Em seu segundo ano, a Mostra Territórios Mineiros reafirma sua vocação de mapear e difundir a produção audiovisual realizada em diferentes regiões de Minas Gerais, reunindo obras ficcionais e documentais que emergem de contextos urbanos e rurais. Organizada em duas sessões, a mostra valoriza a pluralidade de linguagens, modos de produção e formas de pertencimento, compondo um painel geográfico e sociocultural que amplia o entendimento sobre a complexidade do território mineiro. Ao fortalecer vínculos entre realizadores, comunidades e tradições locais, a Territórios Mineiros consolida-se como um espaço estratégico de circulação de olhares e de reflexão sobre as dinâmicas contemporâneas do cinema produzido no estado.

Sessão 1
A primeira sessão é atravessada pela musicalidade como eixo sensível que articula narrativas, personagens e territórios. Os filmes percorrem diferentes regiões de Minas Gerais para investigar memórias familiares, juventudes negras, práticas religiosas e gestos performativos que se inscrevem no espaço urbano e rural. Entre fragmentos de lembrança, ruínas da mineração, rituais do congado e ações sonoras que ativam a cidade, a sessão constrói um mosaico em que o som, o corpo e a paisagem operam como forças de resistência, afeto e reinvenção do imaginário mineiro.

Sessão 2
Na segunda sessão, os curtas estabelecem diálogos entre tradição e contemporaneidade, articulando trabalhos manuais, ofícios ancestrais e experimentações estéticas que tensionam o tempo e a matéria. Os filmes se debruçam sobre práticas comunitárias, gestos artísticos singulares e modos de subsistência ameaçados, evidenciando relações entre corpo, território e memória. Ao transitar entre registros observacionais, documentais diretos e propostas visuais e sonoras mais fragmentadas, a sessão reafirma o cinema como espaço de preservação, questionamento e expansão dos sentidos que constituem as paisagens culturais de Minas Gerais.