MOSTRA AURORA | JÚRI OFICIAL

Por sua força inaugural, que não é redutível à busca domesticada do novo que frequentemente assombra o experimental, pois reivindica as tradições radicais que pulsam e vivem em encruzilhadas e enqueerzilhadas; pela recusa do embrutecimento que assola o presente, confrontado no filme com uma inventividade cosmopoética múltipla e transformadora, na qual a brutalidade de um mundo fundado na violência contra vidas trans e negras é perturbada por práticas de fuga, aquilombamento e refúgio; pela energia performativa que atravessa sua assinatura coletiva, sem apagar a heterogeneidade de seu lugar de enunciação; pela beleza do modo como participa de uma nebulosa trans e travesti no cinema brasileiro contemporâneo, alimentando uma explosão que perturba as categorias, na medida em que fala de coletividades que ainda não existem, concedemos o prêmio de melhor longa da Mostra Aurora na 25ª edição da Mostra de Tiradentes para Sessão Bruta, dirigido por As Talavistas e ela.ltda.

PRÊMIO HELENA IGNEZ | JÚRI OFICIAL

Por viabilizar e apoiar a criação de filmes disruptivos em um momento de crise política e econômica do audiovisual brasileiro, expressando a vitalidade do cinema diante dos efeitos econômicos e sociais derivados da pandemia da Covid-19 e a efetividade de mecanismos como a Lei Aldir Blanc de forma criativa e inventiva.

O Prêmio Helena Ignez vai para Juliana Soares, produtora executiva e co-produtora do filme Seguindo Todos os Protocolos.

MOSTRA FOCO | JÚRI OFICIAL

Por sua força solar, política, histórica e afetiva. Pela forma como atravessa nossa espectatorialidade como um lampejo potente de memória e pesquisa, de partilha e de energia criativa sobre formas de pertencimento e afirmação de uma sexualidade dissidente no contexto atual brasileiro. Pelo modo como constrói uma narrativa afetiva pautada pelo desejo e pelo encontro de gerações lésbicas, projetando um entrelaçamento de temporalidades nas fricções desse encontro. Pela bravura política e estética com que produz um sentido de comunidade e mesmo de futuridade na imaginação da vida em conjunto, materializando o desejo sapatão no sexo e na construção de uma coletividade. Por nos afetar como um manifesto de vida no abismo do presente. Por essas razões, concedemos o prêmio de melhor curta da Mostra Foco na 25a edição da Mostra de Tiradentes para Uma paciência selvagem nos trouxe até aqui, dirigido por Érica Sarmet.

PREMIO WIP MEETING

Pamela Bienzóbas, Davide Oberto, Roger Koza, Cecília Barrionuevo

Junto aos outros convidados da Mostra Tiradentes para o Conexão Brasil CineMundi, Cecília Barrionuevo, Roger Koza, Davide Oberto, e Pamela Bienzóbas, primeiro agradecem a mostra por essa oportunidade de conhecer esses filmes, esses trabalhos, tantas miradas do cinema brasileiro atual

É um grande privilégio, também é um privilégio e responsabilidade escolher os dois prêmios desse primeiro Conexão Brasil CineMundi.

Neste caso foi um pouco mais difícil porque foram nove projetos e alguns têm diferenças no sentido de seus desenvolvimentos e na fase em que estão, cada um dos filmes. Mas pudemos às vezes intuir em um plano, em uma sequencia, a existência, e não somente em um filme, de uma visão de mundo e junto com essa visão de mundo uma visão de cinema 

E em certas ocasiões, esses tipos de prêmios são também não somente entender que há aí uma evidência, senão também uma porta. Por essa razão, dos nove filmes em construção que assistimos, escolhemos unanimemente entre nós quatro o seguinte vencedor: “O Rancho”, de Guilherme Martins.

PREMIO MÁLAGA WIP

Walter Tiepelmann

Olá a todos, sou Walter Tiepelmann, programador do Festval de Málaga, Espanha

Este ano celebramos um acordo com CineMundi para convidarmos um filme WIP para participar da nossa zona da indústria que acontecerá durante a terceira semana de março na cidade de Málaga, Espanha

Por sua narrativa contemporânea e seu interesse na temática e na memória de um Brasil que luta contra o esquecimento, o filme ganhador do prêmio Málaga WIP é:

 “Nada” de Adriano e Fernando Jayme Guimarães.

PRÊMIO VITRINE FILMES

Letícia Santinon

A Letícia Santinon, gerente de projetos da Vitrine Filmes, anunciaria o vencedor desta edição do Conexão Brasil CineMundi Tiradentes para o  prêmio Vitrine Filmes de distribuição, e o filme selecionado foi: Mugunzá, de Ary Rosa e Glenda Nicácio.

PREMIO WIP EXIBIÇÃO

Pamela Bienzóbas, Davide Oberto, Roger Koza, Cecília Barrionuevo

O prêmio do WIP Exibição é para um filme que questiona um conjunto de saberes,  um filme que também coloca em questão sobre ficção e não ficção e que sobretudo apresenta realidades e identidades diversas através do cinema. E é um filme também que contém um trabalho realizado durante muitos anos junto a uma comunidade indígena guarani. O prêmio então vai para  “A Transformação de Canuto” de Ariel Kuaray Ortega e Ernesto de Carvalho.

PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS | MOSTRA FOCO

Júri Canal Brasil –Júlia Lee Aguiar, Miguel Arcanjo e Paulo Henrique Silva

Diante da grande qualidade dos filmes apresentados na Mostra Foco, dentro da 25ª Mostra de Cinema de Tiradentes, a comissão escolheu aquele que mostrou uma grande potência narrativa ao tratar da questão da visibilidade LGBTQIA+ a partir do encontro de duas gerações diferentes de lésbicas, costuradas por um grande trabalho de elenco e direção. Dessa forma, o curta da Mostra Foco, ganhador do Prêmio Canal Brasil é Uma paciência selvagem nos trouxe até aqui, de] Érica Sarmet.

MOSTRA OLHOS LIVRES | JÚRI JOVEM

Diante da mostra Olhos Livres, nos deparamos com corpos que engatinham, explorando de forma ainda um pouco perdida as possibilidades do cinema, ao lado de corpos que já se sustentam e caminham à diante. Uma caminhada já tonificada, que flui com naturalidade, sustentada por uma coluna vertebral que conecta suas diferentes partes. Ao caminhar, este corpo encontra uma  linguagem madura na contação de estórias.

A partir dos arquivos encontrados nos escombros, dos papéis deixados num canto de armário, do anonimato daqueles que não podem revelar seus nomes, a falta convoca a criação. Nesse cenário, ao falar de um momento anterior no qual a escassez de registros era a ordem do dia, reconstruir memórias através da fabulação aponta para uma das saídas possíveis.

Conta-se histórias a partir da foto rasgada, do documento mofado, dos acervos inundados, das películas queimadas. Da lacuna, resta imaginar o que foi, como poderia ter sido. Na textura da imagem ruidosa da VHS, confundimos tempo e espaço, criando memórias forjadas. E se, mesmo depois de tantos anos, o projeto de apagamento ainda persiste? Apropriar-se de suas próprias memórias é ato de resistência. Acende-se um lampião na história.

Um farol para a importância de orçamentos capazes de dar conta da criatividade do cinema nacional. Uma aposta para um futuro de políticas públicas que acolham os filmes e valorizem os profissionais, de um cinema que se sustente em corpo e em capital. Em um momento de transições tanto técnicas, estéticas quanto políticas, busca-se enxergar nessa luz novos caminhos a prosseguir. Em meio a escuridão, vislumbrar um país que aposte na cultura como força, que possibilite a construção criativa de estórias.


Por convocar as potencialidades da arte frente aos apagamentos da memória e apresentar uma maturidade fílmica na construção da linguagem, Os Primeiros Soldados, de Rodrigo de Oliveira, foi o filme escolhido pelo Júri Jovem da 25º Mostra de Cinema de Tiradentes para receber o prêmio Carlos Reichenbach da Mostra Olhos Livres.