O filme de abertura da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, O Fantasma da Ópera, é um gesto radical de celebração da imaginação como força soberana do cinema brasileiro. Em pouco mais de 25 minutos, a câmera percorre o set de Pitico, próximo longa de Júlio Bressane, para revelar aquilo que normalmente permanece invisível: o trabalho entre os takes, o tempo suspenso da criação, o cinema como fantasma em permanente devir. Longe de um documentário convencional, o filme se constrói como um making off especulativo, em que imagem e pensamento se encontram de forma sensível, auto-reflexiva e livre de amarras narrativas. Ao evocar a história do Brasil como fabulação e a imagem como território incapturável pelo poder, Bressane reafirma, aos 80 anos, um cinema experimental que pensa por si e reinventa o mundo. Sua estreia na abertura da Mostra reafirma o desejo de um cinema movido pelo mistério, pelo prazer e pela liberdade absoluta das imagens.