DEBATE SOBRE EU, EMPRESA DISCUTE A PRECARIEDADE DO TRABALHO EM TEMPOS NEOLIBERAIS

O último bate-papo da Mostra Aurora na 24º Mostra de Cinema de Tiradentes foi sobre o longa Eu, empresa, dos diretores Leon Sampaio e Marcus Curvelo. Eles dividiram a mesa de debate com a roteirista Amanda Devulsky e a produtora executiva Marisa Merlo. A crítica convidada foi Maria Bogado (RJ) e a mediação de Marcelo Miranda.

Como de costume, a crítica foi a primeira a falar e trouxe para a roda algumas provocações sobre o trabalho. Para ela, Eu, empresa dialoga muito com o modo de criação do coletivo mineiro Filmes de Plástico pois se trata de um filme que parte de experiências cotidianas para tocar em pontos estruturais da sociedade. “Ao mesmo tempo em que flertam com o documentário, servem de estratégia de experimentação e ficcionalização para criar outras relações que talvez não estejam tão visíveis”, comentou.

Para Maria Bogado, o protagonista “pensa na ficção como outra possibilidade de criar”, o que sinaliza certa autorepresentação dos próprios realizadores do longa. “Essa coisa da autorepresentação traz uma qualidade muito específica de humor”, apontou. Segundo ela, não se trata de um humor sabichão ou direcionado a outro público. “Por estar trabalhando em alguma medida com essa autorepresentação ele pode ir fundo no ridículo pois está implicado”. O humor é chave importante no Eu, empresa para todas as reflexões que o filme quer passar, inclusive aquelas relacionadas às relações com o trabalho.

Processo

Diretor, roteirista, ator, montador, produtor, Marcus Curvelo contou que a ideia de Eu, empresa nasce da junção de dois projetos. Ele tinha um projeto de documentário enquanto Leon Sampaio desejava refletir sobre o universo em torno do “self” e do culto ao empreendedorismo. Ou seja, influenciadores, coaches. “Aprovou como documentário, mas queríamos brincar com a ficção, tentando entender o lugar do personagem”, disse Marcus.

Segundo Leon, havia o desejo de olhar tais processos sociais de maneira mais macro. Ele queria estudar as performances de empreendedores de si mesmo, das novas profissões. “Como essa lógica estava sendo incorporada e o quanto a ideia de ser autêntico está articulada à imagem de vencedor”.

Sendo assim, Leo conta que, como desdobramento do filme anterior do coletivo, Eu, empresa avança na ideia da escrita de si, do quanto o mercado dita um tipo de autorepresentação. “Tudo isso está incorporado a um projeto que é muito maior que é o neoliberalismo. Como isso tem sido, de alguma forma, uma infecção em nossas vidas. A lógica empreendedora é parte desse processo neoliberal”.

A roteirista Amanda Devulsky comentou que a observação da performance dos próprios realizadores de cinema em palcos de festivais pelo Brasil serviu de laboratório para a construção do personagem Joder, um trabalhador informal que decide criar um canal no YouTube para tentar sobreviver. “Marcus (o diretor) e Joder se confundiam bastante. Havia uma intersecção entre eles”, contou.

Segundo Amanda, o processo de construção do filme também desemboca na ideia da “uberização” da economia. “Foi um trabalho também pensado nesse contexto do capitalismo cognitivo, das nossas emoções e interações sociais sendo apreendidas por esse poder econômico de forma tão severa”.

A produtora Marisa Melo acrescentou que o desafio da produção foi, paradoxalmente, lidar com um orçamento um pouco maior do que o coletivo estava acostumado. O projeto foi contemplado com o edital do Prodav, da Ancine. Ela informou que Eu, empresa, além de longa-metragem, será também uma série a ser exibida na TVE Bahia. “Está bem difente!”, avisou.

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