A EXPERIÊNCIA DA FILMAGEM EM PELÍCULA E A RELAÇÃO COM OS ATORES NO FOCO DA DISCUSSÃO SOBRE O FILME “ORÁCULO”

Nesta segunda-feira, 25 de janeiro, o segundo debate da série Encontro com os Filmes promoveu um bate-papo sobre o longa experimental “Oráculo”, que estreou na Mostra Aurora na noite de domingo e poderá ser visto até o dia 26, às 22 horas.

Participaram da discussão Gustavo Jahn e Melissa Dullius – diretores e produtores do filme; o ator Juarez Nunes, as atrizes Luana Raiter e Alice Bennaton, mãe e filha e o crítico convidado Rafael Parrode |GO. A mediação foi de Marcelo Miranda – crítico de cinema |MG.

Rafael Parrode apontou o desafio que é falar de “Oráculo”. “Os filmes experimentais mexem muito com a nossa percepção e este longa traz mais perguntas que respostas”. Além da questão do espaço geográfico e distância afetiva com o país, pois os diretores residem na Alemanha, Parrode chamou a atenção para o uso da película, o filme foi originalmente realizado em 16 mm. “O cinema experimental ainda tem um trabalho com película ainda muito forte, mas isso é pouco usado no Brasil”, afirmou. 

Sobre o processo de produção do longa, Gustavo Jahn relembrou que o projeto teve início em 2016 e surgiu do desejo da dupla de diretores de desenvolver um trabalho em longa-metragem. “O espaço é algo muito importante neste filme. A maior parte das locações foram em espaços onde filmamos os nossos projetos anteriores”. Jahn ressaltou também que a duração dos planos é o tempo da duração do rolo de filme. “Todas os planos aconteceram da mesma maneira, um take só”. 

Comentando sobre a montagem, Gustavo explicou que “o filme foi montado ao longo de um ano e acabamos fazendo uma escolha na montagem de afastar o filme do registro documental”. Ele destacou ainda que, apesar de não estarem juntos fisicamente, do desenvolvimento do projeto até a montagem, “a realização de Oráculo foi um processo de conversas e criação conjunta” dos dois diretores. 

Para Melissa Dullius, o filme se chama “Oráculo”, mas, ao contrário do que é esperado, “é uma obra que não fala tanto do futuro, mas do presente. De certa forma, o longa condensa os retornos do Gustavo ao lugar onde ele nasceu, mas onde nunca ficou tanto tempo. São lugares muito importantes para o Gustavo. É uma viagem interior, porque reflete olhar para dentro mesmo”. 

Ela salientou que antes de serem diretores, os dois já trabalhavam como montadores, há mais de 20 anos. Melissa evidenciou que “foi um processo muito peculiar, porque todo o trabalho do filme foi realizado à distância”. Além disso, ela nunca tinha feito um trabalho com planos tão longos e tantos planos-sequência. Na opinião da diretora, “é muito interessante um filme estrear neste momento em que as pessoas querem experimentar um tempo dilatado”. 

Elenco em ação

O ator Juarez Nunes revelou que sua relação com o diretor Gustavo Jahn é antiga. “Nos conhecemos em 1999 e nosso primeiro trabalho com cinema foi em 2001. Depois disso, já fizemos diversos trabalhos juntos”. De acordo com o ator, em “Oráculo”, o trabalho pendeu mais para uma ação performática do que para a interpretação tradicional. “Se parar para analisar, neste filme, tive as ações a serem realizadas e as relações com os espaços. O Gustavo orientava o que precisava ser feito naquele tempo e local. Eu seguia, para realizar as ações, procurando incluir minha experiência de vida, de relação, de afeto e de ligação com o filmes”.

A jovem atriz Alice Bennaton se sentiu muito confortável durante as filmagens. “O Gustavo me deu muita segurança. Ensaiamos bastante e eu tive também certa liberdade para improvisar e para escolher os espaços onde filmar. Achei muito legal, a filmagem foi um ambiente muito familiar”. 

A atriz Luana Raiter, mãe da Alice, frisou a forma muito delicada de começar a fazer cinema que o diretor proporcionou para Alice. “O Gustavo deixou a Alice à vontade para as filmagens de forma muito natural, apesar da pressão de ter que fazer as cenas com um rolo de filme só”. Além disso, Luana Raiter sentiu uma conexão desta forma de filmar com o teatro. “Senti nessa questão do tempo e da possibilidade de improvisar, uma ligação com o cinema que não havia sentido em trabalhos anteriores”. 

Jeito Distruktur de fazer cinema

Gustavo Jahn esclareceu que o projeto teve início com a criação dos personagens. “Depois, foram aparecendo os espaços, na maior parte deles, lugares que eu já conhecia, que tem alguma ligação com a minha história. Exceto em Barcelona, lá foi uma descoberta”.

A dupla de diretores está com outro filme em exibição na 24a Mostra Tiradentes:  “Levantado do chão”, na Mostra Panorama. “É um roteiro de mais de 20 anos e que levou esse tempo todo para tomar forma. E esse é nosso jeito de trabalhar, utilizando os elementos que temos no momento, fazendo o que é possível. E isso está muito presente em ‘Oráculo’, em que a limitação do tempo do rolo influenciou na linguagem do filme”.

De acordo com Gustavo Jahn, ainda há vários grupos, em diversas partes do país, filmando com película. “São diversos núcleos que trabalham nesse esquema associativo, pessoas que se unem para comprar filmes, dividir os custos e disseminar conhecimento. Esse também é o nosso jeito de trabalhar, com o que temos à mão”.

“Produzir com o que se tem, essa é a nossa realidade, é o nosso jeito de seguirmos fazendo cinema. A matéria dos nossos filmes são as condições que temos e os elementos que chegam até nós, por essa rede de pessoas com quem trabalhamos junto”, complementou Melissa Dullius.

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