“ANISTIA 79” (RJ), DOCUMENTÁRIO DE ANITA LEANDRO, VENCE A MOSTRA OLHOS LIVRES E CONQUISTA JÚRI POPULAR

Publicado em 01 fev 2026

Na Mostra Aurora, vencedor pelo Júri Jovem é “Para os Guardados” (MG), de Desali e Rafael Rocha;  curta “Entrevista com Fantasmas” (RS/SP) ganha na Mostra Foco.

O documentário “Anistia 79”, de Anita Leandro, do Rio de Janeiro, foi o grande vencedor da Mostra Olhos Livres, na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes. O filme levou o Prêmio Carlos Reichenbach, concedido pelo júri oficial. 

Na justificativa, os jurados ressaltaram a apropriação criativa de um registro amador que “multiplica no filme as possibilidades de cada fotograma”. O júri enfatizou ainda a potência política da obra ao revelar “dois homens negros, um líder camponês e o cinegrafista , imagens pouco acessadas pelo imaginário coletivo sobre aqueles que lutaram pelo fim da ditadura civil-militar”, afirmando o cinema como “construção da memória”. O filme também conquistou o Prêmio de Melhor Longa do Júri Popular.

No palco, a diretora Anita Leandro disse ter tido a mais intensa experiência de recepção de um filme em sua vida. “As pessoas em silêncio assistindo a esse filme, um filme difícil, sobre um assunto difícil, e parecia uma liturgia”, disse ela. Anita exaltou o reconhecimento e disse esperar que a premiação ajude o filme a ser distribuído nas sala comerciais de exibição.

Na Mostra Foco, voltada a curtas-metragens,  o Prêmio de Melhor Curta pelo Júri Oficial foi dado a “Entrevista com Fantasmas” (RS/SP), de LK. O júri ressaltou a capacidade do filme de articular cinema, memória e cidade, defendendo que a obra “fala de cinema, preservação, gentrificação das cidades e precarização do trabalho com pitadas de absurdo e uma poética gigante” e destacou a simplicidade de “apenas uma pequena câmera digital, um flerte cinematográfico e o desejo de cinema”. 

Por sua vez, o Prêmio Canal Brasil de Curtas foi para “Grão” (RS), de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa, reconhecido por “desconstruir estereótipos” e por retratar “uma juventude emparedada numa melancolia invisível, atolada num deserto de oportunidades”, abrindo espaço para que “uma juventude made in favela possa ousar sentir”, segundo justificativa dos jornalistas votantes.

Ainda pelo Júri Oficial, o Prêmio Helena Ignez – Destaque Feminino ficou para para Gabriela Mureb, pela direção do curta-metragem “Crash” (RJ). Segundo a justificativa, trata-se de um trabalho que “nos faz repensar o uso do som e o modo de ver uma imagem”, propondo uma experiência estética e política que “opera uma síntese entre o estético e o político em um único objeto”.

O Prêmio do Júri Jovem, escolhido por estudantes dentro dos longas da Mostra Aurora, foi dado a “Para os Guardados” (MG), de Desali e Rafael Rocha, definido como um filme que “imagina outros caminhos para a realidade” e aposta no experimental como desvio frente à literalidade dominante das imagens.

O Prêmio Abraccine de Melhor Longa da Mostra Autorias, dado por integrantes da Associação Brasileira de Críticos de Cinema, foi dado a “Atravessa Minha Carne” (GO/DF), de Marcela Borela, elogiado pelo “rigor formal na montagem e no desenho sonoro” em diálogo com uma escrita fotográfica livre e sensorial. 

Pelo Júri Popular o prêmio de curta-metragem foi para “Recife Tem um Coração” (RN), de Rodrigo Sena. Na Mostra Formação, o júri concedeu Menção Honrosa a “Diálogo Bulbul”, dirigido por Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos, por “abrir caminhos na história do cinema brasileiro” ao deslocar o arquivo para uma dimensão crítica e experimental. 

O melhor filme da Mostra Formação foi “De Barriga para Cima” (ES), realizado pela equipe do Instituto Marlin Azul em conjunto com moradores da Comunidade Quilombola de Monte Alegre, reconhecido por “costurar relações e sonhos no ato fílmico” e abrir “espaços de invenção e fabulação impulsionados pelos afetos”.

Conexão Brasil CineMundi

No segmento dedicado ao mercado e ao cinema brasileiro do futuro, as premiações são oferecidas por parceiros da mostra a projetos em diferentes estágios de desenvolvimento, incluindo os trabalhos WIP (work in progress).

Os Prêmios Cinecolor e O2 Pós foram concedidos a “Pedra de Raio” (RJ e CE) de Lucas Parente e Pedro Lessa, descrito como um filme que “recusa fixar-se em gêneros e códigos exteriores”, inventando “um universo de grande fôlego estético e poético” a partir de um mergulho radical nas possibilidades do cinema. 

Os Prêmios CTAV e The End foram para “Bate e Volta Copacabana” (MG), de Juliana Antunes e Camila Matos, cuja narrativa é atravessada por “uma força vital que impulsiona a narrativa” e organiza seus atos a partir do desejo das protagonistas.

O Prêmio Málaga WIP foi de “Pequenas Tragédias” (GO), de Daniel Nolasco, reconhecido por abordar “o exílio forçado das dissidências” e transformar o “humor queer em ato de resistência”. Já o Prêmio Sesc em Minas – Work in Progress foi atribuído a “Paisagem de Inverno” (MG), de Marco Antonio Pereira, por apresentar “um olhar atento e deslocado sobre Minas Gerais” e afirmar “a imaginação e a esperança como elementos vivos no cotidiano”. 

LISTA DE PREMIADOS 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes 

Prêmio Carlos Reichenbach de Melhor Filme – Mostra Olhos Livres: “Anistia 79” (RJ), de Anita Leandro

Prêmio de Melhor Longa – Júri Popular – Mostra Olhos Livres: “Anistia 79” (RJ), de Anita Leandro

Prêmio de Melhor Curta – Júri Oficial – Mostra Foco: “Entrevista com Fantasmas” (RS/SP), de LK

Prêmio Canal Brasil de Curtas – Mostra Foco: “Grão” (RS), de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa

Prêmio de Melhor Curta – Júri Popular: “Recife Tem um Coração” (RN), de Rodrigo Sena

Menção Honrosa – Mostra Formação: “Diálogo Bulbul” (Sp, RJ, Es, Ba), de Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos

Prêmio de Melhor Filme – Mostra Formação: “De Barriga para Cima” (ES), do Instituto Marlin Azul e moradores da Comunidade Quilombola de Monte Alegre

Prêmio Abraccine de Melhor Longa – Mostra Autorias: “Atravessa Minha Carne (GO/DF), de Marcela Borela

Prêmio do Júri Jovem – Mostra Aurora: “Para os Guardados” (MG), de Desali e Rafael Rocha

Prêmio Helena Ignez – Destaque Feminino: “Crash” (RJ), de Gabriela Mureb

Prêmio Cinecolor e O2 Pós – Conexão BCM: “Pedra de Raio” (CE e RJ),  de Lucas Parente e Pedro Lessa

Prêmio CTAV e The End – Conexão BCM: “Bate e Volta Copacabana” (MG), de Juliana Antunes e Camila Matos

Prêmio Málaga WIP – Conexão BCM: “Pequenas Tragédias” (GO), de Daniel Nolasco

Prêmio Sesc em Minas – Work in Progress – Conexão BCM: “Paisagem de Inverno” (MG), de Marco Antonio Pereira

SOBRE A MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES
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Maior evento do cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão realizado no país e chega a sua 29ª edição de 23 a 31 de janeiro de 2026, em formato online e presencial. Apresenta, exibe e debate, em edições anuais, o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira, em pré-estreias mundiais e nacionais – uma trajetória rica e abrangente que ocupa lugar de destaque no centro da história do audiovisual e no circuito de festivais realizados no Brasil.

O evento exibe mais de 137 filmes brasileiros em pré-estreias nacionais e mostras temáticas, presta homenagem a personalidades do audiovisual, promove seminário, debates, a série Encontro com os filmes, oficinas, Mostrinha de Cinema, Fórum de Tiradentes, Conexão Brasil CineMundi e atrações artísticas. Toda a programação é gratuita. Mais informações www.mostratiradentes.com.br.

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