A Mostra Foco reúne treze curtas-metragens que apostam na instabilidade como método e no dilema como motor de pensamento. Em vez de respostas prontas ou formas reconhecíveis, os filmes selecionados operam no entre, no inacabado, no ruído e na fricção. São obras que se afastam da gramática dominante do cinema contemporâneo, marcada por automatismos de mercado e estratégias de visibilidade, para investigar outras maneiras de ver, ouvir e imaginar. Mais do que afirmar certezas, a Foco propõe permanecer nas dúvidas, acolhendo a aspereza, a inconformidade e as múltiplas temperaturas que emergem do contato entre os filmes.

Sessão 1
A primeira sessão é atravessada por sons, máquinas, matérias e paisagens que revelam tensões entre trabalho, território e memória. Do ruído industrial que se transforma em sinfonia da destruição, passando por variações sonoras que reescrevem histórias marcadas pelo colonialismo racial, até ambientes paranoicos de vigilância e extrapolação, os filmes constroem universos onde humanos e mais-que-humanos se entrelaçam. A sessão propõe uma escuta atenta do mundo material, em que o som, o labor e a paisagem ativam narrativas que resistem ao esquecimento e à estabilização dos sentidos.

Sessão 2
Na segunda sessão, o cinema surge como gesto atravessado pelo território, pela coletividade e pelo confronto direto com seus próprios limites. Entre águas, sonhos, arquivos e cantos ancestrais, os filmes operam rasuras na linguagem e nos discursos identitários, raciais e políticos. Máscaras, animações, poeira e música ativam jogos de deslocamento que questionam quem fala, de onde se fala e quais articulações são possíveis diante da exposição das contradições. É uma sessão em que o fazer cinematográfico pulsa como paixão, risco e im-possibilidade.

Sessão 3
A terceira sessão investiga o tempo, a memória e a fabulação por meio de encontros inesperados, criaturas reinventadas e narrativas fragmentadas. Vampiros à luz do dia, rostos que reorganizam histórias, encontros entre gerações e montagens caleidoscópicas produzem imagens opacas, abertas e sensoriais. Entre ruínas e encantamentos, os filmes apostam na sobreposição de camadas, na teatralidade e no mistério como formas de resistir à linearidade, devolvendo ao cinema sua potência de imaginação, desvio e reinvenção do mundo.