MOSTRA HOMENAGEM

Como parte da Mostra Homenagem dedicada à atriz e diretora Karine Teles, o público poderá acessar online uma seleção de filmes que atravessam diferentes momentos e registros de sua trajetória no cinema brasileiro contemporâneo. Estão disponíveis Quinze (2014), de Maurílio Martins, obra marcada por uma delicada atenção aos gestos cotidianos; Otimismo, A Lama da Mãe Morta (2023), de Camilo Pellegrini, que tensiona afetos e memórias em chave sensível; e o emblemático Que Horas Ela Volta? (2015), de Anna Muylaert, filme que consolidou Karine como uma presença central do cinema nacional. Reunidos, esses títulos evidenciam uma atuação que se constrói pela escuta, pela precisão emocional e por uma expressividade singular, fazendo da obra de Karine Teles um ponto de referência para o cinema brasileiro atual.

MOSTRA PANORAMA

A Mostra Panorama de 2025 se inscreve num momento singular da produção brasileira de curtas-metragens, marcado por um volume sem precedentes de obras em circulação e por desafios igualmente complexos no campo da curadoria. Diante de um cenário em que a ampliação do financiamento público impulsionou a produção em diferentes territórios, mas também evidenciou recorrências formais e narrativas, os filmes aqui reunidos se afirmam menos como destaques isolados e mais como proposições que tensionam o todo. Organizada em três sessões Panorama 1: Dramaturgias infinitas, Panorama 2: Encontros e desvios pelo tempo e Panorama 3: Em busca da paisagem, a mostra reúne obras que apostam na diferença como gesto estético e político, explorando múltiplas relações entre corpo, território, memória e fabulação.

Panorama 1 — Dramaturgias Infinitas
A primeira sessão reúne filmes que reinventam a ideia de narrar, costurando mito, cotidiano e invenção formal. Entre reencenações de mitologias indígenas, dramaturgias clássicas atravessadas por afetos cuir, registros comunitários contaminados por lendas e geografias sentimentais marcadas pela memória das águas, os filmes constroem narrativas híbridas, onde escuta, corpo e ancestralidade ganham centralidade. Panorama 1 convida o espectador a um gesto ativo de fruição, em que cada obra amplia as possibilidades da dramaturgia no cinema contemporâneo brasileiro.

Panorama 2 — Encontros e Desvios pelo Tempo
Nesta sessão o tempo se dobra em encontros íntimos, fantasmas históricos e afetos familiares. A sessão atravessa retiros e comunhões entre mulheres lésbicas mais velhas, resgata memórias apagadas da história campesina brasileira por meio de arquivos vencidos, observa linhagens familiares negras em tensão amorosa e acompanha sonhos e desejos de uma juventude artística periférica. Entre o documental e o experimental, os filmes propõem desvios temporais que conectam passado, presente e futuro a partir da escuta, do cuidado e da complexidade das relações humanas.

Panorama 3 — Em Busca da Paisagem
A terceira sessão da Mostra Panorama é atravessada por caminhos, deslocamentos e paisagens físicas e simbólicas. Dos trajetos espirituais guiados por lendas indígenas aos encontros melancólicos no interior do país, da reconstituição de tragédias ferroviárias à adaptação de gêneros clássicos como o western para realidades contemporâneas brasileiras, os filmes constroem paisagens que são também estados de espírito, memória e conflito. A sessão propõe um cinema em movimento, onde território, história e imaginação se entrelaçam na busca por novos horizontes sensíveis.

MOSTRA SOBERANIA IMAGINATIVA

A mostra Soberania Imaginativa reúne filmes que reivindicam o cinema como território de invenção, autonomia e disputa simbólica. Em um contexto marcado por imagens normativas e narrativas já estabilizadas, as obras aqui apresentadas afirmam a imaginação como força soberana, capaz de reconfigurar histórias, corpos, memórias e futuros possíveis. São filmes que operam deslocamentos formais e políticos, tensionando arquivos, fabulações, gestos performativos e experiências coletivas para instaurar outros regimes de visibilidade e escuta. Ao invés de ilustrar o real, a mostra propõe recriá-lo, convocando o espectador a atravessar imagens que não se contentam em representar, mas insistem em reinventar os modos de existir e narrar no cinema brasileiro contemporâneo.

Sessão 1
A primeira sessão da Mostra Soberania Imaginativa se afirma como um território de risco e desvio, reunindo curtas que operam no limite da encenação, do som e da forma. Entre o improviso solar e errante de Pânico na praia vermelha, a farsa política de Vulto sagrado e o desconforto sensorial de Vigília noturna, os filmes tensionam códigos narrativos e estéticos, apostando na instabilidade como método. O percurso se completa com Memorial dos metacarpos, que incorpora filtros, dublagens e performances juvenis para fabular uma noite atravessada por niilismo, rebeldia e magnetismo corporal. Juntos, os trabalhos desenham uma sessão marcada pela indisciplina formal, pelo deboche e pela invenção como gesto de insubordinação.

Sessão 2
A segunda sessão amplia o campo da soberania imaginativa ao articular pensamento crítico, fabulação radical e experimentação sensorial. De Vim e irei como uma profecia, diálogo fragmentado e afetuoso entre Jean-Claude Bernardet e Wesley Pereira de Castro, aos sertões esgarçados e hiper-realistas de Mãe santíssima, a sessão aposta em narrativas opacas e decisões formais arriscadas. A estranheza cotidiana de Pequeno jogo e a atmosfera gótica de A morte da aparição aprofundam o flerte com a fantasmagoria, enquanto Mydzé encerra o programa com um olhar poético e político sobre o sertão indígena, a infância e as marcas da intervenção humana na paisagem. Um conjunto de filmes que transforma o imaginário em campo de disputa, memória e invenção.