CINEASTAS DA MOSTRA FOCO DISCUTEM COMO FANTASMAS DO FIM DO MUNDO SÃO ALEGORIAS PARA A DESTRUIÇÃO CONSTANTE NO BRASIL

O primeiro Encontro com os Filmes voltado à Mostra Foco foi realizado na tarde dessa terça-feira (26) pela 24a Mostra de Cinema de Tiradentes. Quatro curtas-metragens, disponíveis no site do evento, foram debatidos com seus realizadores e mediação da crítica e curadora Camila Vieira. Ela mesma iniciou a conversa apontando as relações entre os trabalhos – que, mesmo sendo filmes bastante singulares, têm entre si um senso de apocalipse acentuado, talvez refletindo um certo estado do mundo a partir do olhar dos diretores e diretoras. “São curtas conectados com a ideia de colapso de mundo, de algo que acabou ou que está em vias de acabar, ou em processo de destruição”, disse Camila. “Essa catástrofe atravessa não só os territórios e os espaços mostrados, mas também as subjetividades de cada filme”.

De fato, todo o Encontro foi permeado por sentimentos e reflexões de resignação e sobrevivência a partir das constantes crises sociais, econômicas e políticas no país, inclusive no setor da cultura, afetado constantemente por ataques e desmontes em âmbito federal e agora pelas consequências da pandemia de COVID-19. Marcus Curvelo, diretor de “A Destruição do Planeta Live”, brincou que, para não entregar a própria vida a essa realidade difícil, preferiu fazer um filme sobre isso. “Decidi falar sobre a sensação de estar vivendo essas desgraças constantes (no Brasil), sem necessariamente apontar alguma delas. O fogo (mostrado no filme) é quase uma celebração, um artifício, uma catarse, uma explosão que se dissipa, algo que marca a tragédia e também o fim dessa dor”.

No caso da diretora Jasmin Tenucci, que fez “Céu de Agosto”, o estímulo também se deu a uma tomada de ação pela expressão artística em resposta ao medo e ao desamparo que a paralisava diante do contexto nacional. Caminhando pelas ruas de São Paulo em meados de 2019, ela viu o céu escurecer subitamente e teve a sensação de fim do mundo. Era, como amplamente noticiado, efeitos atmosféricos de queimadas na Amazônia e outras regiões. “Já vinha acontecendo muita coisa desde 2016, como retirada de direitos dos trabalhadores, desmonte da cultura, mas tudo isso ainda não tinha se concretizado tão forte naquele momento. O céu (que escureceu) indicou que as coisas estavam fora de controle”, comentou Jasmin. Ela disse que contemplar esse momento diante dos olhos a inquietou a ponto de mudar um projeto que já estava em andamento na época e se dedicar a um filme que expressasse seu assombro com o fenômeno e o que ele significava em sentidos  mais amplos, de representação de um presente em constante destruição.

A diretora de “Drama Queen”, Gabriela Luiza, foi outra a fazer o filme a partir de crises que insistem em abater o Brasil. É um dos vários “trabalhos de pandemia” recebidos pela Mostra e foi concretizado muito pela crença da cineasta em insistir em filmar mesmo nas adversidades. Referências como Carlos Reichenbach e Jairo Ferreira foram importantes para que ela se fortalecesse da possibilidade de um trabalho artístico num cenário de ataque à vida e à cultura. “Esses caras (durante a ditadura), já com pessoas sumindo, tortura, gente morrendo, deixaram de se preocupar em fazer filmes para salvar o mundo”, afirmou ela. “Sou atriz, formada em teatro, e tive que viver, ao mesmo tempo, o processo de desmonte do cinema e de mudar de função no teatro, de deixar de ser atriz para assumir esse lugar de direção, de ter uma câmera na mão para recortar esse mundo justamente nesse momento”.

Outro apocalipse visto na sessão está em “Lambada Estranha”, no qual Luísa Marques e Darks Miranda filmam um Rio de Janeiro de céu pegando fogo e água contaminada. Numa dança alegórica, celebra-se o corpo enquanto o entorno vai se destroçando numa piscina representando as ruínas desse tempo em vias de acabar. No debate, Luísa disse que o estado de calamidade pelo qual passa o Rio nos últimos anos foi o que mais a mobilizou a torná-lo, de alguma forma, criação e imagem. O espaço mostrado no filme está localizado no prédio onde ela mora, sendo parte da paisagem de seu cotidiano. “Me veio então a ideia de usar esse espaço para a dança esquisita do filme, desses corpos entregues ao movimento num lugar que é também o fim do mundo”. A piscina onde foram feitas as filmagens data dos anos 1940 e foi abandonada décadas depois devido a custos de manutenção. Hoje, é usada em vários trabalhos artísticos, filmes e performances. “É um lugar onde outras vidas se manifestam, nas plantas que crescem ali, em alguns animais que ficam lá. E tenho certeza de que é um lugar habitado por muitos fantasmas”, disse Luísa.

SOBRE A 24ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

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Trata-se de um programa audiovisual que reúne as manifestações da arte numa programação cultural abrangente oferecida gratuitamente ao público que prevê a exibição de mais de 100 filmes brasileiros, promove homenagem, oficinas, debates, mostrinha de cinema, exposições, shows musicais, performance audiovisual, encontros e diálogos audiovisuais e atrações artísticas.

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