EM PRIMEIRO DIA DE DEBATES DAS MOSTRAS AURORA E FOCO, REALIZADORES DISCUTEM FASCÍNIOS, DRAMAS E MEDOS

Intimismo de produções de baixo orçamento e a interferência das vidas pessoais na feitura dos filmes foram alguns dos temas discutidos nos bate-papos desta terça

A terça-feira na 22a Mostra de Cinema de Tiradentes (22) marcou o início dos Encontros com os Filmes das seções Aurora e Foco, que tiveram suas primeiras exibições na noite anterior. Com casa cheia, foram realizados, no Cine-Teatro Sesi, debates sobre os longas-metragens “Superpina – Gostoso é quando a gente faz!” (Mostra Olhos Livres); e “Seus Ossos e seus Olhos” (Mostra Aurora), além da conversa sobre os curtas-metragens “Tea for Two”, “O Bando Sagrado”, “Um Ensaio sobre a Ausência” e “Onze Minutos”. No cara a cara com os filmes, os participantes e convidados levantaram questões sobre formas de produção, escolhas estéticas e representatividade de olhares.

Ao falar sobre “Seus Ossos e Seus Olhos”, segundo longa-metragem de Caetano Gotardo e concorrente na Mostra Aurora, o crítico Pablo Gonçalo disse que o filme “convida o espectador a uma fabulação por meio de cenas que não apresentam ação, mas relatos alusivos”. Essas cenas, apesar de certo caráter celebratório do encontro e da palavra, não se completam nos encontros que registram. Pablo apontou, com isso, uma incompletude de essência do filme. “É uma obra sobre a escuridão do mundo contemporâneo”, afirmou, em relação ao imobilismo paralisante que ele percebe nas ações dos personagens.

Apesar de quase uma década alimentando o que viria a ser “Seus Ossos e Seus Olhos” (nesse tempo, Gotardo fez vários curtas-metragens e um longa), as filmagens duraram apenas oito dias. “O primeiro roteiro só ficou pronto duas semanas antes de filmar. Nem tivemos muito tempo para ensaios, o que é uma pena, porque adoro esse processo. O trabalho com os atores acabou sendo muito rápido, mais do que eu costumo fazer, mas foi também muito tranquilo e intimista”.

Intimismo foi elemento-chave ainda em “Superpina”, sobre o qual o crítico Fábio Feldman apontou um contraponto entre o capitalismo, simbolizado pelo ambiente do supermercado onde parte da ação se passa, e o desbunde onírico dos personagens, em cenas de farra e orgias. Para o diretor Jean Santos, esse desbunde tinha a ver com o caráter musical que lhe inspirou a escrita do roteiro – inicialmente para um curta, depois, numa expansão do projeto, para um longa.

Também da intimidade vieram todos os curtas da série I da Mostra Foco. Mesmo um melodrama como “Tea for Two”, de Julia Katharine, partiu do fascínio da atriz e diretora com o cinema americano clássico. “Eu queria fazer uma comédia romântica, mas entrei em desespero (com problemas de elenco na pré-produção) e resolvi mudar a história”, disse. Katherine foi ganhadora do Troféu Helena Ignez em 2018 na Mostra Aurora, por sua participação no longa “Lembro mais dos Corvos”, de Gustavo Vinagre.

Os outros três curtas se basearam em vivências de seus realizadores e de afetos de suas intimidades, desde o fascínio pela pornografia assumido por Breno Baptista em “O Bando Sagrado”, passando pela relação paternal de David Aynan, colocada na cena de “Um Ensaio sobre a Ausência” e chegando ao medo transfigurado em horror, como Hilda Lopes Pontes faz em “Onze Minutos”.

CLIMA

A programação do dia também contou com a exibição de filmes nas mostras Corpos Adiante, Olhos Livres e Aurora, além da estréia da Mostra Panorama, que trouxe quatro curtas para o Cine-Tenda. Ali ao lado, no Sesc Cine-Lounge, a roda de conversa “Diversidade no curta brasileiro” reuniu as diretoras Denise Klein (Lui), Julia Katharine (Tea for two) e Yasmin Guimarães (Peixe) e o diretor Felipe Santo (Lua Maldita), mediados por Pedro Maciel.

Mais cedo, um momento marcante: um grupo de 14 estudantes da Apae visitou a exposição montada no Largo das Forras. Ao lado da equipe de educadores, eles conferiram os painéis, que retratam os estudantes e o trabalho realizado pela instituição. A exposição integra a Mostra Valores, que, este ano, elegeu a Apae Tiradentes como protagonista. A iniciativa, idealizada pela Universo Produção, tem como propósito dialogar e valorizar ações, projetos e comunidades locais das cidades-sedes de Tiradentes, Ouro Preto e Belo Horizonte no âmbito do Cinema Sem Fronteiras – programa internacional de audiovisual. Também está inserido no contexto do evento a Campanha de Doação, visando somar esforços para a manutenção e atendimento da Apae.

Serviço
 22ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES | 18 a 26 de janeiro de 2019

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA

Patrocínio:  TAESA, KINEA/Itaú, CSN, CBMM, CEMIG, COPASA|GOVERNO DE MINAS GERAIS

Parceria Cultural: SESC em Minas

Fomento: CODEMGE|GOVERNO DE MINAS GERAIS

Apoio: ACADEMIA INTERNACIONAL DE CINEMA, SESI FIEMG, OI, INSTITUTO UNIVERSO CULTURAL, TRES, WALS CERVEJA ARTE, MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES, SENAC, CINEMA DO BRASIL, DOT, MISTIKA, CTAV, NAYMAR, CINECOLOR, GLOBO MINAS, CANAL BRASIL, EMBAIXADA DA FRANÇA, ETC FILMES, NOVA ERA SILICON, POLÍCIA MILITAR, PREFEITURA DE TIRADENTE E CENTRO CULTURAL AIMORÉS.

Incentivo: SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA| MINAS GERAIS

Idealização e realização: UNIVERSO PRODUÇÃO

MINISTÉRIO DA CIDADANIA | GOVERNO FEDERAL

LOCAIS DE REALIZAÇÃO DO EVENTO 

Centro Cultural Sesiminas Yves Alves   

Largo das Fôrras 

Largo da Rodoviária

Escola Estadual Basílio da Gama