Em seu segundo ano no formato competitivo, a Mostra Formação reúne 15 curtas-metragens que afirmam os contextos formativos como territórios de liberdade estética, experimentação e pensamento crítico. São obras que se afastam das narrativas clássicas para investigar o tempo vivido e imaginado, atravessando memórias, sonhos, trabalho e projeções de futuro. Muitos dos filmes são realizados coletivamente e tensionam os limites da imagem em movimento ao se contaminar pelas artes visuais, pela fotografia, pela performance e pela força do som, reafirmando os espaços de formação como campos férteis para invenções que escapam às lógicas do mercado audiovisual.
Sessão 1
A primeira sessão articula filmes que exploram o tempo a partir das texturas da imagem e das camadas da memória. Entre projeções fotográficas sobre matéria orgânica, imagens desfocadas que se tornam gesto performativo e registros de alta nitidez que tensionam a intimidade dos corpos, os curtas investigam estados espectrais, afetivos e políticos do lembrar. A sessão propõe uma escuta sensível do passado e do presente, seja por meio de arquivos familiares, entrevistas que flertam com o terror e o suspense ou relatos de jovens privados de liberdade, colocando em disputa quem olha, quem narra e quem produz as imagens.
Sessão 2
A segunda sessão aproxima obras que refletem sobre as relações entre gerações, atravessadas por memória, cotidiano e pertencimento. Os filmes transitam entre documentário, ficção e experimental, explorando arquivos familiares, sonhos coletivos, preparativos íntimos e referências aos cinemas negros brasileiros. Com diferentes estratégias formais, as obras constroem diálogos entre adultos e crianças, passado e presente, tradição e invenção, revelando o tempo como um campo de negociação afetiva, política e estética.
Sessão 3
Encerrando a mostra, a terceira sessão reúne curtas que tensionam as relações entre tempo, corpo e trabalho, seja nos momentos de descanso, na performance radical ou nas engrenagens contemporâneas da produtividade. As obras percorrem registros documentais, ficções híbridas e experiências sensoriais para refletir sobre cansaço, sobrevivência, desejo e absurdo. Entre o cotidiano laboral, a cultura ballroom, a cidade como espaço de fricção e uma comédia de tom surreal, a sessão afirma o cinema como espaço de crítica, humor e resistência às tentativas de domesticação do sensível.