Direção de atores

Instrutor(a): Eduardo Bordinhon

Faixa etária: A partir de 18anos

Carga horária: 16h

Número de vagas: 20

Conteúdo programático:

Data: 20 a 23 de janeiro

Horário: 9h30 às 13h30

Objetivo Geral: A oficina de Direção de Atores oferece uma série de elementos práticos e teóricos para o desenvolvimento da relação entre diretores e atores na realização de um filme, desde a escolha do elenco, passando pelos ensaios, até o set de filmagem. Seu principal objetivo é estimular o aluno a uma formação como um artista consciente de seu fazer cinematográfico através da criação de uma relação ética e de parceria com seu elenco.

Durante as aulas, o principal objetivo é se debruçar sobre os aspectos da criação da cena a partir da relação entre diretor e ator. Os alunos serão divididos em núcleos que desenvolverão estudos de cenas a serem filmadas, sendo orientados em como proceder na escolha dos atores, em qual a melhor condução dos ensaios para cada projeto e como pode se dar a relação entre diretores e atores no set.

A oficina também contempla o estudo da presença do ator ao longo da história do cinema, buscando compreender as diferentes possibilidades de aparecimento do ator no filme por meio da análise de distintas técnicas de atuação, de preparação para a cena e de construção dos planos, ampliando as possibilidades de emprego dos atores nos filmes dos alunos participantes, bem como as maneiras de se conduzir os atores.

Além disso, o curso visa discutir como a relação entre diretores e atores tem se dado hoje e ao longo da história do cinema, buscando debater sobre como a direção pode incorrer em relações abusivas ao longo de seu processo de criação, seja por diretores não saberem lidar com seu elenco, seja pela reprodução romantizada do estatuto do diretor como um gênio criador e do elenco como seu objeto. O debate sobre essa questão se faz necessário, dando especial atenção às relações entre diretores e atrizes, sobretudo depois das recentes (e não tão recentes) notícias sobre os assédios e abusos por parte de homens em situações de poder dentro da produção cinematográfica.

Apesar do enfoque na direção, o curso é também uma ótima oportunidade para atores que buscam compreender melhor as especificidades que envolvem a construção da cena filmada.

Conteúdo Programático: 

TEORIA: 
Os alunos são apresentados a um panorama que abarca o trabalho de diversos diretores e sua construção de planos e de criação de cenas com os atores. Tal panorama contempla:

Especificidades do ator no cinema. O realismo e as opções a ele. A importação metodologias teatrais como Stanislavski e Brecht para o trabalho no cinema; As metodologias de atuação desenvolvidas para o cinema (Cinema Soviético e Robert Bresson). A relação do ator com a linguagem e com o aparato cinematográfico para a construção da cena.

A história do ator no cinema: O cinema americano clássico - star system e naturalismo: Atuação calcada em uma justificativa psicológica do personagem. Stella Adler e a memória coletiva da humanidade; Lee Strasberg e a memória emotiva do individuo. O cinema europeu: O jogo entre filmar os personagens e os atores em Godard; Robert Bresson e o automatismo de seus modelos; Cinema brasileiro contemporâneo: A performatividade como pulsão da cena; Glauber Rocha e o ator distanciado da personagem; Sganzerla e Ignez: o desejo de filmar e o de ser filmada – cocriação em suas funções; Beto Brant e o ator que habita o espaço; Jorge Furtado e o espaço para a criação “atoral”.

PRÁTICA

Os alunos são orientados em uma pequena cena a ser realizada. Divididos em grupos, os alunos desempenharão papéis tanto como diretores e condutores da cena quanto como atores, alternando nesses papéis para compreender os aspectos de criação de dentro da cena. As práticas serão voltadas para as especificidades da cena de cada núcleo, mas terão exercícios comuns de:

• Casting: Onde buscar atores? Quais as maneiras de se encontrar atores? Como conceber e realizar um casting?
• Ensaios: Exercícios teatrais que podem auxiliar na condução de um filme. Como abrir espaço para a criação do ator? O ator como um colaborador da construção do filme. A construção do filme como registro da relação entre diretor e ator. Todo filme precisa de um ensaio? Como estimular a criatividade e conduzir o elenco? Quais as relações entre direção e elenco se estabelecem ao longo do filme? O elenco como cocriador da cena. As relações abusivas e autoritárias em uma produção de cinema.
• Set de filmagem: Como a relação entre ator e diretor chega estabelecida. O momento da filmagem como resultado dos processos de casting e ensaio desenvolvidos ao longo da produção.

– Em conjunto, estudaremos uma cena (extraída de um filme) comum a todos os alunos. Depois, os alunos são divididos em grupos nos quais deve ser estudada como a cena será filmada, pensando em colocar os atores no espaço e os planos para a cena.

– Filmagem das cenas dos alunos, análise do material bruto e fechamento do curso

Pré-requisitos:

Conhecimentos de direção cinematográfica ou atuação.