URGÊNCIAS DE NARRATIVAS E PRESENÇAS CONTRA-HEGEMÔNICAS 
NO AUDIOVISUAL E NA ARTE FERVILHAM EM FILMES E DEBATES NA 23ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

“Estamos diante do fim do mundo. E me interessa saber que novo mundo é esse que está surgindo.” A fala da pesquisadora e crítica Janaína Oliveira, no debate “Cosmopoéticas contra-hegemônicas” realizado na tarde de quinta-feira (dia 30) na Mostra de Tiradentes, ecoou o sentimento de mudança que impregna quem circula por filmes e debates no evento. Esse novo mundo ao qual se refere Janaína seria um mundo de mais diversidade, de mais presença do que as chamadas “maiorias hegemônicas” tendem a suprimir numa sociedade fincada no racismo, na opressão, na homofobia e no machismo.

Tais questões, urgentes cada vez mais – especialmente no atual cenário sócio-político brasileiro – se faz ver com intensidade nas telas e nas falas da Mostra. Um filme como “Perifericu”, do quarteto formado por Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira, mostrou com humor e contundência o que uma das diretoras chamou de “o dia a dia das LGBT na quebrada”. O filme foi realizado no Capão Redondo, em São Paulo, e mostra situações entre a crueza e a ternura de um imaginário tradicionalmente ausente das narrativas mais oficialescas dos “donos do discurso” no Brasil. 

A artista Castiel Vitorino Brasileiro, na mesa sobre as cosmopoéticas mediada pela curadora Tatiana Carvalho Costa, descreveu que, na elaboração de uma obra, ela reelabora a própria vida e isso a leva à proposição de outra imaginação. Para ela, é preciso que essa nova imaginação tome espaço, que “os cineastas morram”, no sentido de que os espaços surjam e se preencham por novos corpos e novos imaginários. “A questão aqui não é ser cineasta, e sim esse sujeito colonizador que se torna cineasta”, afirmou. “É preciso eu me compreender na minha singularidade, naquilo que eu sou, e isso está dentro de uma coletividade que me faz sujeito. Essa coletividade nos conecta”.

Para Janaína Oliveira, a própria ideia de “contra-hegemonia” ao se falar de cosmopoéticas é, em si, o reconhecimento de uma opressão, de um sujeito que detém o poder e a narrativa. “Só que as cosmopoéticas apenas existem, elas estão aqui”, frisou.

Também na mesa, a pesquisadora Clarisse Alvarenga descreveu seu trabalho de educação audiovisual com comunidades indígenas e fez um breve retrospecto da relação dos povos com a câmera e as imagens. “Os indígenas sempre estiveram presentes no cinema brasileiro, aparecendo em filmes precursores ainda num contexto de exploração e de política de integração implantadas pelo governo, como nas filmagens do Marechal Rondon dentro de um processo de colonização”, disse ela. Mais a partir dos anos 1970, vieram realizadores que se preocuparam em se relacionar com os povos, em ouvi-los e compartilhar suas vivências, caso de Andrea Tonacci e Vincent Carelli, entre outros.

Por fim, nos últimos anos, Clarisse detecta um terceiro momento, no qual os povos indígenas têm pegado a câmera para si e filmado suas próprias narrativas. “É esse momento que a gente chama de cinema indigenista”, define. Ela reforça que essa fase foi possível pelo compartilhamento das tecnologias e dos saberes audiovisuais, permitindo aos indígenas assumirem o controle de suas imagens e histórias.

Um exemplar desse cinema indigenista está na programação da sexta-feira, dia 31, na Mostra Olhos Livres às 18h, no Cine-Tenda: o longa-metragem “Yãmiyhex: As mulheres-espírito”, de Sueli Maxakali e Isael Maxakali, que registra um ritual de despedida na comunidade Aldeia Verde, em Minas Gerais. 

SOBRE A MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES


Maior evento dedicado ao cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão realizado no país. Apresenta, exibe e debate, em edições anuais, o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira, em pré-estreias nacionais, de longas e curtas – uma trajetória rica e abrangente que ocupa lugar de destaque no centro da história do audiovisual e no circuito de festivais realizados no Brasil.

Trata-se de um programa audiovisual que reúne todas as manifestações da arte numa programação cultural abrangente oferecida gratuitamente ao público que prevê a exibição de mais de 100 filmes brasileiros em pré-estreias nacionais, mais de 40 sessões de cinema, homenagens, oficinas, debates, seminário, mostrinha de cinema, exposições, lançamento de livros, teatro de rua, shows musicais, performance audiovisual, encontros e diálogos audiovisuais e  atrações artísticas. 

Acompanhe a 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes e o programa Cinema Sem Fronteiras 2020.

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Serviço


 23ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES | 24 de janeiro a 1o de fevereiro de 2020

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA

Patrocínio: ITAÚ, TAESA, CBMM, COPASA, CEMIG, CODEMGE|GOVERNO DE MINAS GERAIS

Parceria Cultural: Sesc em Minas

Apoios: SESI FIEMG, CAFÉ 3 CORAÇÕES, MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES, OI, DOT, MISTIKA, CTAV, CIA/NAYMAR, CINECOLOR, THE END POST, CANAL BRASIL, REDE GLOBO MINAS, PREFEITURA DE TIRADENTES, POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS.

Idealização e realização: UNIVERSO PRODUÇÃO

SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA E TURISMO | GOVERNO DE MINAS GERAIS

SECRETARIA ESPECIAL DE CULTURA, MINISTÉRIO DA CIDADANIA - GOVERNO FEDERAL|PÁTRIA AMADA BRASIL

LOCAIS DE REALIZAÇÃO DO EVENTO


Centro Cultural Sesiminas Yves Alves   

Largo das Fôrras  

Largo da Rodoviária

Escola Estadual Basílico da Gama

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Produção de textos: Marcelo Miranda