NA VERTICAL E EM UM MINUTO? QUE CINEMA É ESSE?
Em sua segunda edição, o “Desafio #eufaçoaMostra” voltou a surpreender. A premissa foi a mesma do ano passado: estimularparticipação ativa da comunidade da Mostra Tiradentes na criação audiovisual, proporcionando aoportunidade de expressar interpretações sobre a temática desta edição, “Que cinema éesse?”, por meio de vídeos curtos na vertical. E a apreensão, também, foi a mesma: Será que o público iria engajar? Iria, novamente, dizer sim ao nosso convite e fazer parte, de fato, da Mostra? Para a nossa alegria, nosso chamado foi prontamente atendido.
Foram dezenas de filmes inscritos, com as mais diversas propostas: narrativas documentais, ficcionais, experimentais. Filmes em diálogo com outras artes, com o passado e com o futuro. Na seleção final, 12 filmes que nos estendem o convite e nos provocam a pensar: “Que cinema é esse?”. Um cinema de memórias e de sonhos, que reverbera para muito além dos seus poucos segundos de duração. Um cinema plural, inquieto, que se agiganta em sua despretensão. E que o público vai poder conhecer não só na tela do seu celular, pelo nosso canal no Instagram (@universoproducao), mas também na plataforma mostratiradentes.com.br, integrando a programação online da Mostra e presencialmente na cidade mineira, em projeção no Cine-Lounge.
Em filmes de umminuto, a Mostra #eufaçoaMostra faz eco à temática desta edição e nos convidaa refletir, mais uma vez, sobre o próprio cinema e o fazer cinematográfico. Que cinema é esse, na vertical e em 60 segundos? Que cinema é esse, que cabe na palma da mão e que dispensa a solenidade da sala escura? Que cinema é esse?
Carolina Braga
Laura Tupynambá
Seleção Mostra #eufaçoaMostra
AQUI TINHA UM CINEMA (MG)
Direção: Fabio Araujo
Um pai conta para o filho onde eram os cinemas de sua cidade (Belo Horizonte).
AS BELEZAS DA NOSSA GENTE (MG)
Direção: Letícia Leão
O filme retrata o povoado da Vargem do Bento da Costa (MG), onde muitas histórias acontecem e tantas outras não chegam. Como vão saber das nossas histórias? Que cinema é esse que não chega? Entre tantas belezas, Dona Neide e a receita do bolo de queijo, cultura imaterial, ganham memória, ao se tornar parte do nosso cinema.
BRASIL PLURAL(MG)
Direção: Ana Júlia Castro
A câmera nos guia por uma jornada visual que captura a essência do cotidiano em um cinema de bairro, enquanto se questiona – “Que cinema é esse?”.
CINE AZTECA (RJ)
Direção: Luís Teixeira Mendes
O vídeo, autobiográfico, retrata a demolição de um cinema sob a ótica de uma criança.
CINEMA DE RUA (MG)
Direção: Renato Silva de Brito
Um passeio por Belo Horizonte encontrando referências da historia do cinema.
É ASSIM QUE O FIM SE TORNA O INÍCIO (MG)
Direção: Anthony Christian Fernandes
Ao ser provocado por uma pergunta de seu vô, Anthony Christian transmuta para o cinema a fala sensível que despertou reflexões sobre sua identidade e ancestralidade. Nesse mesmo dia, ele se dedicou a gravar e observar o cotidiano de seus avós. E construiu uma narrativa poética e simbólica que aglutina conceitos do trabalho, tempo e ciclos.
ESTAÇÃO ANÔNIMA(SP)
Direção: Carol Ruedas
Uma reflexão sobre a dificuldade que os atores anônimos enfrentam ao tentar ingressar no universo do audiovisual.
ISSO NÃO É (SP)
Direção: Gab Lourenzato
O que escorre quando não há mais espaço para raiva.
OCIWA (SP)
Direção: Heitor Andrade
Qual tipo de arte é o cinema? Um fotógrafo com alguns negativos tenta responder essa pergunta em menos de um minuto.
QUE CINEMA É ESSE? CINE VAZ LOBO(RJ)
Direção: Lucla Lima
O Cine Vaz Lobo está fechado desde a década de 1980 e a luta dos moradores impediu que seu prédio fosse demolido para dar lugar à via expressa BRT Transcarioca. O sonhos dos moradores é que o Cine Vaz Lobo volte a funcionar exibindo o cinema suburbano.
TARGO-JOSÉ ARIMATÉIA (MG)
Direção: Rodrigo Maia Resende
O cinema antigo de José Arimatéia.
VEREDA (MG)
Direção: Bárbara Nilma
Uma tradução intersemiótica da certeza da impossibilidade de um caminhar solitário enquanto inundada de solidão. Ainda que verdadeiramente grata e feliz.