FÓRUM DE TIRADENTES | ENCONTROS PELO AUDIOVISUAL BRASILEIRO 

A Mostra de Cinema de Tiradentes, ao longo de seus 29 anos de existência, consolidou-se como um espaço singular de formação, promoção, reflexão, exibição e difusão do cinema brasileiro. Sempre esteve à frente de seu tempo, atenta às transformações do audiovisual, seja no campo tecnológico, seja nas formas de pensar, ver e fazer cinema. Constitui-se como um ambiente de encontros, de gestação de parcerias profissionais, de inovação e de tendências, além de um território fértil para a interação crítica no cinema do Brasil.

No decorrer de sua trajetória, presenciou avanços, transformações e continuidades no cinema brasileiro, acompanhando a criação da Ancine, da Secretaria do Audiovisual, a implementação da Lei 12.485 e do Fundo Setorial do Audiovisual – iniciativas que tiveram impacto positivo em toda a cadeia produtiva do setor. Viveu um processo de expansão e crescimento acima de vários outros segmentos da economia brasileira. Observou as séries de televisão ocuparem o espaço antes reservado majoritariamente ao cinema e as telas de TV e dos computadores se consolidarem como superfícies de imersão narrativa.

Foi testemunha do surgimento de uma nova geração de realizadores e tornou-se instrumento fundamental para favorecer uma visão de conjunto do campo audiovisual – um panorama que, se revela fragilidades, também permite vislumbrar novos rumos. Foi pioneira ao criar a Mostra Aurora, recorte da programação que abriu espaço para diretores estreantes e em início de carreira, exibindo filmes instigantes e desafiadores, de baixíssimo orçamento, muitas vezes precários em sua estrutura de produção, mas marcados pelo senso de provocação, pelo deslocamento de sentidos e sensações, pelo culto ao enigma e pelo estranhamento.

Consolidou-se como plataforma de lançamento do cinema brasileiro contemporâneo. O que apresenta anualmente não é apenas um cinema feito por novas pessoas, com novas representatividades, abordagens, personagens e estéticas, mas um cinema com outra composição de campo cinematográfico: mais aberto e tensionado, mais politizado e mais responsável, ainda que em constante processo de ajuste e amadurecimento, tanto no fazer cinematográfico quanto nas formas de recepção crítica.

De diversas maneiras, o evento acompanhou os altos e baixos da produção nacional, tanto na seleção e exibição de filmes quanto como espaço de discussão, interação, encontro e circulação de quem trabalha ou se interessa pelo cinema brasileiro. Afinal, desde sua origem, a Mostra nunca se limitou à exibição de obras. Desde a primeira edição, promove o Seminário do Cinema Brasileiro, que reúne profissionais do setor em mesas de debate dedicadas a temas variados e fundamentais.

Em 2023, a Mostra Tiradentes inovou, mais uma vez, ao lançar a 1ª edição do Fórum de Tiradentes – Encontros pelo Audiovisual Brasileiro. Um espaço de reflexão, cooperação e apoio à reconstrução das políticas culturais, capaz de reunir visões e demandas dos diferentes atores do setor audiovisual, campo cada vez mais complexo e descentralizado. Mais de 70 profissionais do audiovisual brasileiro estiveram reunidos, de forma online e presencial, colaborando para o diagnóstico dos pontos críticos do setor – fortemente afetado pela pandemia e pelo descaso do Governo Federal nos cinco anos anteriores. Os resultados desse rico exercício dos Grupos de Trabalho estão expressos na Carta de Tiradentes 2023 e em um conjunto de relatórios que apresentaram recomendações específicas para o enfrentamento das prioridades identificadas, bem como recomendações transversais, considerando a interseção entre os diferentes segmentos da cadeia produtiva e uma visão de futuro orientada pelos eixos da descentralização, diversidade, democracia e desenvolvimento econômico e social.

Para a 2ª edição do Fórum de Tiradentes, sob coordenação executiva de Débora Ivanov, Mário Borgneth e Raquel Hallak, abriu-se novamente espaço para a reflexão propositiva, a partir do percurso de reconstrução iniciado em 2023. A edição buscou, simultaneamente, celebrar conquistas e avanços já alcançados e formular perspectivas e propostas para enfrentar os desafios de 2024.

A metodologia adotada foi a reconvocação dos Grupos de Trabalho formados na primeira edição, somada à incorporação de novos colaboradores, sob a coordenação de Alessandra Meleiro (GT Formação), Cíntia Domit Bittar (GT Produção), Lia Bahia (GT Distribuição/Circulação), Pedro Butcher (GT Exibição/Difusão) e José Quental (GT Preservação). O processo teve como base a análise do histórico de realizações alcançadas a partir das diretrizes e recomendações formuladas na 1ª edição do Fórum, e se desenvolveu por meio de encontros presenciais e mesas de debate durante a 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes, em quatro dias de programação, de 20 a 23 de janeiro de 2024.

Em 2025, o Fórum de Tiradentes realizou sua 3ª edição, de 25 a 29 de janeiro, no âmbito da programação da 28ª Mostra de Cinema de Tiradentes, consolidando-se como um espaço de debate, reflexão e proposição de ações concretas voltadas ao fortalecimento e ao desenvolvimento do setor audiovisual brasileiro, com estímulo a uma atuação colaborativa, integrada e sistêmica.

Uma das novidades da 3ª edição foi a criação de um novo Grupo de Trabalho – o GT Observatórios –, passo importante para fortalecer a rede de colaboração entre os Observatórios Audiovisuais Brasileiros. O Fórum promoveu o encontro de representantes dessas iniciativas com o objetivo de compartilhar conhecimentos, promover a troca de dados e experiências e aprimorar as práticas de monitoramento e análise do setor audiovisual. Essa ação contribui para a formulação de políticas públicas mais eficazes, amplia a visibilidade do panorama audiovisual nacional e impulsiona a pesquisa e o desenvolvimento de novos projetos no campo.

A 4ª edição do Fórum de Tiradentes acontece de 24 a 28 de janeiro, integrada à programação da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, reafirmando o compromisso do evento com a escuta qualificada, o diálogo permanente e a construção coletiva de caminhos para o audiovisual brasileiro. Norteada por um tema central e por eixos temáticos que orientam sua programação, esta edição aprofunda as reflexões acumuladas ao longo de sua trajetória recente, fortalecendo os Grupos de Trabalho como instâncias estratégicas de articulação e proposição e renovando seu papel como espaço de convergência entre pensamento crítico, ação política e perspectivas de futuro para um setor diverso, descentralizado e em constante transformação.

Sob a coordenação geral de Raquel Hallak, Mário Borgneth e Débora Ivanov, o processo de trabalho teve início em novembro de 2025, com ações preparatórias realizadas em ambiente online, e se desdobra em atividades presenciais que integram a programação da Mostra, todas abertas ao público. Mais de 70 profissionais do setor audiovisual colaboram nesta edição, atuando em seis Grupos de Trabalho – Formação; Produção; Exibição/Difusão; Distribuição/Circulação; Preservação; e Observatórios – com o objetivo de elaborar recomendações específicas e transversais, orientadas pelos eixos da descentralização, diversidade, democracia e desenvolvimento econômico e social. As ações presenciais incluem sessão de abertura, painéis de apresentação dos Grupos de Trabalho, debates temáticos e uma plenária final, consolidando o Fórum como espaço público de reflexão, diálogo e proposição para o audiovisual brasileiro.