DA DIREÇÃO DE FILMES E DOS LIVROS DE POESIA PARA A CURADORIA DE CURTAS DA 24ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

Compor a equipe curatorial de um festival de cinema é muitas vezes desafiador. Afinal, assistir e discutir um grande volume de material requer tempo, dedicação, entrega e sensibilidade. Para se ter uma ideia de toda a dimensão do trabalho, nesta 24ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, foram inscritas 748 produções e selecionados 79 títulos. O processo foi todo realizado pelas curadoras veteranas Camila Vieira e Tatiana Carvalho e pelo estreante Felipe André Silva.

Natural de Recife, Felipe André Silva acumula vasta experiência como cineasta e poeta. No cinema dirigiu, entre outros, os longas “Santa Monica” (2015) e “Passou” (2020), além do curta “Cinema Contemporâneo”, exibido na Mostra de Tiradentes no ano passado. Atuou também como produtor e preparador de elenco em diversos projetos e colabora regularmente como curador no festival Janela Internacional de Cinema do Recife. Na literatura, lançou “As plaquetes”, “O escritor antônio xerxenesky”, “O aniversário de Billie Eilish”, e “O autocad de Britney Spears”, e o livro de poemas “Sorry.gif” (Macondo Edições, 2020). Comanda também a &legal edições, microeditora digital dedicada à poesia contemporânea e tradução informal.

Nesta entrevista especial, Felipe André conta sobre sua participação inédita na equipe de curadoria do evento, as novidades cinematográficas propostas pelos filmes selecionados e, sobretudo, dos desafios do cinema nacional em tempos de pandemia. Confira!

Qual o recorte proposto pela equipe curatorial para selecionar os 79 curtas, entre os mais de 700 inscritos?

É difícil falar em recorte já que, como diz a pergunta, estamos falando de um universo de 79 filmes, vindos das mais diversas regiões do Brasil, e que comunicam anseios e questões de uma vasta gama de classes, raças, credos, e dimensões de produção. É possível, no entanto, pensar nessa seleção a partir da linha geral que delineia essa edição da Mostra, as Vertentes da Criação. Neste momento, mais do que nunca, parece necessária uma espécie de radiografia do lugar onde o cinema é gestado, uma investigação dos processos individuais e coletivos que dão forma a essas produções. Os curtas da seleção servem como um panorama muito conciso e robusto dos caminhos tomados dentro do cinema brasileiro para que o ato de contar histórias dessa forma possa ser perpetuado, e isso vai desde um projeto de cinema na escola, como é o caso do filme “Para Todes”, até uma animação psicodélica como “Magnética”, de Marco Arruda. Entender a trajetória da ideia até a tela de exibição, é entender as nossas possibilidades de maneira factual.

Essa é sua estreia na equipe de curadoria da Mostra de Tiradentes, como está sendo essa experiência?

Ainda que atravessem quase sempre uma mesma operação, trabalhos de curadoria são universos muito particulares a serem desbravados, e viver isso em Tiradentes tem sido muito especial, e diferente das minhas outras experiências. Acredito que justamente pelo processo mais tradicional, e exaustivo, de assistir e discutir um grande volume de material, a experiência se torna mais desafiadora e imersiva. Como todo cinéfilo atento ao panorama do cinema brasileiro, eu acompanhava o festival e os debates que surgiam dele já há alguns bons anos, e tive a felicidade de participar da edição 2020 com meu curta “Cinema Contemporâneo”, o que cristalizou definitivamente essa sensação de que Tiradentes é sim uma espécie de arco e flecha das tendências do nosso cinema. Além de aglutinar propostas já estabelecidas, a mostra também faz o esforço de tentar entender novos lugares para onde se apontar.

O que os curtas selecionados nesta 24a edição da Mostra Tiradentes trazem de novidade conceitual, narrativa e movimentos criativos?

Eu acredito totalmente que é na feitura e no debate de curtas-metragens que se percebe com mais clareza o que deve surgir nos longas dos próximos anos, e este ano não tem sido diferente. É importante realçar, quantas vezes forem necessárias, que o cinema brasileiro está vivendo os primeiros momentos de uma ressaca, e o próximo passo, caso nenhuma solução seja dada, é o total colapso das estruturas que sustentam a nossa produção, mais especificamente, o fomento governamental à produção audiovisual. Isso ainda não se reflete com muita clareza na atual safra, mas os filmes produzidos de forma muito artesanal e precária durante os meses de pandemia já informam um pouco sobre os procedimentos que podem estar por vir. Falando desse escopo em específico, acho muito interessante os trabalhos “pandêmicos” que conseguiram fugir da abordagem ensimesmada e autocomplacente que se mostrou a tônica geral desses filmes e propor algum tipo de movimentação, ou reação, para o mundo em que nos vimos colocados. Me parece que é este o tipo de movimento criativo ou proposta narrativa que deve se mostrar com mais força nessa edição e nos próximos momentos: aquela que percebe o absurdo que é viver num mundo como o nosso, mas encontra alguma centelha, alguma fagulha de imaginação que impulsiona.

Você apontou que o público vai se deparar com alguns voos criativos nesta vasta seleção. Poderia citar alguns exemplos?

A exemplo destes tais filmes que conseguiram fugir do espectro de “filme pandêmico” para propor algo mais provocativo sobre os tempos correntes, consigo destacar o curioso trabalho de Gabriela Luíza no filme “Drama Queen”, que ousa oferecer um tom bem-humorado, quase debochado, à famigerada estrutura do filme de clausura. Destaco também “Abjetas 288”, das diretoras Júlia da Costa e Renata Mourão, uma ficção científica cyberpunk sergipana, talvez um evento inteiramente inédito no cinema brasileiro. Nesta mesma chave de cinema de gênero, o amazonense “Enterrado no Quintal”, de Diego Bauer, que propõe uma tentativa muito direta e cortante de criar um filme de vingança, e o faz de maneira muito instigante.

Quais serão os principais desafios do cinema e dos realizadores de curtas para se estabelecerem nesse mundo pandêmico, com espaços ainda mais limitados de exibição?

Como comentei antes, as questões mais delicadas vem antes mesmo do processo exibidor, estão na realidade no âmbito da produção. No entanto, se nos ativermos a esse tema, ouço dizer que a quantidade de bônus que os festivais online trouxeram para a discussão cinematográfica pode ser equiparada com seus ônus. Filmes que antes ficariam restritos a um público muito localizado, puderam no último ano ser vistos por uma plateia muito mais robusta, e consequentemente, serem comentados com uma capilaridade muito mais extensa. É claro que se incorre aqui em questões delicadas, como a segurança deste material, que fatalmente pode ser vítima de distribuição não autorizada, ou a falta de um debate ao vivo, urgente, que possa escoar com mais clareza as ideias dos realizadores, mas me parece que fazer os filmes chegarem mais longe é sempre algo válido.

SOBRE A 24a MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

PLATAFORMA DE LANÇAMENTO DO CINEMA BRASILEIRO

Maior evento dedicado ao cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão realizado no país. Apresenta, exibe e debate, em edições anuais, o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira, em pré-estreias mundiais e nacionais – uma trajetória rica e abrangente que ocupa lugar de destaque no centro da história do audiovisual e no circuito de festivais realizados no Brasil.

Trata-se de um programa audiovisual que reúne as manifestações da arte numa programação cultural abrangente, oferecida gratuitamente ao público, que prevê a exibição de mais de 100 filmes brasileiros, promove homenagem, oficinas, debates, mostrinha de cinema, exposições, shows musicais, performance audiovisual, encontros e diálogos audiovisuais e atrações artísticas. 

TODA PROGRAMAÇÃO É OFERECIDA GRATUITAMENTE AO PÚBLICO.

***

ATENÇÃO:

Como o formato do evento é digital, convidamos você a seguir a Universo Produção/Mostra Tiradentes nas redes sociais para ficar por dentro de tudo o que vai acontecer nos bastidores, acompanhar a evolução e notícias do evento e também receber conteúdos exclusivos sobre a 24ª edição da Mostra Tiradentes. Canais e endereços:

Na Web: www.mostratiradentes.com.br

No Instagram: @universoproducao

No Youtube: Universo Produção

No Twitter: @universoprod

No Facebook: mostratiradentes / universoproducao

No LinkedIn: universo-produção

Acompanhe o programa Cinema Sem Fronteiras 2021. 

Participe da Campanha #EufaçoaMostra

Serviço

24a MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES | 22 a 30 de janeiro de 2021

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA

Patrocínio: CBMM, ITAÚ, CSN, CEDRO MINERAÇÃO, CIMENTO NACIONAL, COPASA|GOVERNO DE MINAS GERAIS

Parceria Cultural: SESC EM MINAS 

Apoio: CAFÉ TRÊS CORAÇÕES, INSTITUTO UNIVERSO CULTURAL, DOT, MISTIKA, CTAV, CIARIO/NAYMAR, CINECOLOR, THE END, BUCARESTE ATELIÊ DE CINEMA, CANAL BRASIL, REDE MINAS, RÁDIO INCONFIDÊNCIA

Idealização e realização: UNIVERSO PRODUÇÃO

SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA E TURISMO | GOVERNO DE MINAS GERAIS

SECRETARIA ESPECIAL DE CULTURA, MINISTÉRIO DO TURISMO – GOVERNO FEDERAL| PÁTRIA AMADA BRASIL

ASSESSORIA DE IMPRENSA