MOSTRA AURORA TEM SESSÃO DUPLA NESTA SEXTA EM TIRADENTES

A sexta-feira, penúltimo dia da 21a Mostra de Cinema de Tiradentes, reserva muitas atividades para o público. A primeira delas acontece às 10h, com os Encontros com os Filmes, debatendo “Platamama”, com o crítico convidado Daniel Oliveira; “Dias Vazios”, com Fabrício Cordeiro; e “Baixo Centro”, com Luciana Veras.

Às 15h, a temática Chamado Realista, volta à tona no Cine-Tenda, com a exibição de “Operações de Garantia da Lei e da Ordem”, de Julia Murat e Miguel Antunes Ramos, seguido de bate-papo com a diretora, mediado pelo curador Cléber Eduardo. Na Mostra Olhos Livres, passa “Antes do Fim”, novo trabalho de Cristiano Burlan, protagonizado por Helena Ignez e Jean-Claude Bernardet, às 18h, no Cine-Tenda. E concluindo a Aurora em 2018, tem dobradinha: às 20h, “Lembro Mais dos Corvos”, e às 22h30, “Rebento”, de André Morais.

A programação de filmes da sexta-feira ainda tem os curtas da Mostra Panorama 5, que exibe “Superpina”, de Jean Santos, “A Rotação da Terra”, de Matheus Sundfeld, e “Ponte Velha”, de Victor de Melo, às 16h30 no Cine-Tenda; e, às 21h, no Cine BNDES na Praça, o documentário “Por Parte de Pai”, de Guiomar Ramos.

A Cia. do Liquidificador faz duas intervenções nesta sexta, às 15h e às 18h, ambas no Cine BNDES na Praça. Às 19h30, será a vez do Suaveciclo. À 0h30, no Sesc Cine Lounge, o Trivial Trio se apresenta dentro da programação artística realizada em parceria cultural com o Sesc.

ÚLTIMO DIA

O encerramento da 21a Mostra de Tiradentes será na noite de sábado, a partir das 20h, com a exibição do longa-metragem “A Moça do Calendário”, no Cine-Tenda. O novo trabalho dirigido por Helena Ignez tem roteiro de Rogério Sganzerla e conta a história de Inácio, ex-gari que trabalha como dublê de dançarino e mecânico da oficina Barato da Pesada. Diariamente ele sonha com a moça do calendário, até não saber mais diferenciar os devaneios e a realidade.

Logo em seguida ao filme, às 22h30, no Cine-Tenda, acontece a cerimônia oficial de encerramento, com anúncio dos vencedores eleitos pelo Júri da Crítica, Júri Jovem e Júri Popular e entrega do Troféu Barroco.

Mas, antes do fechamento, a Mostra tem um sábado agitado de atrações. A partir das 10h, acontecem os últimos Encontros com os Filmes deste ano, discutindo “Antes do Fim”, com a presença da crítica Luciana Corrêa de Araújo; “Lembro Mais dos Corvos”, com Denilson Lopes; e “Rebento”, com Ela Bittencourt – participam também dos encontros os diretores e equipe dos respectivos filmes.

Um bate-papo de balanço da programação e dos filmes apresentados no evento acontece às 15h, na mesa “Chamado Realista: Cinema brasileiro contemporâneo”. Os críticos Raul Arthuso, Luiz Carlos Merten e Cecília Barroso falam sobre as principais questões formais levantadas pelos longas e curtas este ano e de que maneira as abordagens de seus universos se distinguem entre si e no atual cenário de realização. A mediação será do curador Francis Vogner dos Reis.

A Mostrinha de Cinema entra em cartaz às 10h30, com a exibição de cinco curtas. À tarde, às 15h, tem a Sessão Jovem no Cine-Tenda, com três curtas: “Secundas”, de Cacá Nazario, “Na Esquina da Minha Rua Favorita com a Tua”, de Alice Name-Bomtempo, e “Desfragmento”, de Helena Lukianski e Giuliana Heberle. Dedicada a novos realizadores, a Mostra Formação 2, às 18h no Cine-Teatro Sesi, reúne “Meu Nome é Coraci”, de Adan Sousa, “Regresso”, de Rafael Dornellas, “Raiz”, de Andressa Matias Carvalho, e “Ainda Não”, de Júlia Leite.

No fim da tarde, a mostra Chamado Realista se conclui com programação dupla e complementar. Às 18h, no Cine-Tenda, tem a exibição do longa “Nóis por Nóis”, de Aly Muritiba e Jandir Santin, que trata dos movimentos culturais na periferia de Curitiba. Logo após a sessão, às 20h, no Sesc Cine-Lounge, o diretor Jandir Santin e a atriz Ma Ry participam de um bate-papo com o público sobre “Realismo e dramaturgia: como construir uma nova imagem da juventude periférica”. Realizada numa parceria cultural com o Sesc, a conversa pretende discutir as relações entre processo de criação e a contribuição criativa dos jovens atores que compõem o elenco do filme.

No Cine BNDES na Praça, às 20h, o evento promove a Mostra Valores, com a exibição do curta “Descubra #Tiradentes300anos”, produzido pela Universo Produção com participação de moradores, turistas e público em geral sobre o aniversário da cidade. Às 20h30, a programação na praça se encerra com o documentário “Torquato Neto – Todas as Horas do Fim”, de Eduardo Ades e Marcus Fernando, em que a trajetória do poeta piauiense é recontada por alguns de seus amigos mais próximos.

RETROSPECTIVA: VÁRIOS REALISMOS

No bate-papo de quinta-feira sobre a presença do Chamado Realista na cinematografia latino-americana, o crítico argentino Roger Koza pontuou que uma grande diferença da produção independente de seu país em relação à brasileira é a de que, aqui, as questões de cunho político e social aparecem com muito mais força. “O cinema argentino vive numa realidade paralela. A realidade social forte aparece pouco nas ficções, que se atentam muito mais às intimidades”, disse.

Ele não vê paralelos, por exemplo, com um filme como “Baronesa”, de Juliana Antunes, premiado em 2017 na Mostra Aurora, em Tiradentes. “Não é um trabalho que apresenta uma mimese já conhecida ou de algum assunto que já sabemos. Ele propõe outras formas de relação com o realismo”.

O programador chileno Raúl Camargo seguiu linha semelhante, frisando que nem sempre um filme pensado para atingir uma fatia determinada de público alcança suas ambições. Perguntado se é possível um “discurso universal” que amplie o acesso de determinados títulos a um público maior, Camargo afirmou: “É preciso pensar no filme, acima de tudo. Se você pensa-o massivamente, isso pode se tornar perigoso”. A mexicana Andrea Stavenhagen, do Festival de San Sebastián, chamou atenção para a importância de se olhar também para o passado ao se tratar das urgências do presente: “No México temos muitos diretores preocupados em entender os acontecimentos do país e buscam muito material no passado, inclusive por materiais de arquivo”.

Nos Encontros com os Filmes, na manhã de quinta-feira, o debate sobre o longa-metragem “Ara Pyau – A Primavera Guarani” teve discussões acaloradas com o diretor Carlos Eduardo Magalhães. “Trabalhamos com o cinema de urgência, por isso às vezes o tema acaba sobressaindo em relação às questões cinematográficas. Esse filme é uma encomenda dos índios Guarani. Perguntei pra eles que tipo de filmes eles queriam fazer”, contou o cineasta.

Questionado sobre alguns aspectos estéticos e de sua própria posição como homem branco diante do material que filmou, Carlos Eduardo disse: “Tive um certo deslumbramento, sim. Eu filmei do jeito que fui acolhido pelos guaranis e procuro trazer a realidade desse meu encontro através da filmagem. O que tentei fazer foi junto à eles mesmos”.

TODA PROGRAMAÇÃO É OFERECIDA GRATUITAMENTE AO PÚBLICO.

Foto: 
Jackson Romanelli/Universo Produção