A Mostra Soberania Imaginativa reúne curtas-metragens que se colocam deliberadamente fora de eixo, em diálogo direto com as questões centrais da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes. As duas sessões apostam em gestos cinematográficos disruptivos, marcados pela energia juvenil, pela farsa, pelo deboche e pela inconformidade formal. São filmes que recusam códigos estabilizados, exploram o disforme, o improviso e a desconjuntura como forças criativas, reafirmando a imaginação como espaço de liberdade radical e de reinvenção do cinema brasileiro contemporâneo.
Sessão 1
A primeira sessão articula obras que operam no limite entre improviso, humor, fantasmagoria e performance. Os filmes se movem por uma energia errante, flertando com a farsa política, o profano, o niilismo juvenil e a deriva urbana. Entre encenações desajustadas, experimentações sonoras, jogos de dublagem, filtros e apropriações do cotidiano, a sessão constrói um território onde a rua, o corpo e a imagem se contaminam, produzindo narrativas instáveis que celebram o risco, a ironia e a recusa de formas narrativas previsíveis.
Sessão 2
A segunda sessão amplia o campo da invenção ao tensionar memória, espiritualidade, fantasmagoria e pertencimento. Os filmes atravessam conversas entre críticos e cineastas, fabulações hiperrealistas do sertão, jogos infantis transformados em estranhamento e narrativas góticas experimentais, compondo um mosaico de imagens que desafiam o que pode ser visto e ouvido. Ao encerrar com uma proposta indígena inventiva e sensorial, a sessão reafirma a soberania imaginativa como gesto político, capaz de deslocar representações, reinventar territórios e afirmar outras formas de existência por meio do cinema.