Homenagem

BABU SANTANA | ATOR

Babu Santana. De nome, se não for alguém atento aos filmes e fichas técnicas do cinema brasileiro no século XXI, talvez não conheça. Já se o nome vier acompanhado de uma cena com sua presença, de seu forte rosto e de sua voz potente, seja no cinema, seja na televisão, até o espectador menos atento o reconhecerá.

Babu Santana
Foto: Leo Lara/Universo Produção

Principalmente depois de protagonizar a cinebiografia Tim Maia (2014), narrativa primeira exibida como cinema, depois como minissérie de TV, acrescida de outros materiais pelo produtor. Babu foi um Tim empenhado em parecer Tim, visualmente e na performance, procurado o realismo de sua imagem, o acordo entre o cinema e a vida motivadora do filme.

Para encarnar o espírito e a presença de Tim Maia, Babu adicionou 15 kg à sua massa corporal e, segundo os relatos dos bastidores do filme, emocionou muita gente pela semelhançaa com o cantor. Neste sentido, a homenagem a Babu na 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes, sob o tema Chamado Realista, faz todo sentido. E não apenas por conta de Tim.

Alexandre da Silva Santana, seu nome de registro, foi Tim aos 32/33 anos. No entanto, quando assumiu protagonismo em um filme, tinha mais de 10 anos de filmografia, iniciada e desenvolvida como coadjuvantes em filmes como Cidade de Deus, Uma Onda no Ar, O Homem do Ano, Quase dois Irmãos, Redentor, Cidade dos Homens e Estômago, um conjunto de filmes com muitas diferenças e alguns pontos em comum.

Na maior parte deles, Babu fez personagens de vivências marginais e, quando escapou deste perfil, foi escalado como policial enfezado. A maior parte de sua filmografia lida com narrativas situadas em ambientes em atrito e de risco, com marcas da desigualdade social brasileira. Parte significativa de seus personagens é dura e de empenho realista.

Como as demandas realistas do cinema brasileiro tendem a criar imagens-estigmas pela repetição, primeira naturalizada e depois normatizada como natural, Babu se tornou no século XXI o ator especialista em personagem de comunidade, talvez pela pele negra e pelo rosto de uma expressividade, que, com alguns olhares, torna-se ameaçador.

No entanto, quando aparece como o personagem homo afetivo de Café com Canela, estas repetições se dissolvem, se dissipam, se dispersam e, ao ouvirmos sua voz e vermos seu corpo grande, travamos contato com a delicadeza, com o singelo e com a doçura, nunca sem humor, mostrando potenciais e possibilidades muito acima dos ofertados a ele e conquistados por ele.