“IMAGINAÇÃO É UM VALOR A SER CONSIDERADO NO FAZER ARTÍSTICO”, DEFENDE PESQUISADOR EM DEBATE
Publicado em 25 jan 2026Na mesa temática “Soberania imaginativa: questões para um debate”, realizada na tarde de domingo, dia 25, na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, os impactos das transformações contemporâneas sobre a imaginação, a criação artística e o cinema brasileiro foram discutidos com uma plateia lotada no Centro Cultural Yves Alves. Partindo da ideia de soberania como autonomia econômica e livre expressão da vontade popular, o debate destacou como, no cenário atual, a concentração de poder das infraestruturas digitais, dados e algoritmos têm produzido uniformização da experiência sensível e um empobrecimento progressivo da imaginação, diretamente atingindo o audiovisual.
O papo tratou de como uma ideia de soberania no campo da imaginação não se restringe a uma dimensão simbólica, mas atravessa escolhas políticas, econômicas e institucionais. O pesquisador Hernani Heffner disse que o cinema é, por natureza, um campo de risco e de inacabamento e alertou para os constrangimentos impostos por uma lógica excessivamente normativa.
Para ele, a incompreensão da natureza do fazer artístico gera “uma pequenez da imaginação”, especialmente quando regras, leis e editais passam a determinar previamente o que pode ou não ser criado. Hernani defendeu uma democratização radical das políticas públicas, lembrando que o valor do cinema não é apenas econômico, mas também simbólico, cultural, histórico e patrimonial.
O cineasta Lincoln Péricles tratou da dimensão social e política da imaginação, relacionando-a às experiências de classe, território e violência. Ao falar sobre crise como estopim da imaginação, ele questionou a ideia de uma crise abstrata e homogênea e afirmou que “as crises são outras” para quem vive cotidianamente a guerra social nas periferias. Lincoln ressaltou que a política pública para o cinema não pode ser dissociada das políticas públicas básicas.
“Da mesma forma que eu preciso da política pública para o cinema, eu preciso de transporte público, de um postinho de qualidade. Não se separa, é tudo a mesma fita”, disse. Para Lincoln, pensar soberania imaginativa implica reconhecer que a maioria da população brasileira vive nas periferias e que essas experiências precisam estar no centro das decisões.
A produtora Julia Alves chamou atenção à pluralidade de modos de fazer cinema e à necessidade de ampliar os parâmetros de avaliação e reconhecimento das obras. Para ela, há muitos filmes circulando, existindo e sendo realizados fora dos indicadores tradicionais de mercado. “São muitas formas de fazer. Os filmes circulam em mercados por várias lógicas diferentes e não se pode aplicar os mesmos sentidos para beneficiar determinados tipos de projetos”.
SOBRE A MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES
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Maior evento do cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão realizado no país e chega a sua 29ª edição de 23 a 31 de janeiro de 2026, em formato online e presencial. Apresenta, exibe e debate, em edições anuais, o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira, em pré-estreias mundiais e nacionais – uma trajetória rica e abrangente que ocupa lugar de destaque no centro da história do audiovisual e no circuito de festivais realizados no Brasil.
O evento exibe mais de 137 filmes brasileiros em pré-estreias nacionais e mostras temáticas, presta homenagem a personalidades do audiovisual, promove seminário, debates, a série Encontro com os filmes, oficinas, Mostrinha de Cinema, Fórum de Tiradentes, Conexão Brasil CineMundi e atrações artísticas. Toda a programação é gratuita. Mais informações www.mostratiradentes.com.br
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