Em cenário pandêmico os realizadores tiveram como aporte para as produções a Lei Emergencial para o Audiovisual, o que resultou em diversos filme que estão em cartaz na 25 Mostra de Cinema de Tiradentes. sendo assim, a MOSTRA PANORAMA 4 – Mestres, Comunidades e Saberes Populares, é dedicada somente a filmes realizados através da Lei Aldir Blanc, cujos enredos e realizações perpassam uma história das localidades, das tradições e das memórias. Dentre os selecionados que enquadram-se no recorte, estão os seguintes filmes:

SEGUINDO TODOS OS PROTOCOLOS, de Fábio Leal – Recife (PE)

Mostra Aurora

Após ficar 10 meses sozinho em quarentena, Francisco quer transar.

AVÁ – ATÉ QUE OS VENTOS ATERREM, de Camila Mota – São Paulo (SP)

Mostra Olhos Livres

53.000 anos antes ou depois de ninguém, há três dias o eixo da terra está parado. O sol e a lua habitam o horizonte da terra ao mesmo tempo, alinhados. As vibrações sobre a superfície reduziram consideravelmente, estamos agora muito próximos do marco zero vital. As células das plantas e a hemoglobina humana precisam se encontrar. Só há um momento para a fotossíntese. O horror dos trópicos corroeu todos os olhos. Libertem a partícula condensada de tudo.

AS FACES DO MAO, de Dellani Lima e Lucas Barbi – São Paulo, Mauá, São Bernardo do Campo (SP)

Mostra Praça

A trajetória e o cotidiano de José Rodrigues Mao Jr., professor de História, sindicalista, vocalista e fundador dos Garotos Podres, uma icônica banda punk brasileira dos anos 80.

A REALIDADE NÃO TIRA FÉRIAS, de COLETIVO CIDADE BAIXA (BA)

Mostra Jovem

No filme A Realidade Não Tira Férias, depois de uma longa interrupção das aulas no Ensino Público, três jovens da periferia de Salvador são convidados a escrever sobre suas “férias” e relatam seus desafios na educação e na vida durante o período da pandemia, fazendo um forte apelo em nome da juventude negra.

ALÁGBEDÉ, de Safira Moreira (BA)

Mostra Panorama

Do ferro-velho ao terreiro, Zé Diabo forja deuses em sua oficina por meio do caminho de Ogum.

ANGU RECHEADO DE SENZALA, de Stanley Albano (MG)

Mostra Panorama

Releitura da história do Pastel de Angu, patrimônio da cultura mineira, que tem na sua origem o período da escravização dos negros e negras no Brasil. “Fubá recheado de senzala” é um docu-drama autoficcional, é narrativa de um povo que permanece sem registro, sem livro de receita, biografia ou álbum de foto. É história de uma comida mineira que tem na sua base a escravidão.

ANO 2020, de Coletivo Olhares (Im)Possíveis (MG)

Mostra Jovem

Com cenas cotidianas de Ouro Preto-MG por quem não mora em seu centro, Ano 2020 retrata a vida de jovens que viveram suas adolescências em isolamento. Uma mensagem de texto de um dos seus participantes despertou o desejo do grupo de falar sobre suas vivências durante a pandemia do Covid-19. O filme foi realizado pelo Coletivo Olhares (Im)possíveis, que desde 2018 se encontra para produzir imagens e compartilhar experiências.

CABOCOLINO, de João Marcelo (PE)

Mostra Panorama

Seu João de Cordeira é um agricultor, aposentado de 78 anos, artista popular que luta para manter viva a tradição do Bloco de Caboclinhos do Sítio Melancia em João Alfredo PE, agreste pernambucano. A tradição do bloco vem passando por várias gerações ao longo dos anos. O seu avô, por conta de dificuldades climáticas migrou para a cidade de Juazeiro do Norte CE e conviveu muito próximo ao Padre Cícero. Ao falecer, o Padre Cícero o enterrou em um solo sagrado. Nosso personagem tinha um sonho de prestar uma homenagem ao seu avô em Juazeiro do Norte CE. O documentário traz essa jornada de fé, de lutas, de cultura e traz a simplicidade de um guerreiro em homenagear o seu antepassado.

CENTRAL DE MEMÓRIAS, de Rayssa Coelho e Filipe Gama (BA)

Mostra Praça

A luta pela moradia e a produção de um grande filme. A memória de quatro mulheres sobre um bairro de Vitória da Conquista e o encontro com o universo do cinema, nos anos 1990.

CORAÇÃO SOZINHO, de Leon Reis (CE)

Mostra Panorama

Ntima está na sua última viagem pelo tempo, já Oreny está na sua segunda missão. O coração ainda está perdido no espaço-tempo. A casa está fechada.

CURIÓ, de Priscila Smiths e P.H.Diaz (CE)

Mostra Panorama

CURIÓ nasceu da teimosia de um grupo de moradores. Quase todos  flagelados, tentando escapar da seca, ou apenas procurando um lugar para morar. Os  moradores que iniciaram o nascimento do bairro contam essa história. Desde os mais velhos, até as novas gerações que encontraram no bairro uma nova forma de começar. A atual geografia do bairro é investigada. Novos lugares que se criaram, novos mutirões. A nova geração examinado o bairro e como  a expansão hoje se dar hoje. Seus espaços, pessoas e culturas. Esse corpo-fronteira- que se forma e se estende para outros lugares.

ICEBERG, de Will Domingos (RJ)

Mostra Foco

Em meio à segunda onda da pandemia no Rio de Janeiro, falta água na cooperativa de costura de Madá, onde jovens LGBTQIA+ vivem e trabalham. Renê, um dos residentes, pinta a angústia de um espírito misterioso, que assombra o abrigo através do encanamento. Noutra parte da cidade, Ismael, um encanador solitário, vive o mesmo tormento.

ÍMÃ DE GELADEIRA, de Carolen Meneses e Sidjonathas Araújo (SE)

Mostra Praça

Depois de uma série de apagões no bairro, Joyce e Gigante, um casal de costureiros, perdem a sua geladeira. Eles saem em busca de um novo eletrodoméstico.

NA ESTRADA SEM FIM HÁ LAMPEJOS DE ESPLENDOR, de Liv Costa e Sunny Maia (CE)

Mostra Foco

Uma vez, elu disse: quando fui embora de mim, adeus era tudo o que tinha para dizer. Nessa viagem, talvez não exista uma chegada. Só um caminho infinito.

POSSA PODER, de Victor Di Marco e Márcio Picoli (RS)

Mostra Panorama

Em uma noite, Lucas, Luiza e Bia relembram as dores e as delícias de serem quem são.

RUA DINORÁ, de Natália Maia e Samuel Brasileiro (CE)

Mostrinha

Dinorá é uma menina de 10 anos que mora na Rua 749, no bairro Conjunto Ceará, na cidade de Fortaleza. Faixa branca no karatê, seu grande sonho é vencer o campeonato interestadual. Para que as atletas possam viajar, elas precisam angariar fundos para o time, por meio da venda de rifas para familiares e vizinhos. Ao descobrir que suas colegas moram em ruas com o nome de personalidades históricas, Dinorá empreende, em seu jornada para a venda das rifas, uma investigação sobre o nome de sua própria rua e acaba descobrindo a força coletiva na construção dos espaços habitados.

SANTO RIO, de Lucas de P. Oliveira e Guilherme Nascimento (MG)

Mostra Regional

No início dos anos 2000, São Sebastião do Soberbo foi destruída para a construção da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (também conhecida por Candonga). Controlado pela Vale S.A. e Aliança Geração de Energia S.A, o projeto foi feito para gerar energia elétrica para a região. A destruição da cidade foi a destruição da paisagem, do trabalho e da identidade da população ribeirinha que tinha o rio como sustento. Em 2015, a barragem de rejeitos de Fundão rompeu a 35 km da cidade de Mariana. O desastre industrial causou o maior impacto ambiental envolvendo barragens de rejeitos da história do Brasil com 19 mortes. A pesca foi suspensa devido à lama e outras fontes de renda foram perdidas. A Usina Candonga foi a segunda hidrelétrica a ser atingida pela inundação de lama de rejeitos de minério da mineradora Samarco Mineração S.A. Cinco anos depois, continua o sofrimento das famílias que aguardam o reparo adequado.

TAXA DE RETORNO, de Matheus Vieira (MG)

Mostra Regional

A história do Estado de Minas Gerais e da exploração minerária se confundem desde as primeiras incursões da coroa portuguesa ao interior do país. O discurso é sempre mesmo; a exploração trará riqueza, prosperidade, renda. O sonho de uma vida melhor. Taxa de Retorno documentou a história da comunidade São Pedro, um povoado simples, característico de Minas Gerais, que teve suas vidas radicalmente mudadas com a chegada da mineração.

TIME DE DOIS, de André Santos (RN)

Mostra Praça

Flávio e Wendel são da mesma escolinha de futebol e compartilham o sonho de serem jogadores profissionais. Flávio tem dúvidas se deve continuar tentando e com a possibilidade de sua desistência, Wendel percebe que o que eles sentem um pelo outro pode ser mais que amizade.

VIVER DISTRAI, de Ayla de Oliveira (PE)

Mostra Panorama

Na sexta-feira, que seria a abertura do carnaval do Recife de 2021, cancelado pela pandemia, um casal de namoradas, na cidade vazia, se entrega a uma festa que só está acontecendo dentro delas, realizando o desejo de trazer o carnaval de volta e a felicidade do ano todo.