Mostrinha – Longas
A Mostrinha deste ano reúne duas obras voltadas ao público infantil e também aos adultos: Papaya, primeiro longa-metragem de Priscila Kellen, realizado sob a supervisão artística de Alê Abreu – diretor do consagrado O Menino e o Mundo (2013) -, e D.P.A. 4 – O Fantástico Reino de Ondion, dirigido por Mauro Lima e recentemente lançado nos cinemas.
A animação em sua forma inventiva mais autêntica é o gênero infantil por excelência, não apenas pela fantasia que instaura no imaginário, mas como um modo de ser da imagem animada onde tudo pode ganhar vida, tudo pode se transformar a qualquer momento e o mundo deixa de obedecer às normas fixas da representação. Neste sentido, Papaya é um exemplar da animação inventiva infantil. Uma semente de mamão é expelida prematuramente do fruto do mamoeiro pela ferida causada por um pássaro germinador. Ao cair em terreno inóspito, a pequena semente ainda sem força para penetrar a terra com suas raízes sonha em voar em direção ao sol. A animação de Kellen é uma aventura cheia de cores, sons e vegetais antropomorfizados que investe na experiência da criança com as imagens para além das narrativas convencionais.
D.P.A. 4 – O Fantástico Reino de Ondion, por sua vez, expande o universo já consolidado da série e dos longas ao introduzir a quarta geração dos detetives do Prédio Azul em uma aventura que privilegia a liberdade imaginativa em detrimento da verossimilhança. Ainda que distinto de Papaya, o filme também evoca o senso de jornada e seus encontros. Ainda, subverte padrões representacionais ao mobilizar efeitos especiais e uma estética marcada pelo desbunde visual e pelo fantástico, além de articular a lógica dos jogos como eixo narrativo, em diálogo com referências centrais do imaginário juvenil, como Harry Potter e Alice no País das Maravilhas. A trama segue Mel e Zeca na busca por Max, levado ao reino fantástico de Ondion, onde, com o auxílio de Berenice e de criaturas mágicas locais, enfrentam desafios que reafirmam o espírito lúdico da obra, seu apuro visual e sua sintonia com o imaginário contemporâneo do público jovem.
Francis Vogner dos Reis
Juliana Costa
Juliano Gomes
Curadores
Colaboração: Bárbara Bello – Assistente curatorial
Mostrinha – Curtas
A sessão de curtas da Mostrinha de Cinema de Tiradentes reafirma, a cada ano, sua vocação de formação de público para filmes brasileiros entre crianças e adolescentes. Ao trazer para a tela da mostra a produção em curta-metragem de cada ano, há uma possibilidade de descobrimento de novas formas e invenções brincantes para o público que comparece às sessões. Há uma diversidade grande nessas obras, que trafegam entre o live action e a animação, perpassando várias regiões do país.
Neste ano, o curta que abre a sessão é Antes d’eu era nós (2025), animação de Londrina, Paraná, realizado por Lila Thevenom e Raquel Deliberador. De maneira lúdica e afetiva, apresenta um garoto negro que toca seu violão e partir da canção executada abre as portas para um universo de fantasia e brincadeira. Na sequência, Natureza (2025), animação com recortes feita em Contagem, Minas Gerais, por Sheila Rodrigues, Jaqueline Lopes Diniz, apresenta, a partir de uma perspectiva de indígenas, animais e plantas um modo de preservação da natureza de um modo simples e em diálogo com um público infantil. Posteriormente, a cineasta e arte-educadora indígena Barcabogante realiza, em Florianópolis, a animação em stop motion Abraços (2025), que retrata o universo onírico de uma menininha que através de seus sonhos desenhados em seu caderno acessa um universo de fantasias como maneira de combater a tristeza que se abate sobre sua mãe. Quarto filme da sessão, a animação Pelo que foi (2025), do Rio de Janeiro, realizada por Julia Leite, Luís Eduardo Fanzeres, Marcela Lesniczki e Rafael Sabioni, cria um universo magico no qual uma garota tenta reencontrar seu cachorrinho desaparecido. Pelo caminho, lembranças e sons a remetem a momentos marcantes de sua vida. Para fechar a sessão, um filme em live action, Carrinho de Rolimã – Uma aventura em alta velocidade (2025), de Rafael Nzinga. O filme, realizado em Belém, apresenta uma narrativa bem humorada a disputa de carrinhos de rolimã entre crianças da rua. Duas meninas enfrentam o desdém dos garotos e logram êxito ao final do certame.
Camila Vieira
Leonardo Amaral
Lorenna Rocha
Mariana Queen Nwabasili
Rubens Fabricio Anzolin
Curadores