PESQUISADORES DEFENDEM A IMAGINAÇÃO EXPRESSIVA COMO 
RESPOSTA À DESESPERANÇA SOCIAL E CULTURAL NO BRASIL DE HOJE

A temática da 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes voltou a ser assunto na mesa da tarde deste domingo (26), no Centro Cultural Sesiminas Yves Alves, no encontro "A imaginação como potência". Sob mediação do curador Francis Vogner dos Reis (SP), participaram o crítico Bernardo Oliveira (RJ) e as pesquisadoras Helena Vieira (CE) e Ivana Bentes (RJ). Ao longo das quase duas horas de bate-papo, foram levantadas ideias e provocações sobre a noção, trazida à edição deste ano pela curadoria, de que a imaginação pode ser o caminho para a criação de novas possibilidades de mundo diante das incertezas que se abatem atualmente no Brasil nos campos social, econômico e cultural.

"Espinosa, o filósofo, apontava que imaginação é efeito do fluxo fugidio da experiência", resumiu Bernardo Oliveira. "Estamos falando de novas formas de agir, perceber e sentir, e o cinema possui a sua potência. Se pensamos na ideia de conhecimento a partir da invenção do cinema, ele pode ampliar, pode expandir, a natureza da relação com o dispositivo cinematográfico".

O crítico lembrou de quando, no começo dos anos 2000, ele ministrou aulas de audiovisual a jovens moradores de periferias e comunidades do Rio de Janeiro. Na época, sua preocupação era que tipo de cinema seria feito pelos negros no Brasil do século 21. Hoje, ele vê em obras como as de André Novais Oliveira e Diego Paulino a predominância de possibilidades outras de expressão.

Em sua fala, Helena Vieira, também escritora e performer, rechaçou o conceito de esperança como saída para o impasse vivido no país com a ascensão ao poder de forças conservadoras. "Se tem uma palavra que pode caracterizar o nosso tempo, essa palavra é esgotamento. O sentimento desesperançoso ocupa a maior parte de tudo que vivemos hoje. Muitos dizem que devemos sentir esperança, mas eu não acredito nisso. Esperança é um sentimento triste, esperança é uma coisa completamente colonizada, os europeus é que têm esperança", provocou.

A pesquisadora indicou justamente a imaginação como um caminho importante para inventar um novo mundo e permitir formas de resistência, de luta, de expressão e de desejo por vida. "Quando dizemos que cinema e a cultura correm risco, significa que não convencemos ninguém de que essas coisas são necessárias para que a vida prossiga. E é nessa encruzilhada em que precisamos entender a imaginação como possibilidade", disse Helena.

A partir dessa ideia da imaginação como possibilidade, Helena levantou a pergunta: como é que nós podemos imaginar? "Como pensar aquilo que não foi pensado? Que exercício se pode fazer ou como apresentar ao mundo um mundo outro que não seja esse que estamos vivenciando? Estamos num mundo que desabou, ou, como dizem os ianomâmis, o céu está caindo".

Por sua vez, Ivana Bentes chamou atenção para a crise do simbólico na qual a sociedade estaria inserida no atual cenário brasileiro. "Vivemos numa crise provocada pela literalidade, por uma expansão do clichê mais rasteiro que vem do meme e que é entendido como literal", disse ela, lembrando da controvérsia do Queer Museu, quando um performer foi acusado de pedofilia. "Um adulto nu numa exposição tocado no tornozelo por uma criança logo se transforma em pornografia, numa expansão absurda dos clichês mais rasteiros".

Em 2020, os seis debates da programação vão abordar recortes variados da programação. A Mostra de Cinema de Tiradentes está consolidada não apenas como espaço de exibição do cinema brasileiro contemporâneo, mas também por ser um dos principais espaços de formação, discussão e reflexão da produção audiovisual no país.

FOTO: Netun Lima/Divulgação

SOBRE A MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES


Maior evento dedicado ao cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão realizado no país. Apresenta, exibe e debate, em edições anuais, o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira, em pré-estreias nacionais, de longas e curtas – uma trajetória rica e abrangente que ocupa lugar de destaque no centro da história do audiovisual e no circuito de festivais realizados no Brasil.

Trata-se de um programa audiovisual que reúne todas as manifestações da arte numa programação cultural abrangente oferecida gratuitamente ao público que prevê a exibição de mais de 100 filmes brasileiros em pré-estreias nacionais, mais de 40 sessões de cinema, homenagens, oficinas, debates, seminário, mostrinha de cinema, exposições, lançamento de livros, teatro de rua, shows musicais, performance audiovisual, encontros e diálogos audiovisuais e  atrações artísticas. 

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Serviço


 23ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES | 24 de janeiro a 1o de fevereiro de 2020

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Idealização e realização: UNIVERSO PRODUÇÃO

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