação os caminhos possíveis para novos rumos. A temática da Mostra este ano segue por essa via: “A imaginação como potência”.

A Mostra será realizada entre os dias 24 de janeiro e 1o de fevereiro, na cidade histórica mineira. A curadoria, sob coordenação do crítico Francis Vogner dos Reis, propôs essa temática para reforçar que, mesmo numa época de dúvidas, o cinema brasileiro vive um momento de absoluta efervescência criativa e de recepção. “O que emerge na atual produção no país é o desejo de interpretar nossa experiência hoje, de projetar caminhos possíveis, de provocar imagens que nos remetam a uma perspectiva sobre o passado tendo em vista não só um olhar original sobre fraturas sociais e políticas, mas também uma superação destas num desejo de futuro”, destaca Francis. “Existem filmes, documentários e ficções, que olham o presente e colocam as coisas em termos históricos, atentando para o mundo como ele é e se questionando como ele poderia ser”.

Mas como o cinema pode ser esse ambiente de preservação de um futuro sabotado? Ora, ficções e documentários, seja em curta, média ou longa-metragem, têm sido espaço para o testemunho e registro da ação política do presente, reconfigurando formas de olhar e de abordar o que está diante da câmera. “Os filmes imaginam outros mundos, outras possibilidades de existência, permitem ver o real transfigurado para além do fatalismo que a mediocridade política insiste em apontar como a única realidade possível”, exalta o coordenador curatorial. “Como arte, o cinema é capaz de inverter as lógicas sociais e de linguagem, de contrapor a beleza à barbárie, a provocação à conciliação. O cinema pode forçar a imaginação nos seus limites”.