EM DEBATE NA TERÇA-FEIRA, ROTEIRISTAS EXALTARAM O PODER DAS PERSONAGENS DE FICÇÃO DE RECRIAREM UM OUTRO TIPO DE HUMANIDADE

Na programação dos debates conceituais da 24a Mostra de Cinema de Tiradentes, foi realizado na tarde dessa terça-feira o encontro “O que é uma personagem?”, reunindo três diretores/roteiristas para falarem sobre seus processos de criação: Gabriel Martins (MG), Carol Rodrigues (SP) e Lincoln Péricles (SP), sob mediação do pesquisador e cineasta André Antônio. A proposta foi de levantar questões sobre como as personagens começam a existir e quais elementos as compõem na concepção de cada participante.

Surgiu bastante forte na conversa a importância das vivências urbanas, do corpo a corpo na cidade, para o desenvolvimento não só de figuras da ficção, mas de toda uma construção de mundos próprios. Gabriel Martins, por exemplo, contou que seu aprendizado se deu de maneiras mais instintivas do que por métodos tradicionais de ensino, como manuais de roteiro ou fórmulas consagradas em produções comerciais especialmente de Hollywood.

Morador da periferia de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Gabriel estudou e trabalhou na capital desde muito jovem. Nas idas e vindas de ônibus, onde permanecia por pelo menos duas horas ao dia, deparou-se com a fascinante paisagem humana de uma grande cidade. “Sempre o transporte público foi um ponto de muita invenção pra mim, vendo essas pessoas que me despertavam sentimentos muito fortes e que apareciam em paralelo ao cinema que eu via naquele período. E o que eu via no meu cotidiano era muito oposto ao que eu assistia nos filmes”, comparou ele, em referência ao final dos anos 1990 e começo dos anos 2000.

Era uma época de ascensão do cinema brasileiro, que foi se ampliando e se democratizando nas duas décadas seguintes, permitindo a jovens realizadores se expressarem e falarem de seus espaços. “Dessa minha formação veio a ideia de que escrever personagens ia ser eu propor encontros diante da câmera, pensar caminhos que ainda não tinham sido atingidos. Até hoje sigo esse movimento de colocar na tela coisas que eu estou com vontade de ver”, descreveu. “Uso a minha história de vida, mas acho que tem outras pessoas muito mais interessantes que eu (risos). Quando coloco algum personagem na tela, estou pegando emprestada uma vida que eu não vou viver”.

Para Lincoln Péricles, é importante que os fazedores de cinema ajam como educadores também, estimulando que aspirantes à realização não sejam abafados nos caminhos que forem encontrando. “Não é que eu ache bons os manuais de roteiro, não é isso, mas não vou chegar em quem tá começando dizendo pra não estudar alguma coisa. Todo conhecimento é bem-vindo”. Lincoln, morador e atuante no Capão Redondo, periferia de São Paulo, apontou como os últimos dez anos foram essenciais na trajetória de tantos jovens como ele. “E já tem uma geração que está vendo os nossos filmes, que se inspira neles, que têm como exemplos de um cinema que passou a existir e que não tinha antes”. Ele rechaçou rótulos como “experimental” ou cinema de “arte”, tão usados pelo mercado para definir trabalhos como os dele. Para Lincoln, no aprendizado de cinema esse tipo de separação não deveria ser estimulada.

Diretora e roteirista de projetos independentes e também de séries na Netflix, Carol Rodrigues frisou que as pessoas interessadas em construir personagens no cinema devem poder escolher de que forma farão isso, tendo as oportunidades possíveis às várias vozes e experiências que ganharam espaço nos últimos anos. A pluralidade, para ela, é a base de um cinema diverso. Em seu caso particular, contou também ter sido afetada pela geografia desigual de São Paulo. “Eu atravessava duas horas de ônibus pela cidade para ir ao cinema e via vários filmes de uma vez, para então voltar mais duas horas até em casa”, relembrou. “Por conta disso, não tem como a cidade estar fora das personagens que eu escrevo”.

Carol frisou que a realidade sempre lhe foi insuficiente para dar conta das subjetividades. “Boa parte da vontade de fazer cinema é a de querer colocar na tela pessoas da nossa cabeça, personagens que reconstroem o humano, é recriar a humanidade, dar visibilidade a quem a gente não estava vendo, ocupar um espaço até então invisível”. A roteirista exaltou a fase atual de produção em que tantos realizadores e realizadoras conseguem se expressar e se representar e acredita que, se uma pessoa se enxerga de alguma maneira na tela, ela percebe ter capacidade de ela mesma criar suas próprias histórias. “Nós que estamos aqui fazendo isso temos essa responsabilidade, temos o poder de mostrar que é possível”, disse ela.

SOBRE A 24a MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

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Trata-se de um programa audiovisual que reúne as manifestações da arte numa programação cultural abrangente, oferecida gratuitamente ao público, que prevê a exibição de mais de 100 filmes brasileiros, promove homenagem, oficinas, debates, mostrinha de cinema, exposições, shows musicais, performance audiovisual, encontros e diálogos audiovisuais e atrações artísticas.

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O QUE É UMA PERSONAGEM

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