Distopias cotidianas e figurações de um pós-mundo

MOSTRA FOCO | Série 1
A Mostra Foco abre com o curta experimental mineiro Drama queen, de Gabriela Luiza. Com imagens realizadas no isolamento social durante a pandemia da Covid-19, a realizadora se coloca em cena em breve exercício ensaístico, que mistura momentos de humor, melancolia e sátira cotidiana em torno da possibilidade de criação no contemporâneo. O baiano Marcus Curvelo também aparece em frente às câmeras em sua ficção A destruição do planeta live. Na trama, o realizador encontra-se dividido entre fazer uma live ou se autoaniquilar, enquanto o país mergulha em profunda crise política institucional. O curta ficcional paulista Céu de Agosto, de Jasmin Tenucci, traz como protagonista uma mulher grávida que frequenta uma igreja neopentecostal, cuida de sua avó doente e lida constantemente com a ansiedade em uma atmosfera poluída pelo efeito das queimadas. A sessão Foco 1 encerra com o experimental carioca Lambada estranha, de Luisa Marques e Darks Miranda, em que explosões tomam conta do fim do mundo e diferentes corpos dançam em meio às ruínas.

Os filmes desta sessão ficarão disponíveis por 48h: de 22h do dia 25/1 às 22h do dia 27/1.
Encontro com os filmes: os diretores desta sessão participarão de bate-papo online e ao vivo às 13h do dia 26/1 (terça-feira).

MOSTRA FOCO | Série 2
A sessão Foco 2 se inicia com Ratoeira, curta catarinense de Carlos Adelino, em que a distopia e o filme pós-apocalíptico são reinventados no espaço exíguo de uma pequena oficina de reformas eletrônicas. Interpretado pelo músico Neném Maravilha, o técnico MacGyver observa com melancolia o seu mundo acabar. No manauara De Costas Pro Rio, dirigido por Felipe Aufiero, é o cinema de gênero que se vê desafiado, ao ser alinhado com o documentário. No filme, vozes místicas e ancestrais trazem de volta a Manaus um homem que se afastou da própria terra. Já o curioso e instigante curta paranaense Eu Te Amo, Bressan, dirigido pelo jovem cineasta Gabriel Borges, brinca com a metalinguagem e com os códigos do filme romântico para comentar alguns lugares comuns do cinema contemporâneo. Num registro inverso, 4 bilhões de infinitos, filme do mineiro Marco Antônio Pereira, celebra a magia do cinema a partir do olhar poderoso e imaginativo das crianças.


Os filmes desta sessão ficarão disponíveis por 48h: de 22h do dia 26/1 às 22h do dia 28/1.
Encontro com os filmes: os diretores desta sessão participarão de bate-papo online e ao vivo às 13h do dia 27/1 (quarta-feira).

MOSTRA FOCO | Série 3
Dirigido por Júlia da Costa e Renata Mourão, a distopia queer sergipana Abjetas 288 habilmente articula elementos da cultura cyberpunk/gambiarra, incorporando dança e performance para apresentar sujeitos que vagam pelas paisagens desoladas da cidade, pelo sertão e pelos mangues, encontrando uma constelação de fantasmagorias urbanas a revelar o lado fake da norma. Numa fábula fantasiosa que assume a precariedade do fazer e do viver, Preces Precipitadas de um Lugar Sagrado que Não Existe Mais aborda o reiterado trauma da violência contra jovens negros e periféricos, inventando possibilidades de vida e apontando desejos de futuro para além de um mundo e de uma existência em permanente risco de extermínio. O curta cearense tem co-direção de Rafael Luan e Mike Dutra. Encerrando a sessão Foco 3, Novo Mundo evoca memórias não-materializadas de povos cuja própria humanidade foi negada na construção de uma ideia de país. Numa primeira pessoa do singular-plural, o curta fluminense co-dirigido por Natara Ney e Gilvan Barreto aponta para um futuro do pretérito, reinscrevendo humanidades, subjetividades e figurando uma presença contra-colonial a partir da experiência afrodiaspórica.

Os filmes desta sessão ficarão disponíveis por 48h: de 22h do dia 27/1 às 22h do dia 29/1.
Encontro com os filmes: os diretores desta sessão participarão de bate-papo online e ao vivo às 13h do dia 28/1 (quinta-feira).

Assinam o texto:
Camila Vieira
Felipe André Silva
Tatiana Carvalho Costa
Curadores