DEBATE DESTACA O TEMPO E A VISIBILIDADE DO SENSÍVEL NO DOCUMENTÁRIO “AÇUCENA”

Neste domingo, dia 24, foi realizado o primeiro debate da série “Encontro com os filmes”. O bate-papo do filme Açucena, selecionado para a Mostra Aurora, contoucom a participação da equipe de Flávio Rebouças – diretor de fotografia, Isaac Donato – diretor e roteirista e Marília Cunha – produtora e roteirista. Carla Italiano |MG foi a crítica convidada para a discussão, que foi mediada Marcelo Miranda – crítico de cinema |MG. 

Abrindo o debate, Carla Italiano ressaltou os aspectos que mais lhe chamaram a atenção no documentário. “‘Açucena’ é um filme raro, que se apresenta com muito cuidado para quem assiste. Dois pontos principais estão interligados na construção do filme: o desafio de levar para as telas a manifestação de uma religião de matriz africana, do candomblé; e de transformar em imagens em movimento algo que não é da ordem do visível”.

A crítica salientou ainda como o tempo é tratado na produção. “Não se trata de um tempo linear, mas de uma convivência de tempo, que se manifesta de diferentes maneiras. É algo que permeia todas as escolhas de construção do filme. Esse tempo se apresenta muito mais na trajetória, do que ao final. Pode parecer algo simples de ser feito, mas é na verdade onde está a maior força do longa”. 

Marília Cunha comentou sobre o processo de produção do filme. “Nosso primeiro contato com Dona Guiomar foi em 2016, quando estávamos desenvolvendo uma pesquisa para um outro projeto. Ficamos fascinados com a história dessa mulher, que fabula sem nunca ser fictícia e esse universo importante em sua essência e o que há de visível em sua invisibilidade. E ao longo do desenvolvimento, descobrimos pontos de conexão com a biografia do Isaac, e porque só ele poderia contar essa história”. 

A produtora destacou que, mesmo sendo um documentário, o filme não tem a pretensão de explicar a realidade do candomblé. “Assim como a arte, a religião é produtora de campos infinitos de significação. Não queríamos explicar ou justificar o sensível, o que é para ser sentido. E precisamos entender isso, para saber como  posicionar a câmera e apresentar esse corpo cotidiano, que se transformava num corpo cerimonial”.

Segundo Marília, esta opção foi essencial para o desenho da produção. “Foi um desafio produzir esse filme. Foram duas semanas de filmagem, mas com uma pesquisa muito grande para criar essa relação afetiva com esses atores sociais. Estávamos inserindo uma equipe em um lugar com sua própria concepção de mundo, mas acho que conseguimos o filme que buscamos fazer”.

O diretor Isaac Nonato destacou que “Açucena” só se tornou possível por meio das políticas públicas da Ancine. “Esse órgão precisa seguir alimentando esta potência que é o cinema brasileiro”. E apontou a aproximação do longa-metragem com sua história de vida. “Ele rememora minha infância, minha relação com minha avó centenária e com duas tias. Elas sempre alimentavam a necessidade do ser humano estar em equilíbrio consigo mesmo. Esse é o ponto de contato com a história de Dona Guiomar e com seu poder integrador com sua comunidade”.

De acordo com o cineasta, a festa de aniversário, mostrada no filme, parte de uma ideia de invenção do tempo, que corresponde a três perspectivas. “Da memória, quando as personagens fazem uma recorrência ao passado. De espera, em torno do futuro, do que vai ocorrer e a perspectiva da atenção, pela fixação necessária ao presente. Mesmo com as recorrências ao passado, é uma história presentificada”. 

Para Isaac, acima de tudo, “Açucena” é um filme que celebra a alegria. “Tivemos muito respeito pelo tempo daquela narrativa. Em nenhum momento, tentamos interromper a integridade do real apresentado ali. Procuramos trabalhar a religião, considerando o sagrado, pelo desafio de seguir em busca da interioridade, de desvendar um segredo. O que na jornada na Dona Guiomar é precioso, cabe a cada um desvendar à sua maneira. Temos ali uma comunhão criativa aberta a quem quer chegar”. 

Para o diretor de fotografia Flávio Rebouças, trata-se de um filme muito honesto, pela aproximação e cuidado com o espaço retratado. Ele afirmou ainda que, por se tratar de uma produção de baixo orçamento, foi preciso trabalhar dentro de determinados limites. “A escolha dos enquadramentos também é resultado disso. Tivemos essa intenção de mostrar o arco de uma sequência, de uma observação pontual e cuidadosa, com muita suavidade, com muita sutileza. E o cuidado para escolher o lugar onde colocar a câmera, para se colocar nesse lugar de escuta”.

Sobre a forte presença feminina no filme, Marília pontuou que esse elemento também tem grande conexão com o diretor. “É curioso que esse universo feminino também tem muita ligação com Isaac, cuja história está ligada a mulheres muito fortes. E nesse universo da religião, a presença feminina é muito latente. Queríamos muito apreender essa personagem feminina e como ela interpreta sua realidade como um agir político”. 

Para Carla Italiano, “Açucena” é uma produção muito potente, tanto pelo que mostra, quanto por o que não coloca na tela. “Um dos trunfos do filme é este reconhecimento de que cabe ao cinema lidar com isso da sua própria forma, compreender que tem sempre uma parcela que nunca vamos ver e entender isso como uma força”.

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