29a MOSTRA TIRADENTES DISCUTE A SOBERANIA IMAGINATIVAE HOMENAGEIA ATRIZ KARINE TELES, UMA DAS GRANDES EXPRESSÕES DO AUDIOVISUAL BRASILEIRO
Publicado em 06 jan 2026
Maior evento do cinema brasileiro abre o calendário de 2026 com mais de 100 filmes em pré-estreias e mostras temáticas; reúne profissionais, promove debates, encontros, ações formativas e atrações artísticas ao longo de nove dias de programação intensa e gratuita
Entre 23 e 31 de janeiro de 2026, a Mostra de Cinema de Tiradentes realiza sua 29ª edição e abre o calendário audiovisual brasileiro como o primeiro grande encontro do setor no ano. Consolidado como uma das principais plataformas de lançamento, reflexão e debate do cinema nacional, o evento reúne centenas de espectadores, pesquisadores, jornalistas e profissionais em torno de uma programação gratuita e diversificada, com pré-estreias, mostras temáticas, atividades formativas e encontros do audiovisual.
Para 2026, a Mostra propõe como eixo curatorial a temática “Soberania imaginativa”. O conceito surge a partir do debate contemporâneo sobre autonomia, independência e protagonismo cultural do Brasil, fruto de reflexões da curadoria coordenada pelo crítico de cinema Francis Vogner dos Reis. Para ele, a escolha desse tema justamente agora responde a um momento histórico específico. “A palavra ‘soberania’ voltou a organizar o debate público, e ela não diz respeito apenas à política ou à economia, mas também à capacidade de imaginar, criar e sustentar projetos próprios no campo simbólico e cultural”, diz ele.
Junto com Francis Vogner, assinam a curadoria da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, os profissionais Juliano Gomes e Juliana Costa (longas-metragens); Camila Vieira, Leonardo Amaral, Lorenna Rocha, Mariana Queen e Rubens Anzolin (curtas-metragens); e as assistências de Barbara Bello (longas) e João Rego (curtas).
A temática, que evolve todo um pensamento em torno dos debates que devem ocupar parte das mesas durante a Mostra, parte de uma leitura retrospectiva do cinema brasileiro das últimas duas décadas ao reconhecer que a emergência de obras, artistas, coletivos e produtoras inovadoras não ocorreu de forma isolada. “Não se trata apenas de identificar filmes ou artistas originais, mas de compreender as dinâmicas profundas de criação que permitiram o surgimento de um cinema diverso, arriscado e inventivo”, afirma Francis. Com isso, a Mostra reforça seu papel histórico de mapear, reconhecer e dar visibilidade a forças criativas em pleno e constante movimento de reconfiguração das práticas artísticas no país.
Num cenário marcado pela retomada das políticas públicas, pela reorganização do setor audiovisual e pela urgência da regulação das plataformas, a Mostra propõe avançar no pensamento. “O cinema brasileiro revelou tecnologias, modos de produção e imaginações que respondem a contextos, territórios e sujeitos muito distintos. Essa imaginação, vasta e muitas vezes ainda sem nome, pode ser um laboratório de futuro para o país”, diz o curador. A “soberania imaginativa”, assim, carrega a ideia de um canal para garantir condições de continuidade a uma produção plural e ousada.
HOMENAGEM | KARINE TELES – atriz, roteirista e diretora
Atriz que transita entre o cinema autoral e o grande público é a homenageada da 29ª Mostra de Tiradentes.
Dentro desse contexto, a 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes homenageia a atriz fluminense Karine Teles, uma das figuras centrais do cinema brasileiro contemporâneo. Com trajetória marcada pelo trânsito entre o cinema independente e o audiovisual de grande alcance, Karine construiu uma carreira que dialoga diretamente com os valores defendidos pela temática desta edição. Para Francis Vogner, a escolha da atriz evidencia um ponto de intersecção fundamental de hoje. “A Karine é uma atriz que se formou na relação entre um cinema independente, de fatura autoral e inventiva, e as incursões no mainstream, em filmes e novelas voltados a um público mais amplo”, afirma ele. A versatilidade fez dela um rosto amplamente reconhecido, sem que isso a afastasse do núcleo mais experimental e criativo da produção nacional, defende o curador.
A homenagem a atriz, roteirista e diretora Karine Teles destaca ainda como sua carreira traduz a pluralidade do próprio campo audiovisual autônomo. “O cinema brasileiro nunca foi uma coisa só. Ele é múltiplo, diverso, e a trajetória da Karine prova isso”, observa Francis. A atriz, assim, sintetiza o desejo da Mostra de aproximar inventividade estética e diálogo com o público: “Ela é uma figura reconhecida pelo grande público e, ao mesmo tempo, profundamente respeitada no cinema independente. É um caso muito expressivo desse nosso desejo”. Inclusive a atriz teve seu primeiro grande papel num filme exibido na Mostra Aurora, “Riscado”, em 2010, no Cine-Tenda, em Tiradentes.
Em sua trajetória, a atriz de 47 anos fez diversos trabalhos com a produtora mineira Filmes de Plástico, como os curtas-metragens “Quinze” (2014) e “Nada” (2017) e o longa-metragem “No Coração do Mundo” (2019); esteve em sucessos de repercussão internacional, como “Que Horas ela Volta?” (2015) e “Bacurau” (2019); e participou de séries e telenovelas.
