Debate na Mostra de Tiradentes discutiu o cinema em transição num mundo dominado por formas infinitas de criação de narrativas

No meio de uma verdadeira revolução tecnológica e da proliferação massiva de imagens em toda e qualquer plataforma, o que resta ao cinema? As plataformas de streaming e as ferramentas de internet empregam grande contingente de profissionais e o trabalho com imagens e sons na música, no teatro e nas artes visuais e performativas se amparam não só na possibilidade de difusão das plataformas digitais, mas também se lançam às possibilidades de criação nas dimensões de uma “tela” em uma dinâmica de som e imagem, o campo e extra-campo próprios do que conhecemos como cinema.

Em torno dessas ideias aconteceu o debate “Cinema em transição” na tarde de domingo (23/1), na programação on-line da Mostra de Tiradentes. Com mediação do curador Francis Vogner dos Reis, a mesa contou com a crítica, performer, curadora e iluminadora Dodi Leal, com a pesquisadora e crítica Maria Bogado e com a pesquisadora e ensaísta Ivana Bentes. Todas apontaram ideias e caminhos para um momento muito singular da produção de imagens, tanto de quem faz quanto de quem consome, e de que maneira a  impureza desses registros é o que mais o alimenta e amplia sua democratização.

Ivana comentou o conceito de “vidas-linguagem”, que se refere à intensa produção  audiovisual que se vincula mais ao pessoal e à intimidade de corpos e vivências do que a eventos ou espaços legitimados de difusão (cinemas, museus etc). “São vidas que produzem linguagem e, para o melhor ou pior, é uma produção de crenças, de mundos e cotidianos próprios. Somos atropelados por uma quantidade de regimes muito distintos e muito novos, que não tem o mesmo repertório ao qual estávamos acostumados vindo do cinema”, disse Ivana Bentes.

Sua percepção é de que esse novo regime permitiu que grupos apartados do circuito de criação e consumo de imagens se integrasse a espaços mainstream (como Instagram e TikTok) com suas criações, muitas vezes feitas como exercícios dessas vidas-linguagem que ganham visibilidade e seguidores. Ao mesmo tempo em que expandiu as liberdades e empoderamentos, essas vidas-linguagem também se espalharam em grupos conservadores de extrema direita. “Eles reconfiguram discursos se valendo de estéticas de vídeo e de edição e de memes para convencer seus seguidores da autenticidade daquilo que está sendo dito, uma forma de se legitimarem dentro desse cenário”, afirmou a pesquisadora.

A crítica Maria Bogado apontou que, historicamente, vive-se uma mudança de paradigmas entre o que TV e cinema sempre fizeram (de filmarem “para fora”, de pensar num espectador que está longe do meio de produção) e o que as novas tecnologias permitem. “Os atuais regimes tecnológicos criam suas próprias formas de visibilidade, em espaços autocriados pelas possibilidades do digital”, explicou ela, referindo-se aos espaços virtuais onde esse material acaba se configurando e se difundindo.

Em sua fala, Dodi Leal trouxe os tensionamentos do uso capitalista de corpos não-hegemônicos na busca por legitimação de determinadas imagens e narrativas especialmente em âmbito institucional. “As instituições, coletivos, editais, festivais passam a assimilar cada vez mais, de um lado, a defasagem do não-reconhecimento das desobediências de gênero e sexuais em suas estruturas e programas curatoriais e, de outro lado, passam a captar  o ‘valor’ da diversidade. Em meio à multiplicidade que o fazer cinematográfico se difunde em múltiplos formatos e perspectivas de produção, interessa saber quais são as mudanças de paradigma que se vinculam a estes processos”, disse Dodi.

A curadora citou o conceito desenvolvido por ela de “teatra”, pelo qual busca perspectivas transfeministas para romper certas instâncias historicamente opressivas em relação ao que se “rebela” diante da hegemonia. E questionou: “Como romper o binarismo corpo-máquina sem trair o cinema?”.

SOBRE A MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

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Maior evento do cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão realizado no país, chega a sua 25a edição de 21 a 29 de janeiro de 2022, em formato online. Apresenta, exibe e debate, em edições anuais, o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira, em pré-estreias mundiais e nacionais – uma trajetória rica e abrangente que ocupa lugar de destaque no centro da história do audiovisual e no circuito de festivais realizados no Brasil.

O evento exibe mais de 100 filmes brasileiros em pré-estreias nacionais e mostras temáticas, presta homenagem a personalidades do audiovisual, promove seminário, debates, a série Encontro com os filmes, oficinas, Mostrinha de Cinema e atrações artísticas. Toda a programação é gratuita. Maiores informações www.mostratiradentes.com.br

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