O CINEMA NÃO PODE ESTAR SEPARADO DA VIDA DE QUEM FAZ, DEFENDEM REALIZADORES EM DEBATE SOBRE VERTENTES DA CRIAÇÃO

O amálgama incontornável entre o ofício de cinema e as relações de vida permeou o debate “Vertentes da Criação”, realizado na manhã de sábado (23) na 24a Mostra de Cinema de Tiradentes. Mediada pela curadora Lila Foster, a dupla de realizadores Cristina Amaral e Adirley Queirós conversou por uma hora com o público virtual do evento, compartilhando seus modos de fazer, de pensar e de sentir a produção audiovisual. Marcados pela forte autoralidade e também por um senso comunitário de fazer e fruir os filmes, ambos têm no currículo projetos como “Branco Sai, Preto Fica” e “Era uma Vez Brasília”, dirigidos por Adirley, e “Serras da Desordem” e “Já Visto Jamais Visto”, montados por Cristina e direção de Andrea Tonacci. 

“O modelo de produção faz os filmes”, resumiu Adirley, ao descrever de que maneira se aproxima daquilo que vai realizar. “Eu tenho uma relação de trabalho com o cinema, é o meu ofício. E o processo de criação nasce entre o trabalho e o desejo coletivo de quem está disposto a entrar nele, e esse processo sempre vai gerar um filme diferente a cada projeto. O processo criativo acima de tudo é individual, depois expande pro coletivo”, disse. 

O diretor acredita que cada produção é fruto de seu momento histórico e do entendimento dos envolvidos sobre o mundo ao redor naquele instante. “Movidos por vontade, por desejo, por paixão, fazer os filmes é inevitável pra gente, mesmo agora, sob total ataque à produção e a qualquer possibilidade de questionamento”.  

O discurso de Cristina Amaral encontrou fortes pontos de contato nessas mesmas questões. Para ela, o cinema ao qual ela se dispõe a fazer não tem espaço para acomodação, por ser “absolutamente colado com o viver”. “Essa busca vai dando a forma como caminhamos no processo de trabalho”. Ela contou que, mesmo não estando sempre presente nos sets de filmagem quando assume a montagem de um filme, as horas na ilha de edição a envolvem e a inserem no projeto. “Tenho uma amiga que perguntou se eu não me sinto solitária enquanto estou montando, e eu disse que nunca estou sozinha: aquelas pessoas todas nas imagens estão ali comigo, nesse intenso convívio com aquele material que me permite compreender todas as buscas dos participantes e do diretor”.

Diante do atual cenário de desmonte da cultura e do audiovisual no Brasil, Cristina Amaral apontou que é urgente a tomada de consciência da busca pela autonomia e pela desobediência. “A gente tem que cobrar as obrigações do Estado, de cuidar da saúde, da cultura, do meio ambiente. Se ele não faz isso, então para quê precisamos de governo? Hoje temos um governo que não é pra gente, ele está aí pra cuidar de outras coisas, não das pessoas. Precisamos de movimentos para buscar autonomia, pra que a gente possa atravessar e projetar um sonho, um mundo melhor”, exortou ela. “A casa caiu (politicamente), não podemos ter dúvidas disso, e esse é o momento de sobreviver, em todos os sentidos, e construir alguma coisa lá na frente. O cinema precisa estar junto disso, não existe separação do cinema que eu faço e da vida que eu levo”.

Os tensionamentos também podem, e devem, estar dentro dos projetos, segundo Adirley Queirós. Para ele, a criação “requer brigar com os seus”. “Brigar não é necessariamente romper, e sim fazer um ato reflexivo, encontrar os seus aliados, fazer a revolução ali dentro. O primeiro ato da criação é um ato de revolta”. Segundo o realizador, no momento em que ele define seus trabalho, ele sai em busca de companheiros que acreditam nos rumos buscados e não teme o embate e o conflito como maneiras de mover essa engrenagem criativa. “O primeiro ato de estudar cinema, de pensar um filme, esse ato se transforma num grande filme quando você tem aliados do seu lado. Vamos juntos brigar pelo cinema e, às vezes, nos separar pelo cinema. Na minha cabeça, não existe cinema com conciliação”.

SOBRE A 24a MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

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Maior evento dedicado ao cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão realizado no país. Apresenta, exibe e debate, em edições anuais, o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira, em pré-estreias mundiais e nacionais – uma trajetória rica e abrangente que ocupa lugar de destaque no centro da história do audiovisual e no circuito de festivais realizados no Brasil.

Trata-se de um programa audiovisual que reúne as manifestações da arte numa programação cultural abrangente, oferecida gratuitamente ao público, que prevê a exibição de mais de 100 filmes brasileiros, promove homenagem, oficinas, debates, mostrinha de cinema, exposições, shows musicais, performance audiovisual, encontros e diálogos audiovisuais e atrações artísticas. 

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