A Sessão Debate traz o retorno de Ruy Guerra, que foi homenageado na 9ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Moçambicano de nascença e presença incontornável do Cinema Novo, é um dos grandes cineastas vivos do cinema brasileiro e ganha um filme que reconhece sua dimensão histórica, artística e política.

Através de leituras e arquivos pessoais do autor e trechos de obras diversas, Tempo Ruy, de Adilson Mendes, não é exatamente um filme sobre Ruy em um tipo de estratégia narrativa que se convencionou realizar nos documentários biográficos atuais, mas é um filme com Ruy, sobre seu trabalho. Realizado durante a pandemia por meio da Lei Aldir Blanc, o filme traz as conversas e o cotidiano ordinário de Ruy Guerra, seus relatos sobre sua trajetória, histórias e seu ponto de vista sobre o mundo e o cinema. Neste sentido, Tempo Ruy está mais para um ensaio do que um documentário direto tradicional. Trabalha as imagens menos como figura e contexto e mais como reminiscência e digressão.

Adilson Mendes, pesquisador em contato com o mundo dos arquivos, especificamente a Cinemateca Brasileira, parte não só da intimidade com o amigo Ruy, mas também da proximidade intelectual do processo histórico do cinema brasileiro, do qual ele se aproxima por meio das imagens que são montadas com uma poética que estabelece uma relação original com o discurso do cineasta. Entre a adesão e a recusa a certos arquivos, com flagrantes dos conflitos e também da beleza das relações entre aqueles que fizeram parte desse vasto campo chamado cinema brasileiro, é tecido um fino fio sobre as complexas relações entre cinema, memória e a história.

Francis Vogner dos Reis

Lila Foster

Curadores