O OFÍCIO DE ATUAR DEVE SER PARTE DA CRIAÇÃO COLETIVA EM UM FILME, DIZEM ATRIZES EM DEBATE REALIZADO NESTE DOMINGO

A quem é habituado principalmente ao cinema de ficção, a figura do ator e da atriz está naturalmente incorporada na fruição de um filme, quase como se aqueles corpos que transitam na tela sempre tivessem estado lá apenas esperando o nosso olhar para entrarem em movimento. A roda de conversa “Processos artísticos e criação de personagens: entre a cena e a tela”, realizada pela 24a Mostra de Tiradentes na tarde de domingo (24), com mediação da atriz e arte-educadora Amanda Gabriel, propôs ao público ouvir a experiência de três atrizes, de trajetórias bastante distintas, sobre como se dá a relação entre suas personalidades individuais e o ofício de incorporar pessoas “inventadas” por roteiros ficcionais.

Djin Sganzerla, que está na mostra em dose dupla como diretora e protagonista de “Mulher Oceano”, vem de profundas experiências com grandes cineastas a quem ela nomeou como referenciais em sua trajetória e na definição de sua metodologia, como Carlos Reichenbach, Bruno Safadi e Rogério Sganzerla. Deste último, Djin é ainda filha e pôde interpretar personagens escritas pelo pai em trabalhos diversos, como “Luz nas Trevas” e “A Moça do Calendário”, ambos dirigidos por sua mãe, Helena Ignez.

“Fui desenvolvendo formas e técnicas à medida que fui trabalhando e estudando o ofício de atriz. Tive o privilégio de estar com diretores incríveis e ainda tive a experiência de dirigir a mim mesma em ‘Mulher Oceano’. A minha base sempre foi buscar a verdade e me tornar os personagens de cada filme, mesmo que fossem pessoas que você não encontra na rua, como em ‘A Moça do Calendário’”, comentou Djin. “Eu procuro não decorar as falas de roteiro, e sim eu leio compulsivamente o texto, para que ele se torne uma extensão do meu braço, do meu corpo, para que ele saia absolutamente natural na minha fala”.

No caso de Julia Katharine, atriz e diretora que exibe na Mostra em 2021 o curta-metragem “Won’t you come out to play?”, ela disse não necessariamente se enxergar como atriz, e sim como alguém que está se desenvolvendo no campo da atuação. Seu grande fascínio na vida, contou, é “ver atores atuando”. “Eu gosto de dar palco pra eles, é o que eu mais gosto na vida, vê-los em ação. Como diretora, quero dar ao elenco o melhor material para que eles desenvolvam.”, disse Julia, que em 2018 foi agraciada com o Troféu Helena Ignez por sua atuação em “Lembro Mais dos Corvos”, de Gustavo Vinagre, exibido na Mostra Aurora da Mostra de Tiradentes naquele ano. “Foi um prêmio que mudou o rumo da minha carreira, passei a ser olhada de outra forma como artista”, exaltou.

Também no debate, a atriz manauara Isabela Catão, no elenco de dois filmes da Mostra (“Enterrado no Quintal” e “O Barco e o Rio”), descreveu um processo de trabalho mais pragmático: “Eu faço ensaio, faço visita na locação, converso com os diretores, procuro uma intimidade e um diálogo que permitam dar sugestões, que o diretor pode ou não seguir”. Para ela, é fundamental essa abertura à troca artística, o que enriquece tanto seu trabalho como o resultado final do filme.

Inevitável em encontros sobre atuação, a figura do preparador de elenco foi comentada pelas participantes, que no geral concordaram da importância desse profissional quando ele é pensado organicamente como alguém que busque uma maior integração da atuação dentro do filme. Ainda assim, as participantes apontaram algum tipo de mediação necessária para que, na visão delas, a preparação não seja uma forma de engessar o trabalho. “Eu me pré-disponho a estar completamente aberta a um preparador de elenco se for importante ao projeto, mas, por outro lado, consigo e gosto de fazer esse processo sozinha, pois eu vivo e transformo a personagem dentro do meu casulo”, disse Djin Sganzerla. Por sua vez, Julia Katharine comentou algo na mesma linha: “Quando o ator conhece muito o personagem, não acho que ele precise de preparador. É ligar a câmera e deixar acontecer”.

Todas as atrizes na mesa também concordaram que o set de filmagem é um momento de necessária harmonia entre diretor e elenco, sendo importante compreender as mediações de um com o outro no sentido de ampliar os efeitos buscados pelo filme. “Conversar é tudo nessa hora”, disse Isabela. E Djin completou: “O ator é o melhor amigo do diretor”.

Veja a íntegra da roda de conversa:

SOBRE A 24ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

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Trata-se de um programa audiovisual que reúne as manifestações da arte numa programação cultural abrangente oferecida gratuitamente ao público que prevê a exibição de mais de 100 filmes brasileiros, promove homenagem, oficinas, debates, mostrinha de cinema, exposições, shows musicais, performance audiovisual, encontros e diálogos audiovisuais e atrações artísticas.

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