Mostra de Cinema de Tiradentes promove debates sobre a produção brasileira nesta terça

A programação da 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes segue intensa nesta terça, 23 de janeiro. A partir das 10h, no Cine-Teatro Sesi, o Encontro com os Filmes promove o debate sobre “Inaudito”, que integra a Mostra Olhos Livres. Participam da conversa o diretor Gregorio Gananian e o crítico Fabian Cantieri, mediados pela curadora Camila Vieira. Às 11h15, a discussão girará em torno de “Madrigal para um poeta vivo”, que compete na Mostra Aurora. Os diretores Adriana Barbosa e Bruno Mello Castanho e a crítica Laís Ferreira serão mediados pelo crítico Marcelo Miranda. Ele também será responsável por conduzir o debate sobre os filmes da Mostra Foco, que será realizado a partir das 12h30, no mesmo local.

Abre a programação de filmes o longa “Apto420”, de Dellani Lima, às 15h, no Cine-Teatro Sesi, como parte da Mostra Chamado Realista. Logo em seguida, o diretor participa de um bate-papo com o público, sob mediação do curador Cléber Eduardo. Integrando a mesma Mostra, a outra sessão, às 16h30, no Cine-Tenda, reúne quatro curtas-metragens: “Mamata”, de Marcus Curvelo, “Peripatético”, de Jessica Queiroz, “Borá”, de Angelo Defanti, e “Universo Preto Paralelo”, de Rubens Passaro.

Na Mostra Olhos Livres, “Navios de Terra”, de Simone Cortezão, passa às 18h, no Cine-Tenda. Já a Mostra Aurora, às 20h, terá a projeção de “Imo”, de Bruna Schelb Corrêa, dando seguimento às suas seções competitivas em Tiradentes.

No Cine BNDES na Praça, às 21h, quatro títulos de curta-metragem: “Carneiro de Ouro”, de Dácia Ibiapina, “Quem Perdeu o Telhado em Troca Recebe as Estrelas”, de Henrique Zanoni, “Nova Iorque”, de Leo Tabosa, e “Você Conhece Derréis?”, de Veruza Guedes. Mais curtas seguem noite adentro, às 22h30, com a segunda série da Mostra Foco, que reúne “Calma”, de Rafael Simões, “Sr. Raposo”, de Daniel Nolasco, e “A Retirada para um Coração Bruto”, de Marco Antônio Pereira.

Na roda de conversa, o tema será “A mulher negra na direção de cinema no Brasil”, com Ana Julia Travia, diretora do curta “Outras” (Mostra Foco) e Bárbara Maia, diretora do curta “Pele de Monstro” (Mostra Praça); mediação do crítico de cinema Juliano Gomes. O encontro acontece às 21h, no Sesc Cine-Lounge, e será seguido da performance artística do coletivo Negras Autoras.

PROGRAMAÇÃO DE QUARTA-FEIRA, 24

Na quarta-feira, dia 24, a Mostra de Cinema de Tiradentes, vai reunir dois convidados internacionais para o debate “Um olhar sobre o cinema brasileiro”, no Cine-Teatro Sesi.  A cada edição, a Mostra recebe profissionais internacionais do audiovisual com objetivo de apresentar a eles a produção contemporânea do país.

Na quarta-feira, estarão presentes no evento o russo Boris Nelepo, crítico, programador e curador, e o chileno Erick González, delegado geral do Centro de Cine Y Creación e diretor do AustraLab – FICValdivia. Eles se reúnem às 15h30, com mediação de Leila Bourdoukan (gerente executiva do programa Cinema do Brasil). O encontro tem o objetivo de levantar questões como: quais as possibilidades e ações de cooperação para difundir a produção brasileira no mercado exterior? Quais as perspectivas do setor audiovisual para 2018? De que forma o cinema brasileiro aparece em outros festivais e em outros países? Que tipo de recorte chega aos olhares estrangeiros?

Na quinta, uma nova rodada de conversa trará o olhar estrangeiro sobre a produção audiovisual brasileira, com a participação de convidados internacionais.

Ainda no Seminário, pela manhã, seguem os Encontros com os Filmes, sempre reunindo profissionais do audiovisual e realizadores dos títulos apresentados no dia anterior. A partir das 10h, serão debatidos os longas-metragens “Navios de Terra” (com a crítica convidada Cecília Barroso), “Imo” (com a presença de Glênis Cardoso) e os curtas da Foco 2.

O trabalho de cineastas em início de carreira ganha visibilidade a partir das 17h30, no Cine-Teatro Sesi, com o início da programação da Mostra Formação. Estão na sessão: “Super Estrela Prateada”, de Leonardo Branco, “Latossolo”, de Michel Santos, “O Homem do Saco”, de Christian Savi e Luiz Fernando Coutinho de Oliveira, e “Maria Adelaide”, de Catarina Almeida.

O dia segue com as demais mostras no Cine-Tenda. Na Olhos Livres, será apresentado, às 17h30, o longa “O Nó do Diabo”, com direção coletiva de Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé e Jhesus Tribuzi. Em seguida, às 19h45, pela Aurora, será a vez de “Ara Pyau – A Primavera Guarani”, de Carlos Eduardo Magalhães. E a mostra Foco se conclui com três curtas-metragens, às 22h30: “Febre”, de João Marcos de Almeida e Sérgio Silva, “Fantasia de Índio”, de Manuela Andrade, e “Inconfissões”, de Ana Galizia.

O Cine BNDES na Praça também vai reunir diversos curtas-metragens, às 21h: “Leona Assassina Vingativa 4”, de André Antônio e Paulo Colucci; “De Tanto Olhar o Céu Gastei meus Olhos”, de Nathalia Tereza; “O Quebra-cabeça de Sara”, de Allan Ribeiro; e “Flecha Dourada”, de Cíntia Domit Bittar.

À meia-noite, no Sesc Cine-Lounge, tem show de Nina Becker. A cantora e compositora, que lançou os álbuns “Vermelho e Azul” e “Minha Dolores”, vai apresentar composições destes trabalhos e de seu novo disco, “Acrílico” (2017), com músicas inspiradas na Bossa Nova.

RETROSPECTIVA: POSTURAS DO REALISMO

Na segunda-feira, a discussão conceitual do Chamado Realista ficou em torno da “Questão de enfoque, de materiais e de postura”, com o debate da tarde lotando o auditório do Cine-Teatro Sesi. Na mesa, os diretores Affonso Uchôa e Adirley Queirós e a pesquisadora Patrícia Machado falaram sobre métodos de trabalho e uso de materiais de pesquisa na realização de produções audiovisuais que tenham elementos do real como parte preponderante de suas inquietações estéticas.

“Não sei se nós, cineastas, precisamos explicar direitinho tudo aquilo que construímos nos filmes. O chamado realista, pra mim, é um chamado pra aventura, é convidar o espectador a essa viagem”, disse Adirley, que está no evento com “Era uma Vez Brasília”. Completa o diretor: “Precisamos reconstruir as nossas memórias a partir do lugar que nos resta. Podemos ser poderosos nos nossos próprios espaços”. Para Affonso Uchôa, codiretor de “Arábia”, o interesse está em encontrar na realidade os mecanismos de ficção, criação e imaginação que podem ser interessantes na modulação de novas formas de contar as histórias.

Patrícia Machado, que trabalha na compreensão de imagens de arquivo, falou dos desafios de extrair novos sentidos de registros já muito desgastados e conhecidos, sob o risco da banalização. “É preciso estar atento às maneiras de se buscar e se reapropriar das imagens colocadas à disposição do cinema”, destacou.

A atenção à memória e aos elementos do passado apareceu com intensidade no bate-papo sobre o longa-metragem “Bandeira de Retalhos”, de Sérgio Ricardo. O veterano diretor, de 85 anos, relembrou o período em que foi morar no Morro do Vidigal, nos anos 1970, e participou de um movimento de resistência à tentativa do governo carioca de desapropriar o local da comunidade.

Para Sérgio, “o cinema, para ter importância, precisa ter relação com alguma comunidade, com algum grupo de pessoas. A arte tem função transformadora”, disse ele. Foram quase 40 anos desde a ideia de um filme que registrasse, pela ficção, a situação retratada em “Bandeira de Retalhos” até o encontro com o produtor Cavi Borges, que conseguiu viabilizar o projeto. A demora, ao menos, permitiu que o elenco do filme fosse composto por atores e atrizes do Vidigal, integrantes do Grupo Nós do Morro.

TODA PROGRAMAÇÃO É OFERECIDA GRATUITAMENTE AO PÚBLICO.

Foto: 
Beto Staino/ Universo Produção