Empregos precarizados e falta de trabalho foram centro de discussões sobre filmes em Tiradentes nesta sexta-feira

O trabalho, suas contradições e constante processo de precarização apareceram com intensidade nos Encontros com os Filmes desta sexta-feira (dia 31) na Mostra de Tiradentes. A programação de longas da noite anterior contou as exibições de “Pão e Gente”, de Renan Rovida, e “Mascarados”, de Marcela Borela e Henrique Borela. Ambas produções tratam de personagens às voltas com o ambiente do trabalho ou da falta de emprego, sempre com viés crítico e contundente. 

A temática já tinha aparecido forte em outro filme, “Ontem Havia Coisas Estranhas no Céu”, de Bruno Risas, que mostra a família do diretor numa situação de incerteza social e profissional. “Falar de emprego é fundamental em um país onde milhões de pessoas estão desempregadas ou trabalhando informalmente”, destacou Renan Rovida. Ele contou a origem do projeto de “Pão e Gente”, feito a partir de um incentivo de R$ 40 mil, divididos entre uma peça de teatro e um filme, ambos adaptando, bastante livremente, o texto “A Padaria”, do dramaturgo Bertold Brecht. Apesar do pouco dinheiro, ele conseguiu reunir os parceiros de ofício e desenvolver os dois processos.

O período de feitura de “Pão e Gente” coincidiu com dificuldades pessoais de Renan, inclusive de emprego. “Eu e minha companheira fizemos esse filme na condição de desempregados naquele momento, então é muito sobre a gente também, não é só sobre um grupo qualquer de personagens”, revelou ele. Renan apontou que o filme nasce das provocações e estímulos surgidos de seu longa anterior, “Sem Raiz”, que esteve na Mostra Aurora em Tiradentes no ano de 2017. “E o ‘Sem Raiz’ surgiu das reflexões a partir de um curta meu, ‘Coice’, que também veio em relação a um outro filme que fiz antes. Então é um fio que vai sendo puxado”.

No caso de “Mascarados”, a abordagem é menos alegórica que a de “Pão e Gente”, mas igualmente direta na questão de retratar um grupo de personagens às voltas com as ilusões e desilusões de pessoas exploradas profissionalmente por figuras de poder financeiro superior. No filme, Henrique e Marcela Borela acompanham o dia a dia de homens numa pedreira em Pirenópolis (GO), desde a rotina dura de trabalho, os momentos de descanso e diversão, os preconceitos, estigmas e o descaso de patrões que, num primeiro sinal de crise, demitem dezenas de trabalhadores e os deixam à deriva.

“Quando a gente fala do trabalhador no cinema contemporâneo, tendemos a uma ritualização do trabalho que ele exerce. Acho que ‘Mascarados’ toma o caminho o contrário”, destacou o crítico João Pedro Faro, em comentário sobre o filme. Perguntado sobre os limites entre criação e registro na dramaturgia, o diretor Henrique Borela disse que chegaram à região com desejo de documentar, mas naturalmente a ficção impregnou o processo e logo ele e Marcela desenvolveram um drama que abarcasse aqueles personagens. “A ficção passou a nos atravessar”, afirmou. Daí as elipses, os não-ditos, as situações incompletas do filme. 

Marcela Borela frisou que, apesar de o filme insinuar a reação de um dos trabalhadores à situação precária na qual ele foi colocado, a opção do roteiro foi não filmar algum ato específico de violência. “Mascarados” tem no elenco Aristides de Sousa, que foi protagonista de “Arábia”, filme de Affonso Uchôa e João Dumans exibido na Mostra em 2018.

 

SOBRE A MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES


Maior evento dedicado ao cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão realizado no país. Apresenta, exibe e debate, em edições anuais, o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira, em pré-estreias nacionais, de longas e curtas – uma trajetória rica e abrangente que ocupa lugar de destaque no centro da história do audiovisual e no circuito de festivais realizados no Brasil.

Trata-se de um programa audiovisual que reúne todas as manifestações da arte numa programação cultural abrangente oferecida gratuitamente ao público que prevê a exibição de mais de 100 filmes brasileiros em pré-estreias nacionais, mais de 40 sessões de cinema, homenagens, oficinas, debates, seminário, mostrinha de cinema, exposições, lançamento de livros, teatro de rua, shows musicais, performance audiovisual, encontros e diálogos audiovisuais e  atrações artísticas. 

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 23ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES | 24 de janeiro a 1o de fevereiro de 2020

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