“Cinema só se liberta quando aprofunda a imaginação”, dizem participantes em mesa de debate na Mostra
Publicado em 29 jan 2026Dentro do Seminário do Cinema Brasileiro, na 29a. Mostra de Tiradentes, a mesa “A imaginação como experimentação”, realizada na quinta-feira (29 de janeiro) no Centro Cultural Yves Alves, reuniu participantes para discutir a imaginação como campo de disputa estética, política e institucional no audiovisual contemporâneo. Partindo da ampliação da presença de sujeitos historicamente excluídos na produção cultural, o encontro debateu como práticas artísticas vindas de experiências não hegemônicas tensionam os limites impostos por mercados, políticas públicas e instituições que tendem a valorizar obras excessivamente “explicadas” e dentro das normas estabelecidas.
O jornalista e pesquisador GG Albuquerque abordou a questão da essencialização como estratégia artística, especialmente em produções de artistas negros. Ele destacou que a questão ultrapassa a ausência de políticas públicas e envolve diretamente a experiência estética. Ao refletir sobre o funk produzido por mulheres negras nos anos 2000, GG apontou que essas artistas “incorporaram uma poética de forma estratégica para serem vistas e notadas”. “Elas partiram de elementos como sexualidade e identidade racial, muitas vezes associados a estereótipos, para levar ao limite da forma de afirmação e visibilidade”.
Para GG, esse movimento não se restringe ao conteúdo, mas atravessa também o campo formal das obras e causa tensões produtivas. Ele observou que “essa essencialização vai também para um campo formal, que gera uma série de problemas e de movimentos interessantes de como isso é negociado artisticamente”. Ele chamou isso de “paradigma da literalidade”, no qual a exigência de clareza excessiva pode esvaziar a complexidade simbólica das criações.
A artista Alana Falcão destacou a importância de linguagens que escapam às categorias estabelecidas pelo mercado e pelas lógicas de consumo. Para ela, o contato com obras que expandem os limites do cinema produz um deslocamento sensível. “Quando eu vejo algum tipo de linguagem específica dentro da linguagem do cinema, eu penso: o mundo é um pouco maior”. Alana afirmou ainda que essas experiências tornam o ambiente cultural mais respirável justamente por recusarem classificações fáceis e expectativas pré-definidas.
Em sua fala, a artista criticou a padronização das produções audiovisuais orientadas por critérios publicitários e mercadológicos. Ela observou que, quando a linguagem é excessivamente estabilizada, “a produção fica o tempo inteiro decidida a partir de termos publicitários”, o que reduz a singularidade das obras e limita a potência inventiva. “Abrir espaço para formas menos domesticadas é uma condição para que o cinema recupere sua força experimental”, afirmou.
O filósofo Victor Galdino disse que a imaginação como um sistema de ordenação e produção de circuitos imaginais organiza hábitos e modos de percepção. Para ele, a imaginação “produz circuitos, produz e organiza os hábitos”, tanto no plano da vida psíquica quanto no campo cultural. Galdino destacou que o momento atual é marcado por passagens rápidas entre o invisível e o visível, o não pensado e o pensado, à medida que experiências antes marginalizadas ganham espaço.
Ao mesmo tempo, o filósofo alertou que esses circuitos ainda são atravessados por heranças coloniais. Para Galdino, “os acúmulos críticos e conceituais que estavam sendo inventados para nós têm uma autoria colonial”. Ele lembrou que, em áreas como a música e o cinema, grande parte da história da recepção foi moldada por uma escuta e um olhar coloniais, apesar da existência de matrizes culturais negras e indígenas que sempre produziram outras formas de celebração e imaginação.
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O evento exibe mais de 137 filmes brasileiros em pré-estreias nacionais e mostras temáticas, presta homenagem a personalidades do audiovisual, promove seminário, debates, a série Encontro com os filmes, oficinas, Mostrinha de Cinema, Fórum de Tiradentes, Conexão Brasil CineMundi e atrações artísticas. Toda a programação é gratuita. Mais informações www.mostratiradentes.com.br.
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