EM DEBATE SOBRE A OLHOS LIVRES, CINEASTAS FALAM DA LUTA POR TERRITÓRIO E PELO ESPAÇO DA FÁBULA NO CINEMA

O primeiro Encontro com os Filmes dedicado à Mostra Olhos Livres foi realizado nessa sexta-feira (29) e reuniu um grupo de realizadores para discutir “Nũhũ Yãg Mũ Yõg Hãm: Essa Terra é Nossa!”, “Amador” e “Irmã”, com mediação da curadora Lila Foster. De práticas, processos criativos distintos e perspectivas contrastantes, os títulos demonstraram ter em comum a inquietação por estados de mundo que se apresentam como injustos e são reconfigurados pela prática do cinema aqui praticada. 

O caso de “Nũhũ Yãg Mũ Yõg Hãm: Essa Terra é Nossa!” é exemplar nesse sentido desde o grito imperativo de seu título, que remete à documentação de uma busca da terra originária de povos indígenas da comunidade maxakali. Assinado por dois indígenas, Isael Maxakali e Sueli Maxakali, e por Carolina Canguçu e Roberto Romero, o filme se caracteriza por esse encontro de povos em prol da resistência e da luta. “É importante ver esse filme para saber como está a situação dos maxakali, impedidos de entrar em suas terras para poderem contar suas próprias histórias”, disse Sueli, num vídeo exibido durante o debate. 

A codiretora Carolina Canguçu contou ser este o quarto filme feito em conjunto com a comunidade e o primeiro em que houve uma participação ativa de todos os participantes. “Até então fazíamos a produção técnica e os maxakali decidiam tudo, da concepção ao que filmar. Já nesse, que é um projeto de 2012 sobre a questão territorial, fizemos em conjunto para podermos percorrer aldeias e conflitos em busca de um apanhado histórico de como se chegou ao estado de confinamento ao qual eles estão submetidos hoje”, disse ela.

Também de uma parceria intensa surgiu “Amador”, no qual a diretora Cris Ventura acompanha o artista urbano, poeta, performer e pintor Vidigal, uma das mais criativas e luminosas expressões do underground de Belo Horizonte A proximidade de Cris com Vidigal data de muito antes do filme, vindo de uma vivência constante no cenário cultural da capital mineira e de uma amizade que se formou através da arte. “Tínhamos planos de trabalhar juntos num filme e, logo depois que exibi meu primeiro longa na mostra Aurora (‘Na Minha Mão eu Não Quero Pregos’, em 2013), ele me procurou para registrar uma performance dele no curso de teoria literária que fazia na UFMG”, relembrou a cineasta. 

Percalços pessoais, desencontros profissionais e escolhas e circunstâncias da vida errante de Jônatas Amador, o Vidigal, adiaram o projeto, somente retomado em 2020, quando Cris vasculhou os próprios arquivos em busca dos registros do amigo, falecido em 2019. “O filme tem o desejo de dar visibilidade a ele, ao trabalho dele, de uma forma que valorizasse sua figura, diferente da maneira como era visto em alguns círculos”, destacou ela.

Por fim, em relação a “Irmã”, a dupla Luciana Mazeto e Vinícius Lopes contou ter buscado uma diferenciação nesse filme em relação trabalhos anteriores, de cunho mais documental. Dessa vez, optaram por uma ficção de acabamento narrativo acentuado, o que não os afastou do voo poético presente em outros projetos. “Antes a gente filmava registros documentais e, a certa altura, íamos para tons mais fabulares. Quando fomos fazer um filme como ‘Irmã’, aconteceu o movimento contrário, inserindo, na imaginação e na fantasia, elementos das nossas próprias realidades”, revelou Luciana. Em “Irmã”, a jornada das personagens sai de Porto Alegre para o interior do Rio Grande do Sul e acompanha duas garotas em busca do pai, mesclando o drama familiar a toques de ficção científica. 

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Trata-se de um programa audiovisual que reúne as manifestações da arte numa programação cultural abrangente, oferecida gratuitamente ao público, que prevê a exibição de mais de 100 filmes brasileiros, promove homenagem, oficinas, debates, mostrinha de cinema, exposições, shows musicais, performance audiovisual, encontros e diálogos audiovisuais e atrações artísticas. 

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