DEBATE SOBRE O FILME “KEVIN” DESTACA A FORÇA DA AMIZADE FEMININA QUE SUPERA AS DISTÂNCIAS E DIFERENÇAS

A emoção foi a marca do bate-papo do filme “Kevin”, parte da série de debates “Encontro com os filmes”, realizado nesta quarta-feira, dia 27 de janeiro. O longa-metragem integra a Mostra Aurora e pode ser visto, até dia 28, às 20 horas, no site www.mostratiradentes.com.br.

Participaram da discussão, Joana Oliveira– diretora, roteirista, personagem do filme; Gustavo Fioravante – desenho de som e personagem; Luana Melgaço – produtora; Kevin Adweko – personagem e a crítica convidada: Mariana Queen |SP. A mediação foi de Marcelo Miranda – crítico de cinema |MG.

Para Mariana Queen, mais do que a amizade entre Kevin e Joana, o filme é principalmente sobre essa relação intercultural das duas mulheres. “Ele responde que é possível uma amizade entre brancos e negros, de culturas tão diferentes, uma amizade tão profunda que supera as diferenças e o racismo”. A crítica comentou esse amor entre as duas amigas, lhe fez lembrar sua própria história. “Como é bonito ver um filme feito por uma amiga para outra amiga, com essa amizade que perdura o tempo e a distância. Uma produção como essa, nos tempos de hoje, me emociona”.

Mariana chamou atenção também para a tradicional representação, fruto da cultura colonial e imperialista, da mulher africana que é sempre mostrada como aquela que cuida dos outros. E também do exotismo presente nas produções, que destaca o que há de exótico na África, desumanizando as pessoas. “O filme muda um pouco essa lógica e promove um equilíbrio entre essas representações. Joana não outriza Kevin, nem exotiza a personagem em seu próprio ambiente na África. É uma produção que  humaniza a figura dessa mulher”.

“Kevin é uma representação de cuidado e amor incondicional para a Joana”, afirmou Mariana, “e a amiga atravessa o mundo para ir atrás desse amor”, salientou. A crítica ressaltou ainda o sentimento de empatia apresentado no longa-metragem. “O filme me mostra como elas se refletem uma na outra. Como esse corpo, tornado mulher, deixa a gente com os mesmos dilemas, essa questão emocional que aproxima muito as duas. O que é ser mulher no mundo.”

Durante o debate, foi possível ouvir um pouco de Kevin Adweko, a amiga e personagem que dá nome ao filme, com o auxílio do tradutor César Melo. Falando direto de Uganda, ela comentou a situação pouco usual de estar no filme e a vontade de poder gritar o que estava sentindo. “A Joana talvez não tenha entendido ainda a profundidade deste trabalho, que é algo muito pessoal para mim. Me vejo ali e fico me perguntando se sou eu mesma ali, pois a Joana tem uma forma muito linda de me colocar na tela”.

Kevin explicou que é uma amizade tão pura que é difícil distinguir uma amiga uma da outra. “Nós passamos pelas mesmas situações na Alemanha, como duas estrangeiras. E somos dois seres humanos que não ficamos analisando uma à outra, mas sim, encontramos um território comum”. Sobre a experiência de ser uma personagem, Kevin comentou que, apesar de algum desconforto, foi muito divertido. “Uma coisa muito interessante é que as conversas que tínhamos juntas são muito profundas e naturais. Na frente das câmeras não tínhamos essa naturalidade, mas acho que conseguimos transmitir isso”.

Muito emocionada, a diretora Joana Oliveira reforçou que, para fazer o filme, buscou se cercar de pessoas muito queridas. “Profissionais muito competentes, muito próximos a mim e em quem confio muito”. Joana relembrou que este projeto demorou oito anos para chegar às telas. “Não foi um filme fácil de financiar e nem barato, porque precisávamos levar a equipe para fora do país. Comecei o projeto em janeiro de 2013 e ouvi muitas críticas, de pessoas que não acreditavam nessa história e na força da amizade entre as mulheres”.

Joana apontou ter sido um grande desafio se colocar na frente da câmera. “A minha vontade era mostrar algo bem íntimo, como duas amigas conversando na cozinha. Tinha certeza que a Kevin seria o máximo na tela, mas não sabia como eu ficaria. Foi difícil demais, quase um trabalho de autodireção. Como diretora, ficava o tempo todo querendo entender o que estava acontecendo atrás das câmeras. É uma coisa muito diferente ser personagem do próprio filme”.

Segundo Joana, a discussão sobre o racismo sempre esteve presente durante o desenvolvimento do projeto. “Levamos para a África uma equipe com três pessoas negras e duas brancas. Contamos também com uma consultoria de cineastas e uma montadora do Quênia para ter uma visão menos enviesada do material”.

Personagem em algumas cenas do longa, e também companheiro de Joana, Gustavo Fioravante foi o responsável pelo desenho e captação de som do longa. “Foi um grande desafio fazer o som direto em Uganda, desses momentos de intimidade entre as duas. Os equipamentos disponíveis não têm a sensibilidade e a capacidade de ir do som baixo ao alto tão facilmente, sem prejudicar o resultado final do filme. Além disso, precisávamos gravar tudo o que foi preciso de uma vez, já que não dava para voltar ao país para gravar novamente”, explicou.

A produtora Luana Melgaço frisou a emoção que o longa traz, nesse momento em que estamos todos muito sensíveis. “O filme é um calor no coração. A força da amizade da Joana com a Kevin tocou todos que se envolveram com o projeto. Foi um exercício muito forte de estar no mundo e como a gente modifica o nosso entorno a partir do fazer”.

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TODA PROGRAMAÇÃO É OFERECIDA GRATUITAMENTE AO PÚBLICO.

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