IMAGINAR OUTROS MUNDOS POSSÍVEIS

A Mostra de Cinema de Tiradentes, maior evento do cinema brasileiro, chegou a sua 23a edição, de 24 de janeiro a 1o de fevereiro de 2020. Inaugurou o calendário audiovisual do Brasil apresentando ao público a diversidade da produção cinematográfica brasileira – uma trajetória rica e abrangente que ocupa espaço de destaque no centro da história do audiovisual e no circuito de festivais realizados no Brasil.

Foram 113 filmes brasileiros, em pré-estreias mundiais e nacionais, de 17 estados, divididos em 53 sessões de cinema. A seleção se configura como uma oportunidade para conhecer e difundir os caminhos originais e ousados da produção brasileira contemporânea sob as mais variadas vertentes. A potência do cinema que representa e reinventa a nossa realidade, a possibilidade de imaginar outros mundos possíveis.

Em nove dias de evento, a cidade histórica mineira recebeu a instalação de quatro espaços principais – Cine Copasa na Praça, Cine-Tenda, Sesc Cine-Lounge e Centro Cultural Sesiminas Yves Alves e toda a infraestrutura capaz de sediar uma programação abrangente, intensa e gratuita que reúne todas as manifestações da arte e beneficia um público estimado em mais de 35 mil pessoas.

A Imaginação como Potência foi a definição da temática desta edição, que propõe novas maneiras de ver, produzir e se relacionar com as imagens. Pretende gerar reflexão e ser propositiva diante de um cenário incerto e faz um convite para olhar adiante, desfrutar o cinema como arte e, em sua criação, vislumbrar os caminhos possíveis para a construção de novos rumos.

Em diálogo com a temática, o Troféu Barroco desta edição foi para Antônio Pitanga e Camila Pitanga – dois atores, duas gerações. Ícones de seus próprios tempos, por motivos e percursos distintos. Talentos e presenças que trazem em seus corpos e posturas a brasilidade mais original e singular. Celebrar os dois juntos foi afirmar não só seus caminhos, mas também reconhecer suas diferenças – criativa, simbólica e política.

Integrou a programação do evento o 23º Seminário do Cinema Brasileiro, que está consolidado como um espaço fundamental dedicado a reflexão, encontros, diálogos, ideias e perspectivas do cinema no país. Ao todo foram promovidos 39 debates que colocam em pauta o momento atual da produção cinematográfica brasileira e apresentam a diversidade poética, temática, estética de seus realizadores. Contou com a presença de cinco convidados internacionais oriundos da Argentina, Espanha e Portugal e reuniu 72 profissionais do audiovisual, da crítica, acadêmicos, pesquisadores, jornalistas que estarão no centro dos debates, discussões e conversas. Extensão da experiência dos filmes, o Seminário anualmente atrai centenas de participantes e é marca registrada da Mostra.

A Mostra Tiradentes mantém o compromisso de investir na formação e promove anualmente o Programa de Formação, que contribui para a capacitação técnica no mercado de cinema e cria oportunidades para inserção de novos atores e realizadores, além de despertar talentos, formar novos profissionais e olhares. Desde sua primeira edição, em 1998, já foram certificados 6.704 alunos em 231 oficinas ministradas. Em 2020, foram promovidas 10 oficinas e 250 vagas para públicos e interesses diversos, contribuindo, desta forma, para ampliar a qualificação e o desenvolvimento audiovisual em Minas Gerais e no Brasil.

Mais uma edição da Mostra Valores foi realizada no evento e, desta vez, a Sociedade do Corpo de Bombeiros Voluntários de Tiradentes foi a escolhida para ser a protagonista desta iniciativa idealizada pela Universo Produção para apresentar e enaltecer pessoas, ações, programas que fazem a diferença nas comunidades em que estão inseridos. A Copasa foi a empresa patrocinadora que assina esta promoção.

Em uma agenda ampla e plural, o evento promoveu uma série de atividades para além das telas – exposições, cortejo da arte, teatro de rua, performances, shows, lançamento de livros, performances e atrações artísticas que fazem de Tiradentes a capital nacional da cultura. O Sesc Cine Lounge foi um espaço de encontros do cinema em diálogo com as outras artes e destaca o trabalho de grupos, bandas e artistas que têm feito a diferença na cena nacional.

A cada ano, a Mostra Tiradentes tem demonstrado sua capacidade de renovar-se e estabelecer diálogo entre as diversas esferas da sociedade e as forças constituintes de uma cinematografia. Com 22 edições já contabilizadas, podemos afirmar que o evento cresceu, a estrutura foi ampliada e o que começou como uma Mostra regionalizada tornou-se um espaço generoso e enriquecedor de intercâmbio, reflexão, formação, exibição e difusão do cinema brasileiro em consonância com seu tempo, que tem se destacado nacionalmente e internacionalmente pela sua proposta conceitual e inovadora – um exemplo que já impulsionou novas iniciativas no estado e no Brasil.

A histórica Tiradentes também ganhou novo fôlego, atraiu novos investimentos e foi transformada em uma cidade turística, revigorada e projetada mundo afora. No entanto, o empenho de narrar a cada ano os instantes históricos da nossa cultura e realizar um empreendimento cultural ousado e inovador que contribui para o desenvolvimento social, humano, turístico e econômico numa cidade de apenas sete mil habitantes requer vontade política, dedicação, diálogo, parceria, investimento e deve representar uma missão coletiva – responsabilidades e ações compartilhadas com o poder público municipal, estadual e federal, profissionais do audiovisual e da cultura, imprensa, lideranças políticas, empresariais e comunitárias, turistas, comunidade e público em geral.

A Mostra Tiradentes acontece, anualmente, com convergência de atitudes – faz do presente o futuro da nossa história, em favor do público e pela cidadania. Movimenta a economia local e regional, gera empregos, tributação com efeitos multiplicadores positivos na economia e projeção de Tiradentes, Minas Gerais e o Brasil.

O audiovisual apresentado aqui tem todos os olhares e sotaques brasileiros e tem também muito a contribuir para o futuro do nosso país. A arte e a cultura fortalecem nossos laços. A cultura é o que atribui sentido às coisas. Através dela construímos o sentido de povo, de nação. Com ela podemos transformar nosso futuro. Com a arte podemos imaginar outros mundos, outras possibilidades de existência.

A todos que compartilham dos nossos ideais, que somaram esforços para a concretização desta edição, que renovam o compromisso com a cultura, que investem em Minas e no Brasil, e à equipe de trabalho e curadores que atuam com profissionalismo e dedicação, nossa gratidão.

Como disse Guimarães Rosa, “o que tem de ser, tem muita força”. Celebrar 23 anos da Mostra de Cinema Tiradentes tem esta força que brota da alma, que impregna, que faz e acontece.

Raquel Hallak d’Angelo
Quintino Vargas Neto
Fernanda Hallak d’Angelo
Diretores da Universo Produção e
Coordenadores da Mostra de Cinema de Tiradentes

 

Temática – A Imaginação Como Potência

Homenagem –  Antonio Pitanga e Camila Pitanga

113 Filmes
53 sessões
31 longas
01 média
81 curtas
10 oficinas
250 alunos certificados
Público estimado: 35 mil pessoas

Filmes Vencedores

Júri Popular
Melhor Curta:
 A PARTEIRA (RN), de Catarina Doolan
Melhor Longa: ATÉ O FIM (BA), Ary Rosa e Glenda Nicácio

Mostra Aurora |Júri Oficial| Melhor Longa : CANTO DOS OSSOS (CE/RJ), Jorge Polo e Petrus de Bairros

Mostra Olhos Livres | Prêmio Carlos Reichenbach |Júri Jovem |  Melhor Longa:  YÃMĨYHEX: AS MULHERES-ESPÍRITO (MG), de Sueli Maxakali e Isael Maxakali

Mostra Foco | Júri Oficial| Melhor Curta: EGUM (RJ), de Yuri Costa

Canal Brasil | Melhor Curta: PERIFERICU (SP), de Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira

Prêmio Helena Ignez para destaque feminino:  Lílis Soares, diretora de fotografia do longa “Um dia com Jerusa” (SP) e dos curtas “Minha história é outra”(RJ)  e “Ilhas de calor” (AL)