PARADOXOS DO CONTEMPORÂNEO
CONTEMPORÂNEO EM MOVIMENTO
DIVERSIDADE EM PRODUÇÃO
Os paradoxos e a diversidade da recente produção audiovisual brasileira estarão em pauta e em evidência na 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes. A discussão sobre os paradoxos do contemporâneo foi motivada pela configuração dos filmes inscritos para seleção - um volume de produções que semeia o potencial do paradoxo, um universo eclético que apresenta uma multiplicidade de temas e propostas, variados perfis de realizadores e uma mescla de gêneros constituindo um complexo painel da produção audiovisual atual que o público terá a oportunidade de conhecer durante os nove dias de programação do evento.
Em seu uso mais comum, o paradoxo é o incomum. Uma afirmação ou constatação contrária ao consenso generalizado. É a dissonância, a nota discordante, injeção de complexidade. Se o senso comum e generalizado, seja um senso crítico ou um senso leigo, vê o cinema brasileiro como um triângulo (comédias de costumes em um vértice, dramas sociais em outro e documentários no terceiro lado), é preciso destacar o paradoxo. Não o que se vê, porque se quer ver assim ou porque só se consegue ver assado, mas o que se é, com todas as faces não conciliáveis. Nada tem apenas um lado. O cinema brasileiro não tem apenas três. Mas o que isso significa? Que a contemporaneidade é uma medusa, um vale-tudo, multipolar e multidirecional, sem características destacáveis?
Paradoxo não é vale-tudo. Porque quando tudo vale, quando tudo é aceito e incorporado como parte da norma, quando tudo é naturalizado, a diferença perde o sentido, e, em vez de ser pensada como diferença, passa a ser encarada como regra. Eleger como questão norteadora da 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes, a temática Paradoxos do Contemporâneo, não significa naturalizar diferenças de forma acrítica. Pelo contrário. Propor os paradoxos como matéria de reflexão não é encerrar uma discussão por não se ver no universo discutido caminhos preponderantes. É o contrário. A intenção é alavancar uma discussão sem cair em dualidades simplificadoras.
Como lidar, porém, com paradoxos? Em primeiro lugar, circunscrevendo-os. Podemos pensar o cinema do presente pelas opções de estilo, pelas estruturas narrativas, pelos ambientes geográficos enfocados, pelos universos sociais dos personagens, pela idade dos protagonistas, pela razão dos conflitos, mas optamos pensar pela relação das situações mostradas com a atualidade.
Como o cinema brasileiro atual, dentre os filmes lançados em circuito comercialmente e exibidos pela primeira vez em festivais, responde a seu momento histórico?
Se o cinema de um país não é necessariamente o retrato desse país, um reflexo dele ou uma reflexão sobre ele, certamente é o retrato do cinema nesse país. E o cinema feito no Brasil, de Norte a Sul, por diretores de todas as idades e trajetórias, é um cinema cujo retrato, no singular ou no plural, é extremamente paradoxal.
Essa dificuldade de síntese, entretanto, não deve impedir críticos, pesquisadores e cineastas de relacionar as diferenças e encontrar relações entre elas, e é a isso que se propõe a 13ª Mostra Tiradentes ao eleger sua temática desta edição.
Cleber Eduardo
Curador