DEBATE SOBRE O FILME “ROSA TIRANA” DESTACA O OLHAR POÉTICO SOBRE O SERTÃO MÍTICO E MÁGICO

O terceiro debate da série Encontro com os Filmes, realizado nesta terça, dia 26, foi sobre o longa-metragem “Rosa Tirana”. O filme integra a seleção da Mostra Aurora e poderá ser visto até dia 27, às 22 horas. Participaram do bate-papo o diretor e roteirista Rogério Sagui, a atriz Kiarah Rocha e o ator José Dumont. Cleber Eduardo |SP, um dos idealizadores da Mostra Aurora, foi o crítico convidado. E a mediação foi do crítico de cinema Marcelo Miranda |MG. 

Cleber Eduardo destacou que, desde o letreiro de abertura do filme, sua relação com o longa foi com as representações imagéticas daquele sertão apresentado na tela. “É um sertão atemporal, que permanece em todas as suas mudanças e transformações, pela sua carga simbólica, mitológica e representativa. Que apresenta um espaço familiar, situações familiares, mas que lida com esse espaço de forma diferente, que se desvia da tradição de representação do sertão no cinema”.

O criticou chamou atenção também para a “fabulação e pela consciência no próprio longa de que está representado o sertão com uma carga muito poética e mitológica”. Para Cleber Eduardo, “a ideia da jornada, o que ela produz, é menos um investimento na confecção cênica e mais uma ideia de estações em seu percurso. Percebemos que o filme está de passagem, que ele se instala na personagem e é aberto a essa atitude fabular”. 

Rogério Sagui comentou que cresceu cercado por um emaranhado de vários sertões, de artistas como Geraldo Sarno, Guimarães Rosa, Glauber e Ariano Suassuna, mas que ainda não tinha muita clareza sobre qual era o seu. “Nesse roteiro que surgiu em um devaneio, de madrugada, essa menina andava por um sertão que era outro e que já estava dentro de mim, nas histórias dos meus avós e tios. Fui resgatando, nessas memórias e lembranças dos meus antepassados, um sertão muito mais lúdico do que o que vivencio aqui no sul da Bahia. Isso me instigou a procurar além da geografia, por um sertão da beleza e mitos. Esse o sertão de Rosa, é uma junção de todos os sertões ao mesmo tempo”. O diretor e roteirista afirmou que foi um grande desafio “retratar esse sertão com sua dureza, mas que tem como principal elemento a fábula poética que envolve a menina Rosa”.

Desafio também foi a palavra escolhida pela jovem atriz Kiarah Rocha, que interpreta a protagonista do filme, para explicar sobre a sua experiência. “Foi algo bem novo e muito mágico, porque nunca vivi no sertão. Nas gravações, buscamos explorar as raízes do sertão, mas sempre voltando para a nossa imaginação mágica, para isso ficar ainda mais incrível. Rosa é uma personagem forte que guardarei para sempre no meu coração”.

O veterano ator José Dumont recordou que sua própria história, de sertanejo que teve que conviver com a seca e com a fome, tem semelhança com a jornada da menina Rosa. “Sempre procurei ter um conceito sobre esse nordeste todo com que trabalho, algo mágico”. Dumont salientou ainda a potência da sua relação com o diretor do longa-metragem. “Tenho com um Rogério uma dialética poética, pois ele tem um coração com muita poesia. Foi um prazer fazer este filme, porque eu gosto da poesia que tem nele, uma beleza enorme, que passa tudo o que tem de bom na mitologia intensa do sertão”. 

Kiarah Rocha declarou ter algumas semelhanças com a sua personagem. “Rosa é uma menina muito forte, determinada. Sou assim também, se tenho um problema, procuro enfrentar, ou estender a mão para ajudar quem precisa”. 

Sagui ressaltou a experiência de trabalhar com Dumont e também com os artistas locais. “A interação foi a melhor possível. Foi um sonho trabalhar com o José Dumont, que eu já admiro há muito tempo. Quero continuar trabalhando sempre com atores da região, em intercâmbio com outros grandes atores do cinema. Foi uma equipe maravilhosa que trabalhou no filme, todos voluntários, que acreditaram no projeto, porque praticamente não tínhamos recursos. É muito complicado fazer um filme desse jeito, num meio desse cenário de desmonte do cinema brasileiro”. 

O cineasta colocou em evidência também a oportunidade de ter como cenário o sertão. “Foi um momento maravilhoso, essa interação com vários lugares já povoavam a minha mente. Foi um filme todo feito no interior, há cinco, dez minutos do centro da cidade. Mas também foi desafiador, porque precisei esperar o período de seca para filmar. Nesse meio tempo, a menina Kiarah foi crescendo. Foi muito bonito e um desafio”.

Questionado sobre a opção de retratar o cenário seco do sertão, Rogério Sagui esclareceu que não poderia falar do espaço de outra forma. “O sertão passa a maior parte do tempo seco. E a busca e a força do sertanejo sempre sobressai nesse momento”.

O diretor deixou um convite para o público do filme encontrar em “Rosa Tirana” suas próprias referências. “O filme, essa saga tão anacrônica e seca, onde a Rosa consegue encontrar com o belo, joga várias metáforas na tela”. E enfatizou, junto com José Dumont, a importância da participação de Elba Ramalho no longa-metragem. “Precisava de algo que conectasse céu, terra e essa coisa mágica e mística do sertão. E Elba foi de uma generosidade extrema, gravando a trilha sonora que compus e que deixou o filme ainda mais belo.”

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